Como os críticos gostam de lembrar, o protagonismo de Ethan Hunt (Tom Cruise) em Missão: Impossível nasceu em parte da ideia original de que seria apenas um único filme e que com ele sozinho, ficaria ainda mais claro que não era um reboot da série de sucesso da TV. Hoje considerada uma das franquias mais lucrativas no cinema, muita coisa mudou. Inclusive culturalmente! As mulheres do elenco também ganharam destaque e merecem, como já foi levantado em redes sociais, um spin off. Eu adoraria acompanhar Ilsa Faust (Rebecca Ferguson) em suas aventuras, por exemplo. A impossibilidade dessa missão só depende de um produtor aceitar o desafio… alô Sr. Cruise!
Mas voltando ao tema, nem sempre as mulheres se deram muito bem, sendo que o primeiro filme não tinha lá mulheres confiáveis, algo que mudou em seguida com a entrada de Thandiwe Newton no segundo. Vamos rever as mulheres do universo de Ethan Hunt (Tom Cruise)?

Missão: Impossível (1996)
A mocinha e vilã em uma personagem dúbia, Claire Phelps (Emmanuelle Béart), casada com o chefe (jamais aconteceria hoje), um homem bem mais velho e seduz Ethan imediatamente após a suposta morte do marido. No jogo duplo onde se sugere que ela possa ter realmente se apaixonado pelo herói, ela (merecidamente) morre no fogo cruzado.
Mal conhecemos as duas outras mulheres da equipe, Sarah Davies (Kristin Scott-Thomas) e Hannah (Ingeborga Dapkunaite), detonadas (literalmente) por Claire e Jim. Mas esbarramos com Max (Vanessa Redgrave), que é uma negociadora de armas e segredos de Estado (uma vilã) simpática, que acaba presa embora simpatize com Ethan. Sem surpresa sorrimos anos depois quando sua filha, Alanna Mitsopolis (Vanessa Kirby), a Viúva Branca, cruza na vida do nosso agente favorito mais à frente.
Missão: Impossível II (2000)
Veículo de uma mulher só, a incrível Thandiwe Newton interpretando a ladra e rapidamente namorada de Ethan Hunt, Nyah Nordoff-Hall. Ethan achou que a missão seria um roubo e por isso seguiu a escola de Jim Phelps misturando trabalho com prazer, apenas para descobrir que seu papel era meio de cafetão, forçando Nyah a voltar se relacionar com o ex tóxico e abusivo, o vilão Sean Ambrose (Dougray Scott). Para piorar, ela é infetada com o vírus mortal e salva no último minuto. Sem surpresa Nyah some da vida de Ethan depois disso tudo.
Missão: Impossível III (2006) –
De poucas à muitas mulheres. Reencontramos Ethan à paisana, contemplando a aposentadoria e o futuro casamento com a médica Julia Meade (Michelle Monaghan), mas é chamado de volta à ação quando sua pupila, a agente Lindsey Farris (Keri Russell) desaparece com o ‘pé de coelho’ que o ultra cruel traficante de armas, Owen Davian (Philip Seymour Hoffman) está atrás. Vingativo, ele sequestra Julia e Ethan monta o time para salvá-la. Infelizmente Lindsey só aparece rapidamente, sendo morta por Owen, mas temos Maggie Q. como Zhen Lei, que mal fala mas ajuda Ethan em momentos importantes. Julia perdoa Ethan e aprende a se defender, o final do herói é feliz com sua amada, ou assim parece.
Para ser justa, há duas agentes (irrelevantes) na trama: Rachel (Bellamy Young) e Beth (Carla Gallo), que entram mudas e saem caladas.


Missão: Impossível – Protocolo Fantasma (2011)
Equidade ainda não é bem estabelecida no FMI, mas temos a agente Jane Carter (Paula Patton) com maior autonomia e destaque nas ações. Reencontramos Ethan – viúvo – infiltrado em uma prisão russa. Ele é recrutado para impedir que Sabine Moreau (Léa Seydoux) venda códigos nucleares russos, mas a missão é mais pessoal para Jane, depois que Sabine mata seu colega e namorado no início do filme. Há um drama paralelo da culpa que o agente Brandt (Jeremy Renner) sente pela ‘morte’ de Julia, mas SPOILER, ela está viva. Ethan se divorciou dela e se afastou para que ela tenha chance de sobreviver. É um sacrifício de novo tortuoso, mas Julia é mesmo esquisita. Se casou com um cara que mentia para ela, que quase custou sua vida, precisou abrir mão de sua identidade e viver escondida apenas para terminar sem ele e com um novo nome para poder sobreviver, e, ainda assim, gostar dele. Freud explica.
Na contagem de mulheres incríveis que, diferentemente de Julia, descartam Ethan estão Nyah, Zhen Lei e Jane Carter, que simplesmente ‘somem’ da franquia.
Missão: Impossível – Rogue Nation (2015)
Precisou quase uma década e duas ótimas agentes para que uma finalmente se igualasse e conquistasse Ethan Hunt, bem-vinda Ilsa Faust (Rebecca Ferguson). Inicialmente dúbia, parece uma agente dupla agindo como agente dupla para no final das contas ser mesmo “do bem”, ela é incrível e perfeita. Salva o herói, é inteligente e hábil como seus pares. Convida a Ethan a fugir com ela, não é ele quem manda na relação, mas como precisávamos de mais filmes, os dois se despedem amigos. Ou mais que amigos… fica incerto.

Missão: Impossível – Fallout (2018)
A mulherada dá as caras, mas ainda não tem o mesmo protagonismo que Ilsa. A chefe de Ethan é Erika Sloane (Angela Bassett), que não curte ele tanto quanto os antecessores, e a antagonista simpática (sempre tem um em cada filme) é Alanna Mitsopolis (Vanessa Kirby), a Viúva Branca que é filha de Max (tinha oito anos quando Ethan mandou sua mãe para prisão). Alanna tira umas casquinhas de Ethan, mesmo com uma diferença de idade significativa, mas é Ilsa que volta para salvá-lo. Reencontramos a santa Julia Meade (Michelle Monaghan), que agora trabalha com os Médicos Sem Fronteira e está casada novamente. O carinho por Ethan é o mesmo e não apenas o ajuda como pode, como dá sua benção para que ele e Ilsa finalmente fiquem oficialmente juntos.
Missão: Impossível – Dead Reckoning (2023)
Ainda não vimos a próxima etapa da história de Ethan Hunt, mas, pelo resumo da história e o fato de que será contada em duas partes, receio pelas vidas de algumas pessoas queridas dele. Certamente, para poder voltar no próximo ano, Ethan terá algum fracasso em sua ação. E teremos a volta de Alanna e Ilsa, além de ter novos rostos femininos no elenco. Indira Varma, cujo papel ainda não sabemos qual é e Grace (Hayley Atwell), que terá uma participação maior (algemada à Ethan, vai estar em várias sequências de ação). Será que teremos um triângulo amoroso?
(Editado/SPOILER) R.I.P. Ilsa Hunt. Desculpem estragar para quem ainda não viu, mas como o trailer aludia nada discretamente, Ethan ia sentir uma perda e eu temia por ela. Em 27 anos de franquia, não há a remota chance de superar a impossibilidade de Ethan ter um relacionamento amoroso duradouro. Isa seria o mais próximo dessa oportunidade. Que oportunidade perdida!
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