Me sinto satisfeita de – como fã antiga e fiel da franquia – estar antenada com And Just Like That. A nova etapa de Sex and The City soa diferente, soa triste, soa perdida, mas não estamos todas? Se havia algo que colocava a série nos eixos era a narração de Carrie nos guiando pelos dramas, costurando o tema de cada episódio para encerrar com um “and just like that” conclusivo. Na nova fase elas nos deixa sozinhos para entender os temas e costurarmos sozinhas o que pescamos ou não do que estão nos mostrando. Seríamos o Brady chorando que queremos ser tratados como bebês mesmo adultos?

Na primeira temporada o tema era luto, e não por episódio, mas todos. Carrie perde Big, que sempre guiou sua existência e precisa se mostrar forte, seguir com a vida e negar para todos que sem ele, ficou sem norte. Uma mulher independente não tem sua existência definida por um homem, apenas que no caso dessa história, era um pouco isso sim (tanto que há críticos antigos sobre o final ‘feliz’ de Carrie com Big em Sex and The City e outros, como eu, que estranharam a mudança de personalidade dele nos filmes). E sei que em tempos binários não se capta ou aceita paradoxos, mas a beleza de Sex and The City estava nessa questão também. Tudo isso para chegarmos ao terceiro episódio da segunda temporada de volta ao começo. Literalmente.

Entitulado “Faux-vid’, numa alusão à mentira temporária que Carrie usa de estar com Covid (faux, de falso), também poderia aludir à vida falsa, de fachada, que ela leva como se tivesse superado o luto. E o arco de Carrie tem sido o de expor a pressão que as pessoas exercem sobre não dar espaço para outros sofrerem. Nem ela quer, pois odeia se vitimizar, mas a dor da perda ainda é presente. Algo que tem que confrontar ao ter que gravar o audio de seu novo livro – sobre a morte de Big – e reviver todos os momentos, inclusive o da cena do chuveiro, na qual endereça sua paralização e sensação de que o mundo parou. A cena é linda, é bem editada, com áudio preciso da água caindo e é emocionante. Carrie ainda precisa reencontrar sua voz, tentam corrigir sua pronuncia e até tentam roubar seu colar que a identifica, mas ainda bem que não conseguem. Em seu tempo, em seu ritmo, ela está voltando.
A série agora está mesclando o elenco, trazendo uma conexão entre as personagens novas e até dando mais espaço para Anthony e está ficando melhor. Os dramas de Lisa e Charlotte são surreais e infantis, como eles mesmo ressaltam com humor. Miranda e Che enfrentam problemas de ajustar suas personalidades também. Miranda amando sua nova persona, querendo marcar que o passado ficou mesmo pra trás, porém ainda destoando do que Che precisa e busca por hora. A comediante está com um projeto incrível de ter sua própria série, mas, estranhamente está sendo escrita por outra pessoa e está destoando e sofrendo com o resultado. Ela não tem espaço para ser solidária e Miranda ainda tem Brady, seus próprios problemas. A crise entre elas é óbvia, mas dificilmente causará uma separação.
Eu sinto falta da narração de Carrie, que entra em alguns momentos nos primeiros episódios e é abandonada por inteiro agora. Sua voz é a alma da franquia, espero que a recupere e que nos guie, possivelmente, ainda para uma terceira fase? A ver. Semana que vem Aidan volta à cena. Nada melhor do que uma volta ao passado para recuperar a fórmula.
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