Platonic e a regra principal das comédias românticas

Nora Ephron é a papisa das comédias românticas, tendo criado alguns dos maiores clássicos recentes. Tanto que é citada por Ted Lasso com frequência e o argumento para série foi sugerido por Jason Sudeikis com a pergunta de ‘como Norah Ephron faria uma comédia romântica no futebol?‘. Uma das ‘regras’ mais conhecidas da diretora vem de um roteiro seu, o do filme Harry e Sally (When Harry Met Sally) no qual os protagonistas têm uma longa amizade de mais de 30 anos até perceberem que são almas gêmeas. Mais especificamente, Harry explica à Sally que a amizade entre um homem e uma mulher é impossível porque sempre haverá a equação de sexo entre eles, tirando qualquer sentimento genuíno de simples amor platônico. E Platonic, a série da Apple TV Plus com Seth Rogen e Rose Byrne tenta desbancar mais uma vez o argumento de Harry Burns (Billy Crystal). Será que sustenta?

O argumento da série é um tanto simples: Will (Seth Rogen) e Sylvia (Rose Byrne) eram melhores amigos na faculdade, mas romperam quando Sylvia se opôs à namorada dele e se reconectam anos depois, quando ambos passam pela crise da meia-idade. A amizade e ligação dos dois desestabiliza suas vidas inesperadamente. Os críticos detestaram.

Platonic não é profunda e pelo menos até mais da metade da temporada não colocou (ainda) os dois secretamente apaixonados. Ainda assim, é meio bizarro que a dedicada (e frustrada) ex-advogada, agora dona de casa e mãe de três filhos como é Sylvia tenha sido tão íntima e companheira de uma pessoa tão diferente dela como é Will. Ao lado dele ela é outra pessoa completamente e obviamente causa ciúme em Charlie (Luke Macfarlane), o marido perfeito. Agora que Will, divorciado, arruma nova namorada, é Sylvia que mais uma vez vai se opor, provavelmente colocando à prova se eles são, ou sempre foram “apenas amigos”.

Criticar a proposta da série coloca à prova quem curte comédia romântica ou não porque não há dúvida da química entre Seth e Rose, que estrelaram os filmes Vizinhos (Neighbors) e Vizinhos 2 (Neighbours 2: Sorority Rising). O showruner de Platonic é – que surpresa – o roteirista e diretor dos dois filmes, Nicholas Stoller. O ‘problema’ é que como muitos apontam, mais do que contradizer Harry e Sally, a série é uma reedição de Friends from College, que foi cancelada pela Netflix, repetindo uma fórmula de colocar adultos vividos agindo e pensando como adolescentes inconsequentes. Sylvia vive um drama que fazia mais sentido há 30 anos, o da mulher que abre mão da carreira pela família e depois ‘se arrepende’ ao considerar voltar a trabalhar. E Will é mais uma vez Seth interpretando um homem que quer ter tempo livre para curtir a vida sem se comprometer com algo maior.

Se você não curte as duas coisas, não vai gostar de Platonic. As ‘travessuras’ inconsequentes dos dois tomam 90% da trama, não podem ser levadas à sério. Talvez o principal problema que o coloca na rota de Friends from College seja o fato de que o argumento central da história talvez segurasse um filme de uma hora e meia, mas se arrasta um pouco quando tem 5 horas (são dez episódios de trinta minutos). Como estamos chegando ao fim da primeira temporada, o que deve acontecer é que a série vai colocar à prova os verdadeiros sentimentos de Sylvia sobre Will, algo que Charlie antecipou com razão. A dúvida será: Sylvia vai transferir suas frustrações para algo que a conecta com a juventude ou vai tomar as rédeas de sua vida adulta? E vamos nos importar? Como fã de comédias românticas, vou acompanhar!


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