A entrevista

A entrevista de Meghan Markle e príncipe Harry à Oprah Winffrey foi – não há outro termo – bombástica, como esperado. Acusações de racismo, de insensibilidade e calúnias que não soaram absurdas, o que foi o mais chocante.

Oprah é a melhor entrevistadora do mundo. Não tem igual. Ela seguiu a lista que esperávamos e não deixou passar barato. Não perguntou sobre o pai de Meghan assim como não falou das acusações de assédio moral das quais Meghan é acusada. Mesmo que tenham fundamento, sob o estresse que visivelmente viveram, teriam vindo de duas pessoas no limite.

Harry e Meghan se esforçam para “salvar” três pessoas. Apenas a Rainha Elizabeth II foi abertamente protegida das maiores críticas, mas William e Kate são poupados o máximo possível, com arranhões sendo justificados por estarem presos ao sistema.

Príncipe Charles, mais uma vez, revela as limitações de empatia e falta de pulso que são inegáveis. Desde que Diana colaborou para cimentar o quanto ele é problemático não consegue mudar essa imagem. Os filhos sofrem com sua personalidade complicada.

De todas as questões levantadas por Meghan e Harry, que são inerentes à posição da monarquia (portanto têm dois lados), a acusação de racismo é a mais chocante de todas. Sem meias palavras, Meghan afirma que Archie não é príncipe por ser de origem mestiça e que houve preocupação quanto ao tom de pele dele antes da foto oficial. Ela e Harry se recusam a dizer “quem” falou sobre isso, mas a lista de candidatos não é longa. No Twitter, se aponta para William ou Charles, uma vez que o casal defendeu a Rainha, mas a verdade é que não revelaram o autor da conversa e Harry disse que jamais dirá quem foi.

Meghan reverte às acusações de conflito com Kate Middleton, mesmo confirmando que não há amizade. Diz que a cunhada é uma boa pessoa, mas não se estende.

As reclamações sobre títulos e segurança, como lembrado, ou até salários, têm dois lados e não são nem tão simples como sugerem nem pessoais. O sistema monárquico é binário, só atende a quem segue as regras e faz parte do time em tempo integral. Meio termo jamais entrou em consideração. Já as acusações de racismo e racismo estrutural são sérias, dolorosas e chocantes.

A única parte fofa foi Harry comemorando que será pai de uma menina, mas o tom de tristeza pesou tanto que não foi o destaque da entrevista.

A mágoa aberta de Harry com o pai, para quem acompanhou a trajetória de Diana, não é surpreendente, mas particularmente triste. As histórias são as de que Harry sempre foi o mais sensível e ligado ao pai, com William mantendo a imagem de rancoroso e distante. Harry não mediu as palavras e afirmou estar magoado com Charles. “Ele sabe o que é sentir dor”, ele disse. Pelo que ele contou, sabe mesmo?

E William, bom, mesmo que apoie o pai, tampouco está ao lado do irmão.

Essa novela não acabou.

Outra coisa que ficou muito clara, para quem leu Finding Freedom, embora Oprah não tenha perguntado, é que a fonte do livro foi mesmo o casal. Repetem a narrativa exata do livro, com poucos detalhes alterados (como a revelação de que se casaram três dias antes da cerimônia oficial ou a razão da briga entre Kate e Meghan, que era se as daminhas usariam meia-calça ou não).

As reações do Palácio são esperadas essa semana, não serão suaves. O que estamos vendo, porém, é um Feitiço do Tempo, com as mesmas falas, as mesmas reações e expectativas. Fora a questão do racismo, de novo, que é novidade e preocupante, todas as outras já foram respondidas e resolvidas de ambos os lados. Meghan e Harry queriam mudar seus papéis, mas a Família Real negou a eles. Ou eram seniores e seguiam as regras, ou saíam. Saíram e já estão independentes financeiramente. Estão ainda reféns emocionais do sistema. Caberá a eles e a William e Kate, basicamente, a mudarem o capítulo. A ver!

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