MITA nunca mais

Rio de Janeiro é carente de shows. “Ninguém” vem mais ou quase não vem e só se ouve dos empresários que é caro demais organizar algum evento no Rio e que “carioca não paga”.  Talvez por isso tenha testemunhado uma noite tão triste como a da abertura do MITA 2023.

Lana Del Rey estava de volta à cidade depois de 10 anos, e mais ainda, 4 anos sem pisar em um palco. Seus fãs beiram a histeria na adoração e ela é diva, é fofa, é simpática e não desaponta. Mas quem não pagou 2.200 reais (se comprou antes de esgotar e não teve que ser via cambista) ou não é famoso para ganhar um ingresso gratuito, ficou de fora do curral “premium”, que é 100% da área na frente do palco. O ingresso de 1.100 reais na “pista”, fica atras de quatro torres, uma casa de som e espremido entre os quiosques de comida e bebida. Tudo para que o palco Corcovado tenha a vista linda do Cristo ao fundo.


Mesmo tendo “acabado” a pandemia, é um local perigoso em todos os sentidos pois a lotação fez com que ninguém pudesse se mexer. Não é exagero ficar tensa antecipando que qualquer “problema” todos estariam pisoteados. Os espirros e tosses me deram gatilho do perigo recente, mas não se pode viver em pânico. E também não se deveria poder ir a um show que a última coisa que consegue é ver ou OUVIR alguma coisa. Isso mesmo! O Jockey fica em uma área residencial, portanto o volume de todas as apresentações acaba sendo baixo, o que estaria até ok se pelo menos estivesse bem mixado. O ruído que deveria ser o som não é o ideal. Unindo tudo isso a bebidas vendidas por 40 reais e uma fatia de pizza a 50, o que resta para elogiar o evento? Já estava meio chocada de mal ter conseguido ouvir a voz de Jorge Benjor que foi cortado na música final. Não foi privilégio dele, fizeram o mesmo com a estrela da noite, Lana Del Rey não conseguiu acabar uma canção antes de ter que ir embora.

O que o mapa do evento (abaixo) não mostra é que, entre a área premium o campo de visão da área da pista é obstruído pelo menos em 80% por causa da estrutura. Propaganda enganosa.

Diante isso tudo, boa sorte São Paulo! O MITA do ano passado na cidade foi o oposto do que descrevi, um espaço organizado e um som ótimo. Mesmo no Rio, que foi inferior, porque o som já tinha sido baixo demais, pelo menos os “mortais” puderam chegar mais perto do palco do Gorillaz e curtir a noite. Pura ilusão.

Em 2024? Bom, como cidadã assalariada terei que considerar ficar no Youtube imaginando como seria bom estar no show. Sem condições de pagar mais de mil reais para ter direito a entrar em um curral e ser maltratada assim. Para isso, carioca não deveria pagar nunca.


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