The Idol: trilha sonora de abuso

Obrigada Destiny (Da’Vine Joy Randolph) porque em sua missão de espiã para “pegar” Tedros (The Weeknd) no seu plano estranho de tomar conta de Jocelyn (Lily-Rose Depp) resumiu a série The Idol em um telefonema: “Tem alguma merda excêntrica acontecendo nesta casa”, ela reporta a Chaim (Hank Azaria) e aparentemente assumindo o papel de narradora pra os telespectadores desta série. “Essa merda é estranha, uma merda assustadora.” Não diga!

Mas sejamos justos com ela, Destiny conseguiu em poucos telefonemas saber mais do que a gente sobre “Tedros”: seu nome verdadeiro é Mauricio Costello Jackson e ele passou seis anos preso por abusar e explorar sexualmente mulheres, além de estar sendo processado por sequestrar e torturar uma ex-namorada depois de mantê-la como refém por três dias. E ela nem entrou no que quer que ele possa estar fazendo como proprietário de um clube em Los Angeles. Ainda assim, ela dá crédito a ele por descobrir um grupo “muito talentoso” de seguidores. Destiny também sugere a maneira mais eficaz de acabar com o problema (deles e nosso), que é “matar” Tedros. Por hora Chaim recusa, mas os executivos da HBO a ouviram e a série vai acabar semana que vem, pelo menos uns três episódios mais cedo do que originalmente anunciado.

Enquanto esperamos, mais estragos são feitos. Abrir com o cover de Jealous Guy é uma dica para Tedros que está se achando em controle de tudo e todos, não sendo exatamente o caso, como sabemos (ele ainda não pescou o que Destiny está fazendo e pode ser que até Jocelyn não seja tão vulnerável como se vende). Mas demoramos a perceber porque quando voltamos ao quartel ‘TedJoss’ o encontramos mandando em todos, incluindo Leia (Rachel Sennott), a quem ele manipula lembrando que embora esteja posando de amiga, ela também se aproveita de Jocelyn. E assim entramos no processo de gravação, com a presença de Mike Dean e Tedros regendo a orquestra. Ele é claramente um dos obcecados com a lenda de que Donna Summer gravou Love to Love You Baby se tocando sozinha em um estúdio. Ele cita a canção no primeiro episódio e segue sempre levando Jocelyn para orgasmos toda vez que tem que cantar, é confuso. Fica ainda pior para Mike Dean que não interpreta ninguém além dele mesmo ver uma artista ser abusada sexualmente na frente de todos e só rir.

Mas além de nós, apenas Leia reage. Destiny se faz de cúmplice disfarçada porque não se manifesta. E a explicação que Leia (e nós) recebe é a de que “estrelas pertencem ao mundo”, portanto as regras não se aplicam e nada pode impedir a criatividade. Mas isso nem mais é a parte mais estranha.

Os ‘perdidos’ adotados por Tedros são todos músicos esperando uma oportunidade e nas horas vagas, com casa, comida e drogas à vontade, “servem” à Tedros numa espécie de culto Família Manson. Depois que Xander (Troye Sivan) fofocou sobre Jocelyn (revelando o abuso de sua mãe), ele ficou no alvo do estranho líder. Tedros fica à espreita e ouve Xander cantar, o que o leva a confrontá-lo sobe mentir sobre isso. Ele mentira? Pra quem? Por que? Desde quando? Por que era importante dizer que tinha “rasgado as cordas vocais”? Fácil descobrir, uma tortura pública com a coleira eletrônica. Xander revela que foi a mãe abusiva de Jocelyn que o fez assinar um contrato para não cantar profissionalmente, ao que parece, a pedido da própria Jocelyn que – olha a revelação – “controla tudo ao seu redor e todos”, inclusive Tedros. Segundo Xander, ela é “mais nojenta, fodida e depravada” que sua algoz. Como é Jocelyn quem ordena que Tedros continue a tortura, e ele obedece, podemos considerar a sinceridade de Xander. Graças a Deus ele nos priva de seguir com a cena, se retratando e dizendo que mentiu e que Joss é uma fofa. Tarde de mais, diria.

Além de testemunhar tudo isso e ouvir de uma tola Jocelyn fazer para Destiny a narrativa criminal de Tedros como se ele fosse uma vítima, sabemos que a empresária tem todos nas mãos porque há menores de idade participando da bagunça, a ex-viciada Chloe (Suzanna Son). E ela guarda essa carta quieta por hora. Mas antes disso, sabendo que Jocelyn está para embarcar em uma grande turnê mundial e os ingressos não têm sido disputados, Tedros convence a namorada que compartilhar publicamente com os fãs sobre seu abuso vai ajudar. A estratégia dele é aula 1 do marketing digital de hoje, obviamente dá certo.

Enquanto isso, Nikki (Jane Adams) é tão fodona no mundo do entretenimento que em uma reunião de mais de 30 executivos da gravadora, senta na mesa e não na cadeira. Ela assina com Dyanne (Jennie Kim) para tomar o lugar de Jocelyn. Para alguns, conseguir o estrelato não é nada desafiador.

De volta à casa de Jocelyn, a festa rola solta e quando Dyanne aparece do nada, Chloe acidentalmente comenta que Tedros e a nova estrela eram namorados e que foi ele que pediu que Jocelyn fosse trazida a ele no clube. Finalmente a cantora vê uma luz vermelha, que fica mais forte quando imediatamente após Dyanne comenta que foi contratada e que a canção World Class Sinners será seu primeiro single. Uma Jocelyn abalada finge aprovar, mas imediatamente chama seu ex-namorado Rob (Karl Glusman) para uma passada rápida em sua casa. Em frações de segundos ele se materializa no local, deixando um Tedros inseguro (o Jealous Guy da abertura). Rob não se intimida com nada, nem o desafio para beber, lutar ou os xingamentos sobre testes de sofá para conseguir papéis. Jocelyn também ignora Tedros e quando está sozinha com Rob garante a ele que está muito bem e obrigada, nada vulnerável e os dois obviamente reatam o romance. Do lado de fora do quarto, Tedros ouve tudo, chorando embaixo da foto de Prince (será que teremos um cover de When Doves Cry à caminho?)

Embora Jocelyn tenha sinalizado estar em controle, vemos que Xander está agora servindo à Tedros porque descaradamente arma uma foto comprometedora para Rob e nos despedimos sem saber como isso será usado. O episódio final promete ser intenso!


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