No livro de Harry, não poupa mais

Quem acompanha o drama da Família Real sabia que chegaria o dia inevitável em que Príncipe Harry iria colocar em escrito o que viveu nos bastidores. Dependendo das contas, o drama se desenrola há sete anos, ou cinco (pós-casamento), ou quatro (quando os rumores das brigas entre irmãos começaram a circular) ou há três (quando Meghan Markle e Harry abandonaram a Inglaterra). Não importa. Em cinco dias o livro O que Sobra (Spare) chega às lojas e obviamente os trechos que já vazaram estão gerando notícias. E… o que efetivamente sobra? Muito pouco.

Pelos trechos já mencionados pela imprensa essa semana, Harry aparentemente jamais tem autonomia em suas decisões. Por exemplo, em um trecho (que não chega a ser novidade), alega que usou a fantasia de Nazista por recomendação de Kate Middleton e Príncipe William, sem admitir em que não precisava nem ter considerado a possibilidade ou ele mesmo achar graça da opção.

Ele sempre mantém seu papel de vítima e reclama de ter nascido como estepe do irmão, o herdeiro. Harry viveu uma vida de coadjuvante, sendo maltratado e difamado por William e a quem define como “amado irmão” e “arqui-inimigo”. Sim, é contraditório.

Mas é preciso dizer que Harry, à parte de jamais admitir nenhum erro em nenhum momento, está certo sobre muitas coisas. Ele não tinha nenhuma importância na vida para qual nasceu – a de príncipe estepe – e queria mais. Só conseguiu vislumbrar uma virada quando encontrou uma pessoa que o apóia, que o ama e que o ajudou a deixar uma vida tóxica para trás. Isso não pode ser criticado por ninguém que tenha um pingo de sensibilidade ou bom senso.

O que atrapalha é que na Realeza, sua família é também seu trabalho e a posição de cada um não é meritória. Quem nasce primeiro tem direitos, o resto é satélite. Sem surpresa, as relações rapidamente se transformam em abusivas. Harry TINHA que sair e é incrível que tenha conseguido. Nem sua mãe antes dele chegou tão longe. Mas onde pega? É que Harry não quer ficar, mas não quer abrir mão de títulos e direitos. É confuso mesmo.

Mais uma vez, como consistentemente tem feito (não se sabe se deliberadamente), ele escolhe com precisão cirúrgica onde afetar os dois que acusa de trazer mais problemas para sua saúde mental. Amanhã é o aniversário de Kate Middleton e quem vai estar nas primeiras páginas de todos os jornais é Harry, falando mal dela e William. É onde acho particularmente que está o calcanhar de Aquiles da estratégia do Príncipe estepe: façam o que falo, mas não digam o que faço. O que me faz repetir: não há vítimas nessa história.

Em tempos binários, tudo é mais complicado. Seria “certo” ou “errado”lavar a roupa suja em público? Vamos olhar para um lado: Harry alega que TODAS as matérias negativas sobre ele e a esposa são plantadas por seu irmão, pai e cunhada. Na sua visão, leitores e jornalistas também seriam manipulados. Isso é simplista demais. SIM, há matérias plantadas e SIM elas podem conduzir a uma visão negativa, mas, a essa altura, não é mais o caso. Quem não gosta do casal não gosta por conta de incongruências, meias verdades e hipocrisias.

A estratégia de Harry é expor seus parentes, mas enquanto ELE fala o que houve e o que pensa, a Família Real “se esconde” em artigos assinados por terceiros. Dessa forma, o príncipe comprova seu argumento e os humilha porque enquanto eles não falarem abertamente, Harry não vai parar.

Sim, o silêncio contribuiria para a continuação de um sistema psicologicamente agressivo, portanto, na lógica de Harry, é preciso falar, mas dessa vez ele quer ditar as regras. Soa hipócrita chamar William de “amado” ou falar em reconciliação com a Família Real (a família, não a Realeza) mas é preciso manter esse discurso para manter o status da vitimização. Como diz em entrevistas, a bola está com eles (mas as regras não). Ou seja, se não pedirem desculpas, não é culpa de Harry. Nunca é.

Para os Windsors, adeptos do “nunca reclame, nunca explique”, é um pesadelo sem fim e longe de acabar, como sabemos. O que Sobra (Spare) é o primeiro capítulo. A biografia de Meghan já estaria em andamento. O que mais há para se revelar?

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