A primeira a oficialmente se apaixonar por uma bolsa Launer foi a Rainha Mãe, ainda nos anos 1950s. Depois de comprar uma para si, ela presenteou sua filha, Rainha Elizabeth II, dando início a uma dobradinha de quase 70 anos. Isso mesmo, há dois elementos no guarda-roupa da rainha que raramente estão ausentes: seu colar de pérolas e sua fiel bolsa Launer.

O Daily Mail chegou a publicar que hoje a coleção teria mais de 200 exemplares (incluindo as que herdou de sua mãe), o que significaria quase 3 bolsas novas por ano, desde que ganhou a 1ª. Porém a Launer me corrigiu: a rainha não tem 200 bolsas, ela reutiliza as suas. O número oficial é desconhecido, mas bem inferior ao publicado. Só para se ter uma idéia, hoje, cada um, custa mais de 13 mil reais…
A paixão de Elizabeth II pela bolsa é tanta que o designer foi laureado com um mandado real de 1968, oficializando sua marca como a da realeza e dando ainda maior prestígio para a empresa. Receber tal honra é ligada à não apenas aprovação pessoal soberana, mas ao sinal de uma colaboração também, que dure no mínimo 5 anos. Bom, em 1968 a Launer já tinha ultrapassado o marco.
A fábrica foi fundada no Soho ainda nos anos 1940s, pelo imigrante tcheco Sam Launer, que fazia as bolsas pessoalmente. Sua premissa era usar o melhor couro possível em bolsas que durassem mais tempo possível, o que, em tempos de guerra, era desafiador. Por conta da qualidade, a marca foi ganhando clientes nobres e políticos, assim como começou a vender nas grandes lojas londrinas. Sam faleceu em 1955, mas seu filho, Freddie, liderou os negócios justamente quando começou a aumentar a demanda.
Marcas como Gucci começaram a encomendar modelos para eles e lojas como Harrods também passaram a vender Launers. Foi nessa época que a Rainha Mãe apresentou as filhas à marca, que passou a ser adotada pela Rainha e a princesa Margaret.

Q 
A crise econômica dos anos 1970s atingiu a Launer, que só foi recuperada nos anos 1980s, modernizando sua administração e reforçando o posicionamento de marca. A preferência (taurina) de Elizabeth II pela marca ajudou, afinal uma das mulheres mais fotografadas do planeta era sua principal garota propaganda. O desenho “tradicional” se manteve e as cores passaram a ser mais ousadas. Além da rainha e princesas, Margaret Thatcher tinha as suas, assim como a atriz Judi Dench.

Os primeiros modelos que a rainha usava eram os batizados, claro, como Royale. Porém, há algumas décadas, tem dado preferência para as Traviatas, que parecem a Royale, mas tem alças mais curtas.

É curioso que a bolsa se chame “traviata”. Em italiano, quer dizer a mulher “perdida”, usada para identificar cortesãs. O modelo parece muito com a Kelly, da Hermès, com alça removível e formato retangular. A “Kelly” ficou famosa quando virou preferência de Grace Kelly assim como a Jackie, da Gucci, foi uma homenagem à Jackie Kennedy. As duas são ainda mais valorizadas que a Traviata, mas menos expostas. A importância da bolsa para Elizabeth II vai além da beleza. É com a bolsa que a rainha sinaliza para sua equipe se precisa de ajuda para encerrar um assunto, se está pronta para sair e etc. Como viver sem ela?

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