Bad Omens: ainda melhor do que antes

Estão todos chocados como a dinâmica entre David Tennant e Michael Sheen seja tão perfeita em sintonia e só existir desde 2019. Pois talvez a resposta seja porque assim como Aziraphale e Crowley, os anjos que interpretam na deliciosa Bad Omens, cuja curta e segunda temporada supera a primeira justamente pela química inegável entre os dois.

Aziraphale (Michael Sheen) e Crowley (David Tennant) são anjos apaixonados por humanos, mas Crowley, o eterno anarquista e questionador, ‘caiu’ do Paraíso quando questionou os planos de Deus e hoje é um agente (não confiável) do Inferno. São opostos, mas complementares em tudo. Os reencontramos logo após a conclusão da primeira temporada, onde se uniram para salvar a humanidade, contra os desejos do Céu e Inferno. No entanto, terem sido descartados na Terra é paraíso para eles, que mais uma vez se vêem envolvidos em um drama que só piora com a interferência bem-intencionada dos dois. Não vou entrar em detalhes da trama ou da conclusão, que foi agridoce e perfeita, porque estraga a surpresa. O que interessa é que a dinâmica entre os dois atores é tão perfeita que quando termina a história, já ficamos ansiando pela terceira.

Saídos da imaginação e do romance de Neil Gaiman, que é o showrunner da série, e do falecido Terry Pratchett, Bad Omens tem muito humor e sarcasmo para tratar de questões religiosas, comportamentais e culturais, que só fica ainda melhor graças à precisão desses dois grandes atores. Tudo anda como inesperado e previsto, num paradoxo que só ressalta a leveza e inteligência da série. Aqui, depois de trabalharem juntos com sucesso, os dois anjos se vêem numa encruzilhada profissional e pessoal que tem um Metatron (Derek Jacobi), interferindo diretamente na conclusão, de outra forma obvia. E mais uma vez nos vemos do lado do tão imperfeito e sensacional Crowley, cujo ceticismo o coloca sempre no meio do caminho entre o certo e o errado. Parece fácil, mas, Aziraphale não é.

E essa é a beleza de Bad Omens: um mundo cinza, um mundo imperfeito e cuja dinâmica de opostos se atraem constrói uma realidade possível. No limbo, ficaremos ansiando por uma terceira parte, com o coração dolorido. Vamos rezar!


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