Nadando em mistério e contra maré

Se a gente consume em demasia conteúdos de mistério é natural que em algum momento tudo pareça ou óbvio ou sem sentido. Only Murders in the Building e Depois da Festa (The AfterParty) são primos que encaram o mesmo desafio, que é divertir e ainda surpreender. Em ambas estamos quase na metade da temporada , mas sem nenhuma sugestão de quem seja o culpado. Pior ainda, indica possível repetição do que já vimos. Vamos revisar, mas primeiro o crime que acontece no Arconia e depois vamos para a série da Apple TV Plus em outro post.

No episódio O Quarto Branco, de Only Murders in the Building, há aparentemente um derrape e uma virada nada sutil na mudança de suspeito. Nessa terceira temporada, Charles (Steve Martin), Mabel (Selena Gomez) e Oliver (Martin Short) estão mais escolados depois de resolverem dois assassinatos seguidamente e a química entre eles só melhora, mas os problemas pessoais de cada um seguem interferindo com o podcast. Cada um tem uma prioridade diferente. Por exemplo, não ficou claro se eles mudaram a linha de produção porque, sem a direção de Oliver, não os vejo nem gravando nem se organizando. Um dos problemas está no fato de que como o diretor do musical onde ocorreu o crime, dessa vez não é de interesse de Oliver que os suspeitos atrapalhem os ensaios. Ficou claro com Kimber (Ashley Park), que até o momento é a suspeita número 1 do trio, mas, como ela canta bem, Oliver não está muito interessado em descobrir a verdade. Prefere que elejam outra pessoa. Enquanto isso, a óbvia Loretta (Meryl Streep) ainda não entrou no radar deles!

Falando nisso, na semana passada mencionei que a possibilidade de que Loretta seja a assassina ainda existe, até para ‘ justificar’ alguém de tanto peso como Meryl no elenco. Só que a fórmula de “a namorada era a culpada” foi usada na primeira temporada, assim como a alternativa de ser “uma pessoa do passado” foi a resposta na segunda. Por isso nem me abalei quando colocaram a invasiva Joy (Andrea Martin) tão descaradamente como suspeita. Nem precisamos perder tempo. Joy não é a assassina. A dica principal está no vídeo no qual Ben (Paul Rudd) conversa com o culpado e menciona que a pessoa “parece” tão doce, mas que não é. Joy não é doce. (Sim há a teoria rolando que ele estaria falando com si mesmo sobre o biscoito, mas por hora a dica é que alguém não é quem parece ser) e como avisou, foi dura com Ben para proteger Charles. Seria improvável.

Diante desse cenário, a volta de Cinda Canning (Tina Fey) traz a antiga suspeita para um novo crime. A podcaster está com o reposicionamento de auto-ajuda para sobreviver ao cancelamento da segunda temporada, mas todos sabem que de doce ela não tem nada. Mais ainda, Cinda confessa à Mabel que está ansiando por um novo crime e retomar o que mais gosta de fazer: podcast de true crime. Seria um tanto preguiçoso voltar a colocá-la na posição de suspeita, mas também é terminar com Joy parecendo ser a assassina. Sendo assim, Cinda teria motivo para matar Ben.

Portanto, não avançamos. A diferença de Only Murders In The Building é que é SEMPRE sensacional, com todos voando em suas interpretações. Ainda receio pelo coração de Oliver e o segredo que está mantendo de todos de ter sofrido o infarto e de como isso fará parte da narrativa, mas Martin Short está dando o tom de preocupação perfeito em um Oliver tenso, focado e ciente de sua própria mortalidade.

Uma queixa sobre a aula de teatro que tivemos. A maneira que os redatores conseguem que tudo pareça natural, mesmo quando a cada vírgula precisem nos explicar os jargões, não acrescenta à série e faz parecer que a diversão fica claramente entre os atores. Muitas piadas internas que nós não pescamos. Confio neles porque quando me queixei no passado, pedi desculpas. Portanto, para quem for ver o episódio, O Quarto Branco é o termo teatral para quando um ator tem um branco no palco – esquece o texto ou entra demais na trama – e no improviso sai algum tipo de loucura. Quem já trabalhou com TV ao vivo ou qualquer produção artística sabe que é apavorante, mas a menos que Charles possa estar entre os suspeitos em um momento de surto ou tenha sido testemunha no momento de surto, ficou – por hora – gratuito. Gostei de aprender sobre “Tatler” (quando o coadjuvante é o responsável por compartilhar informações importantes para o público) e ” quarto branco”, mas… e daí? Sigo sem incluir Joy como ‘ quem matou’. Quem você acham que é o ou a assassino/a?


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