Mesmo com o avanço do tempo o assassinato da francesa Sophie Toscan du Plantier, em 1996, segue um mistério. Em 2022, o documentário da Netflix, Sophie: A Murder In West Cork, foi disponibilizado em 2022 na plataforma resgatando o interesse público sobre o crime. O corpo de Sophie, que passava uns dias sozinha em sua casa de férias na isolada cidade de Cork, na Irlanda, foi encontrado em uma estrada perto da residência. Ela foi agredida à pedradas e claramente tentava fugir do assassino. No entanto, sem testemunhas ou provas coletadas suficientes no local, o resultado das investigações é inconclusivo, gerando problemas diplomáticos entre Irlanda e França, além de muita dor para os familiares.
Um dos obcecados com a história é o premiado diretor Jim Sheridan, que assina um documentário sobre a morte da produtora, Murder at the Cottage: The Search for Justice for Sophie e que segue empenhado em descobrir a verdade atrás da violenta e inexplicável morte da produtora. O principal suspeito, para a família de Sophie o culpado sem sombra de dúvidas, é o jornalista britânico Ian Bailey, cujo testemunho é falho, mas que só tem provas circunstanciais contra ele. Ian, que mora em Cork, teria sido um dos primeiros a chegar ao local quando o corpo de Sophie foi encontrato e fez a cobertura do crime como repórter, antes de ser tratado como suspeito (e julgado como culpado, in absentia, pela Justiça francesa).

Para Sheridan, o verdadeiro culpado está à solta mais de 25 anos depois. O diretor diz que o drama e o mistério por trás de um crime tão aleatório (e aparentemente pessoal) o compelem a tentar achar a verdade. Em especial, interessa a ele as conclusões opostas na Irlanda e na França, criando um impasse que ele acredita que demanda conclusão. “Tudo que eu quero é identificar o verdadeiro assassino e fazer justiça para Sophie,” ele disse essa semana em uma entrevista.
O empenho do diretor que já foi indicado ao Oscar tem criado conflitos com os parentes de Sophie, que se recusaram a participar do seu documentário por acreditar (com razão), que ele seria simpático com Bailey. É que Sheridan argumenta que sem evidências claras, Bailey não pode ser considerado culpado.
Para sua nova abordagem, ele torce para que a família de Sophie Toscan du Plantier participe de seu novo filme sobre o assassinato dela. A essa altura, será a última oportunidade pois os pais de Sophie estão com 97 e 92 anos. Há poucos anos, houve denúncias de corrupção na investigação por parte da polícia irlandesa e Bailey, que hoje é praticamente sem teto, ainda tenta limpar seu nome na Justiça. Sheridan tem certeza que um teste de DNA com a tecnologia atual vai encerrar a suspeita sobre o jornalista. “Não há DNA contra ele, nem sangue, nem provas. Os Gardai [polícia irlandesa] têm o DNA dele e uma amostra de sangue do sapato de Sophie. Tudo o que eles precisam fazer é verificar o DNA de Ian Bailey e ele será excluído”, disse Sheridan a um jornal irlandês.

O testemunho de Bailey mudou ao longo dos anos, deixando claras inconsistências sobre a história, onde estava na noite do assassinato e como chegou tão rapidamente ao local do crime antes que ele fosse divulgado. Da mesma forma, a principal testemunha contra ele também mudou a versão de seu depoimento mais de uma vez, que alega ter sofrido ameaças e por conta as contradições, a Justiça irlandesa não condenou o jornalista.
No novo filme, chamado de Re-creation, o formato híbrido que mescla recriação dramática com entrevistas e imagens reais trará uma nova perspectiva sobre o crime. “Chame a isto obsessão. Chame isto de raiva. Chame isto de justiça. Chame o que você quiser. Ainda estou à procura da Sophie ”, disse Sheridan sobre a sua motivação para o projeto.
As gravações já estão em andamento. Segundo a produção, se trata de “ficção para questionar a realidade”, com as equipes “em uma jornada através dos fatos e mentiras por trás do assassinato não resolvido de Sophie Toscan du Plantier, devolvendo-lhe uma voz que foi abruptamente interrompida e ajudando os enlutados a encontrar um desfecho”. A previsão de lançamento é em 2024.
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