A greve que une atores e roteiristas em Hollywood é histórica. O Sindicato dos Atores, liderado pela comediante e ativista Fran Drescher, a eterna The Nanny, é extremamente importante não apenas para Hollywood. A única vez em que as categorias se uniram assim foi há 60 anos, quando estavam lidando com a chegada na TV no mundo do entretenimento.
Fran está à frente do sindicato SAG-AFTRA desde 2021e provou ser uma mulher de pulso, como sua personagem mais famosa. Ouça o que ela tem a dizer sobre o que é a discussão da Greve, iniciada no dia 14 de julho de 2023. Audio tirado da entrevista concedida à MSNBC.
“É muito sério, e pesou muito sobre nós, mas em algum momento você tem que ‘não, não vamos mais aceitar isso’. O que estamos fazendo? Movendo móveis no Titanic? É insano! Somos trabalhadores e estamos de pé”, ela avisou no momento em que anunciaram a greve.

“Estávamos lidando com muitos problemas periféricos que pareciam estar indo bem e ingenuamente imaginei que continuaria assim. Mas, à medida que nos aproximamos das questões centrais, parecia que estávamos sendo obstruídos ou estávamos cada vez mais distantes de entrar em qualquer tipo de acordo”, ela disse à MSNBC. “Isso veio como uma verdadeira decepção para mim. Não esperava por isso e realmente me sinto profundamente triste por termos chegado a esse ponto. Fizemos tudo o que podíamos para evitar uma greve, inclusive estender por 12 dias a conversa, o que foi um período de tempo sem precedentes. Pensávamos que seríamos capazes de abrir caminhos mais profundos e foi por isso que sentimos que, se pudéssemos estender um pouco mais, talvez pudéssemos evitar [ a greve]. Mas, na verdade, eles [os estúdios] não vinham à mesa com tanta frequência, cancelaram muitas reuniões e eu pensei que talvez eles estivessem brigando à portas fechadas e que realmente voltariam com algo que fosse significativo. Mas tive uma surpresa, fomos enganados talvez para permitir mais promoção de filmes de verão antes que atacássemos”, disse.
“A inteligência artificial é uma ameaça para os trabalhadores em todo o mundo. O que estamos fazendo aqui, os olhos do mundo estão observando. Acontece que conseguimos atrair muito interesse por causa do componente de celebridade de nossa força de trabalho, mas isso não significa que o que está acontecendo conosco seja único”, ela seguiu. “Porque a inteligência artificial e a busca da ganância pelas grandes empresas estão sistematicamente eliminando o trabalho de seus meios de subsistência. E vemos isso acontecendo desde a introdução do streaming. A IA e o digital se impuseram à nossa indústria e basicamente todo o modelo de negócios mudou, mas eles [ estúdios e plataformas] ainda estão pensando que ficaremos satisfeitos com mudanças incrementais de um contrato que foi firmado em 1960 e que não se aplica mais. É um jogo completamente diferente”, explicou.

“Isso se tornou um problema crescente. Não nos contentamos com uma proposta mínima que acaba essencialmente pagando a essas pessoas menos do que ganhamos em 2020 em dinheiro real somo se fosse com isso que devemos estar satisfeitos até 2026. É uma loucura. E essas não são as únicas coisas”, ela explica, “Por exemplo, os contratos eram baseados em programas como The Nanny, que tiveram grande longevidade e uma longa cauda de receita. Esse era o nome do jogo e todos acima da linha, subindo e descendo a escada, prosperaram com isso, mas agora, com streaming, não é mais assim. Estamos no vácuo. Estamos em uma caixa, emparedados sem nenhuma receita para seguir. Nem é baseado no que costumava ser, que eram os dólares de anúncios. Agora é baseado em assinaturas. Então você nem consegue a quantidade de episódios que costumávamos ter, que eram 28 episódios mas hoje você tem sorte se você conseguir 10. Como se ganha a vida com isso?’, questiona.
E sobe a posição dos Estúdios de se manterem intransigentes às demandas dos roteiristas, alegando que só conversariam quando estivessem passando fome. Fran é ainda mais incisiva.
“Deixe-me apenas dizer que para alguém dizer isso mostra a arrogância”, ela começa. “é total desrespeito e desrespeito por uma comunidade que contribui tanto para a indústria na qual eles prosperam. O que é simplesmente inescrupuloso. O total desrespeito com as pessoas que tanto contribuem e nós [atores] estamos percebendo isso também. Eu pensei que eles viriam para a mesa e realmente queriam fazer um acordo, mas não foi o caso. Ser bloqueado e enfrentar uma espécie de resistência que é quase irracional. Quero dizer, não se trata apenas de dinheiro. Há coisas como querer que nossos artistas trabalhem um dia e sejam escaneados por uma AI e então passem a ter a semelhança digital da pessoa e podem usá-la repetidamente. Isso significa que a pessoa que trabalho duro estará desempregada”, argumenta.
“As questões que estão sendo levantadas são novas, mas ainda assim, de certa forma, a luta é a mesma de sempre”, diz Fran Drescher. E pra quem assistiu The Nanny, quem a encariaria de frente?
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