A série Alasca: Em Busca da Notícia (Alaska Daily) entrou, saiu e foi cancelada sem muito alarde e é uma pena. O conteúdo não era inovador, nem acima da média, mas tampouco merecedor de tantas críticas como as que recebeu lá fora. Trabalhando em clichês jornalísticos e de uma equipe de um pequeno jornal no Alasca tentando sobreviver às. mudanças tecnológicas e de mercado, o veículo que trouxe Hillary Swank para as plataformas e TVs era ok e sua única temporada está disponível no Starplus.

Quem gosta de true crime já sabe que o Alasca, apesar de isolado ao norte, é o tempo o estado onde as taxas de criminalidade estão entre as mais altas dos EUA: são 837,8 incidentes por 100.000 habitantes (números de 2023), com assalto e agressão sexual liderando a lista. Especialistas apontam para o isolamento do estado, as condições climáticas mais extremas, ligadas ao abuso de álcool e drogas como impulsionadores desses números, adicionado ao fato de que tem uma população relativamente pequena em uma grande área, onde é mais complicado manter o policiamento. Sem surpresa a próxima temporada de True Detective, com Jodie Foster, será passado no estado. O bom filme Terra Selvagem (Wind River), com Jeremy Renner e Elizabeth Olsen aborda em parte o que a série Alasca, a violência e assassinatos ignorados das mulheres indígenas das comunidades nativas americanas e indígenas canadenses. Um tema urgente que acaba sendo colocado de lado.
Alasca: Em Busca da Notícia foi inspirado no cotidiano do jornal The Anchorage Daily News e na reportagem especial “Violência sexual sem lei no Alasca“, escrita por Kyle Hopkins, que é o produtor. Seguimos a famosa repórter investigativa Eileen Fitzgerald (Hillary Swank) que é cancelada por assédio moral e questionada sobre informações não confirmadas em uma matéria, perdendo o emprego e a credibilidade, aceitando o desafio de recomeçar em Anchorage, ajudando na investigação de mulheres indígenas desaparecidas.
Obviamente a série ressalta a importância da notícia local, coloca em evidência os problemas de racismo e sexismo que estão ligados ao alto índice criminal do estado, mas com pessoas boas desafiando à cínica Eileen rever seus valores e objetivos. Nessa ‘transformação’, transbordam clichês que funcionam em muitas séries que sobreviveram, dá pena que justamente essa seja crucificada como ruim. Não é brilhante, mas não é tão lixo como pregam.


Já cancelada, a única temporada serve para rever Hillary Swank em um cenário onde já tinha estrelado um filme, Insônia, ao lado de Al Pacino e Robin Williams. A atriz estava grávida durante as gravações (escondendo a barriga como pôde) e encerrou a trama com a solução de pelo menos um dos crimes. Como curiosidade para os fãs da Disney, se acharem que o rosto e a voz de Sylvie Nanmak (Irene Bedard) parece familiar é porque ela deu voz – e rosto – à Pocahontas. Irene, na vida pessoal, foi duas três vezes em 2020, por violência doméstica e autuada por conduta desordeira quando parecia intoxicada. Sua participação na série, no entanto, é importante.
Vamos agora esperar que True Detective dê ao Alasca mais crédito do que a série sobre seu jornal local conseguiu!
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