Para (tentar) entender Príncipe Harry

Estou com problemas para acompanhar a novela da Família Real. De fora, todos nós que estamos sempre lendo e repercutindo os dramas – me incluo entre eles – estamos fazendo um papel muito feio. Pimenta nos Olhos dos Outros É Refresco, diz o ditado e indiretamente buscamos na dor alheia igual medida de representação como aversão. As brigas entre parentes, entre cunhadas, entre funcionários… temas comuns a todos em diferente medidas. O fator da beleza inegável de todos e do estilo de vida cinematográfico, sem mencionar o lado político, fazem da história uma novela. Mas é vida real.

Há anos tento entender o objetivo verdadeiro do Príncipe Harry, o mais comunicativo dos Windsors que se “rebelou” e jogou a família no lixo virtual, polarizando o tema a ponto de estar uma tragédia anunciada. Há vários especialistas, colunistas, autores ou fãs ganhando em cima dos fatos publicados em jornais e tabloides, mas eu tento ser seletiva nas fontes. No caso, autores “não-autorizados” mas claramente porta-vozes, como Omid Scobie, um dos autores de Finding Freedom, a primeira tentativa de Meghan Markle e Harry de “contar a verdade”. O que há de comum nesse livro, assim como nas entrevistas, podcasts e agora outro best-seller, é uma clara falta de responsabilidade por qualquer coisa que seja contrária a elogios, portanto uma vitimização típica dos millenials. Não há meio termos.


Sempre tento lembrar disso quando vejo tema Meghan-Harry e me proponho a falar dos dois. Esse gap intergeracional não é privilégio dos Sussexes, é quase uma apropriação deles. Os millenials, soam “donos da verdade”, falam na primeira pessoa e soam contraditórios quando pregam “compaixão”, algo que nunca demonstram em relação aos seus críticos seguindo uma cultura de cancelamento tão agressiva quanto o bullying que combatem. Daí tantos exemplos de “narcisismo”(que odeiam), “hipócritas” (que não aceitam) ou o simplista “mimimi”, que os alucinam. Claramente não sou millenial por isso minha primeira leitura de qualquer assunto que tenha essa vertente desperta em mim primeiro reação negativa, mas eu tento ter compaixão e entender, nem sempre sendo bem sucedida.

Ainda estou por ler Spare, mas tenho visto todo material de “divulgação” ao redor dele. Estou cansada, chocada e penalizada com a agressividade de Harry sobre seus parentes, em especial, seu irmão. Paradoxalmente não acho que nenhuma acusação seja mentirosa, William é há anos descrito como uma pessoa explosiva, dura, fechada. Mas Harry aparentemente o coloca como responsável por exercer seu papel de herdeiro quase que exclusivamente para inflingir dor no caçula. Acho isso simplesmente… errado. A cada golpe baixo (onde falar da calvice do irmão comprova alguma coisa senão crueldade?) eu tenho pena do William e raiva do Harry. Como o objetivo era o oposto, entendo que também há algo errado com a minha leitura, por isso revejo e me esforço para entender o que Harry quer dizer. Uma missão hercúlea, graças o ciclo vicioso no qual ele se meteu.

Uma coisa é clara: a morte de Diana impactou a vida de seus filhos de forma profunda. Eles não são os únicos órfãos na Terra (embora Harry frequentemente soe como se achasse ser), nem são os únicos cuja família tenha seguido a vida sem compartilhar a dor deles no mesmo grau (dizer que a Família Real convivia bem com Diana seria forçar a mão), mas são os dois que há 25 anos vivem sob a sombra de um ícone pop, algo que para o “estepe”(spare) é ainda pior. William é a cara de Diana, careca ou não. Harry, não é. Diana dizia que só confiava na opinião de William, a quem ela queria muito ver como Rei. Harry, não quer. Todos esses elementos ficam de fora em uma narrativa na primeira pessoa, mas estão inclusos na motivação de romper com o cenário de eterno coadjuvante.

Dito tudo isso, tenho que ser justa. Um dos maiores erros nesse drama é destacar trechos ou frases de entrevistas porque elas não apresentam o contexto. Por isso ficam em cima de fatos como “quem bateu em quem”, “quem fez o que” e não se aproximam de uma solução. E TODOS querem uma solução, se possível, feliz. De todas as entrevistas, apenas a que saiu em um meio “menor” é a mais honesta de todas. É o papo de Harry com Bryony Gordon. Recomendo lê-la de coração aberto. Nela ele parece mais sincero e carinhoso do que as 400 páginas de Spare, mesmo que ocasionalmente volte a ser agressivo com o irmão e mais uma vez soar em alguns momentos o que ele mais odeia: hipócrita (woke), arrogante, paranóico e desestruturado. Ao negar a opinião negativa sobre o como ele escolheu se expor, não sai do jogo que quer ganhar. Eu diria que o como – dentro do contexto que ele descreve – faz sentido, mas a frequência e os lucros que vem ganhando com isso, tiram sua credibilidade. Mesmo que seja SUA história e SUAS palavras, como ressalta em outra entrevista.

Deixarei o link em inglês mas vou traduzir 100% da entrevista para o português em breve. Nela, as famosas acusações de bullying são mencionadas (e pela primeira vez, admitidas?) e sim, veladamente Harry infere que Jason Knauf é o responsável por influenciar William e afastar ainda mais os irmãos… eu sou dessa teoria também. Aqui está o link.



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