Tudo em The Idol (menos a música) é lixo

Por muito menos do que é dito em The Idol vários artistas e personalidades foram cancelados. Mas Sam Levinson e The Weeknd foram tão infantis na agressividade do desfile de absurdos que colocaram na série que ela ficou simplesmente um lixo. Eles a vêem como ousada e desafiadora, mas é grosseira e simplista. A vergonha alheia para atores que antes disso tinham alguma credibilidade é imensa. Ainda bem que acabou.

Não foi por falta de aviso de Lily Rose-Depp que no final das contas, Jocelyn era a “grande vilã” e que estaria manipulando a todos para… não sei o objetivo dela. Ela já tinha um álbum pronto e uma turnê assegurada, mas queria mudar o som e a gravadora não permitia. Ela foi para a rua, conheceu um criminoso, abriu a casa para um grupo de perdidos – mas talentosos – e terminou a temporada lotando um estádio, destruindo a vida do ex-namorado que a tinha traído, dando uma lição no atual e se livrando da única pessoa que tentava filtrar alguma coisa, sua amiga e assistente Leia (Rachel Senott).

Não fosse o reconhecido – agora questionável – talento dos criadores da série, o ruído teria sido inaudível. Mas que eles queiram tentar surfar como arautos da cultura masculina tóxica é uma coisa, outra é uma plataforma como a HBO dar espaço para isso. E dinheiro, porque ninguém ali trabalhou de graça (e deveriam, porque é simplesmente vergonhoso de ponta a ponta).

Se tentarmos ignorar o pior, fica ainda uma série de dúvidas de o que quiseram contar. O trio do mal (Hank Azaria, Eric Roth e Jane Adams) ficou gritando ofendido porque Jocelyn reatou o relacionamento com Tedros publicamente… por que? Nada mudou para eles enquanto ele esteve no circuito. Uma vez que Destiny (Da’Vine Joy Randolph) estava sabendo e apoiando, quer dizer que ela rompeu com Chaim?

Nada disso importa muito. Jocelyn, como Xander (Troye Sivan) avisou, é quem sempre mandou em tudo. Quando começamos The Idol, ela estava se recuperando de ter perdido a mãe e ter sido publicamente traída pelo namorado, Rob (Karl Glusman) e estava sendo protegida, paparicada por estar sofrendo. Dyanne (Jennie Kim) aceita a sugestão do namorado, Tedros, de levar Joss para sua boate, mas quando a cantora chega lá (sem saber que tudo era armação), inicia um relacionamento abusivo e “perigoso” com ele, deixando Dyanne enciumada e triste. Sem ter feito nada além de ser profissional, Dyanne acaba sendo identificada como uma substituta de Jocelyn, algo que a estrela não esperava acontecer. Quando descobre, sua estratégia muda: finge aprovar Dyanne, chama Rob para humilhar Tedros e rompe com o bandido. No entanto Tedros, com a ajuda de Xander (um ser enigmático nisso tudo, para definir da maneira mais simples), planta uma calúnia acusando Rob de estupro, acabando com a carreira dele por conta de uma foto e um post em menos de 24h. Seria um recado para como o pai de Lily foi tratado pela Disney? Nossa, ninguém associou, né?

Voltando à The Idol, Leia já estava há algum tempo se sentindo presa e assustada em um ambiente doentio como o que cerca Jocelyn. Ela tinha interesses comerciais como os outros, mas aparentemente um limite ético que ninguém mais tem. Quando percebe que Jocelyn, mesmo inocente da chantagem do ex, não faz nada para ajudá-lo, desiste de tudo. E ninguém sentiu sua falta, menos ainda a cruel Jocelyn.

O arco de Tedros foi ainda mais curto. Um criminoso com passagem de seis anos pela prisão se recusa a aceitar meio milhão de dólares para sair da vida de Jocelyn, aceita ser publicamente humilhado, ter seu projeto usurpado pela namorada, pela gravadora dela e pela empresária dela (sim, até Destiny roubou dele o grupo de desajustados talentosos que ele reuniu). Ou seja, foi a grande ‘vítima’ de um universo ainda mais podre que o dele. E como qualquer fã, aceita voltar e se submeter à estrela, com uma cena imitando Succession (ela estende a mão para ele, que aceita relutante), apenas para ressaltar o quanto a HBO pode errar imediatamente após de nos presentear com algo tão superior e profundo.

A trilha sonora, como dito antes, é a única coisa que fica de The Idol. Adeus Jocelyn, que as escovadas sigam sendo sua inspiração.


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário