A visão de Ruth Handler deu vida à Barbie

Estamos vivendo uma febre Barbie que mesmo pra quem teve mais de uma boneca, está quase opressivo. Mas o filme, que nasceu de um projeto da própria Mattel (que faz as bonecas), levou mais de 10 anos para sair do papel e já bateu recordes: é a melhor abertura de um filme dos últimos dois anos e a segunda bilheteria da história, no Brasil. Barbie tem mais força que um herói da Marvel.

O filme de Greta Gerwig traz questões existencialistas para um universo até então sempre conectado com superficialidade e consumo. A idéia é meio que trabalhar com uma subversão constante, ou seja, um filme feminista e também crítico aos padrões de beleza aos quais a boneca ficou associada. Em Barbie, a Barbie Estereotipada (Margot Robbie) tem uma longa e complexa jornada de autoconhecimento e cruza com sua inventora, Ruth Handler, interpretada por Rhea Perlman. O que não entra na trama foi justamente como ‘nasceu’ a idéia para a boneca.

Ruth, que sempre foi empreendedora e criativa, trabalhava com o marido criando móveis e usando plástico como matéria prima. Durante a Segunda Guerra Mundial, as vendas dos móveis caírame. para ganhar um extra, por sugestão. deRuth, passaram a criar móveis de brinquedo também. O sucesso foi tanto que a fabricação de brinquedos também passasse a fazer parte do trabalho. E foi assim que abriram caminho para a criação de um fenômeno.

Dizem que há duas versões para a idéia. Uma diz que em uma viagem com a família pela Europa, Ruth viu uma boneca que lembrava uma mulher adulta, algo nada usual até então e percebeu uma oportunidade de negócio. A outra diz que ela observou sua filha – Barbra – brincando com bonecas de papel, que pareciam adolescentes ou adultas e vinham com várias roupas e acessórios. Para agradá-la, pensou em criar algo mais realista e em 3D. Ela sabia que havia algo aspiracional em toda brincadeira, portanto a boneca (que ganhou o nome de sua filha), deveria refletir “o que as meninas queriam ser”.

A primeira Barbie chegou ao mercado em 1959, virando sucesso instantâneo e imediatamente virando o produto mais vendido da Mattel. Afinal, era a primeira boneca de aparência adulta comercializada em massa para meninas e ao longo dos anos, além de várias roupas, casas e modelos, Barbie ganhou um parceiro – Ken – e outros personagens. Em pouco tempo passou a ser uma corporação, com filmes, programas de TV, videogames, colaborações de celebridades, entre outros. As críticas também foram rápidas, com Barbie virando o símbolo da mulher objeto, de pouca inteligência, corpo irreal (busto grande, pernas finas) como problemático. Sem mencionar que por muitos anos era apenas loira de olhos azuis até que no final dos anos 1960s veio Christie, a primeira Barbie preta. Por essas razões, a criação de era um dos símbolos mais atacados pelo movimento feminista até que surgissem Barbies com profissões como Astronauta, advogada, etc.

Ruth ficou à frente da Mattel por 30 anos, até que ela e seu marido, então co-presidentes, renunciaram em 1975 em meio a um escândalo financeiro de fraude relatórios falsos para influenciar os preços das ações. Em seguida, Ruth, sobrevivendo a um câncer de mama, ela partiu para outra fase de sua carreira criando uma empresa que fabricava seios protéticos para sobreviventes de câncer, feitos de espuma e silicone. Ela faleceu em 2002, aos 85 anos, de um câncer no cólon.

Barbie hoje já tem sua lenda incorporada no imaginário e na cultura de várias gerações, muito antes do filme que é o primeiro de ação ao vivo com a personagem. Há Barbies que valem tanto como obras de arte com valores acima de 25 mil dólares, incluindo as comemorativas ou de edição limitada. Das versões mais caras estão a Barbie Marie Antoinette, estimada entre 1.500 a 3.500 dólares, com imagem baseada no retrato de Élisabeth Vigée-Lebrun, de 1783, onde a Rainha está de azul e com infame colar de diamantes que gerou um dos maiores escândalos antes da Revolução Francesa, a Barbie Original, de 1959, que tinha sete versões e eram vendidas na época por 3 dólares, hoje valem mais de 6 mil.

Twiggy foi a primeira celebridade a ter uma Barbie com sua cara, em 1967 (um ano antes do lançamento de Christie). A linha de E o Vento Levou também é estonteante, assim como a edição especial de Elizabeth Taylor.

Para quem vai curtir o filme, fique atento para a cena onde Barbie encontra Barbra Handler, não é a verdadeira, tá? É a designer Ann Roth, fazendo uma ponta.


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