Há vários romances no universo de Star Wars, realizados ou não. As históricas trágicas de Anakin Skywalker e Padmé Amidala, Han Solo e Leia Organa, Han Solo e Qi’ra (muitos anos antes de Leia), Obi-Wan Kenobi e Satine Kryze, Ben Solo e Rey, Luke Skywalker e Mara Jade, Sabine Wren e Erza Bridge, Din Djarin e Bo Katan, a lista é longa. Para mim, no entanto, nenhuma dupla (mesmo com finais traumáticos como Satine e Padmé), batem a breve e intensa história de amor entre Cassian Andor (Diego Luna) e Jyn Erso (Felicity Jones). Personagens de trajetória breve, no entanto, primordial para todos conteúdos.

Rogue One é, para mim, o melhor filme de toda franquia, ficando muito próximo do espetacular O Império Contra-Ataca. Amarrado, intenso e com personagens que lutam com apenas esperança como arma (não são Jedis, não são nobres, mas um grupo operário e dedicado), é um filme perfeito. Sem surpresa tenho Andor como o melhor dos spin-offs justamente por retratar o lado humano da Rebelião. Acima de tudo, uma vez que sabemos que os rebeldes citados em uma pequena frase da abertura do clássico de 1977 morreram para poder dar uma chance à Galáxia, é extremamente emocionante. Traz um senso de tragédia que faz tudo mudar de ótica.
O filme não é sobre Cassian Andor, embora seja o primeiro que conhecemos. É sobre Jyn Erso e como foi ela literalmente arrancada da sua família, testemunhando o assassinato de sua mãe e sequestro de seu pai, o melhor engenheiro da Galáxia e criador da Estrela da Morte. Jyn sobreviveu como pôde e é desconfiada de qualquer um, com razão.


A essa altura, Cassian estava cego pela ideologia rebelde, sendo responsável pelo trabalho sujo de matar e roubar, ficando responsável por usar Jyn com o objetivo de destruir a Estrela da Morte e quem estivesse envolvido com ela. Ao longo do caminho, no entanto, essas duas almas gêmeas se conectam. Jyn passa a ter um objetivo e Cassian resgata sua humanidade. É breve, mas lindo. Não há muito mais do que trocas de olhares, mas também a cena mais linda de toda saga: em um elevador escuro, sabendo que estão sem alternativa de escapar, os dois se olham, sozinhos, emocionados. Gosto de que nunca vemos o beijo dos dois. Nem no elevador ou na praia, quando morrem abraçados. Faz tudo ficar ainda mais emocionante.

Essa relação definitiva dos dois é uma sombra dramática em Andor. Cassian era como Jyn, mais do que ela tem tempo de descobrir. Cassian ficou órfão ainda criança, sua única irmã foi separada dele (ainda não sabemos seu destino) e ele viveu anos como um ladrão solitário antes de se tornar o soldado rebelde endurecido pela batalha. Testemunhou dor, fome, tortura e total falta de esperança das pessoas, ser a pessoa que vê Jyn Erso no mesmo lugar que um dia esteve, é muito triste.
Originalmente, o final esperado do casal e do grupo de rebeldes que consegue roubar os planos da Estrela da Morte, permitindo localizar o ponto fraco para destruí-la, era para ser “feliz”. Os roteiristas revisaram a ideia. Afinal, nenhum deles aparecia no filme onde Luke Skywalker (Mark Hamill) destrói a estação militar justamente porque os rebeldes tinham a informação vital. Sabemos que em Star Wars coerência nunca foi um elemento presente na narrativa, mas nesse caso, bateram o pé. E mudaram tudo, mesmo o peso da vitória de Luke. Sem mencionar, como é complexo ver Andor sabendo seu destino.


Assim como hoje em dia os fãs ficaram na torcida por Bo Katan e Din Djarin, muitos ainda discutem o casal Cassian e Jyn. Pra mim não tem dúvida. Minha alma romântica sempre aperta o coração quando penso nos dois e aquele elevador! Por isso em Ahsoka, quando Ezra e Sabine se reencontrarem, estarei feliz de ver pelo menos uma dupla com esperança de futuro na Galáxia que só nos mostra amores impossíveis. Não importa o que digam: a mais forte história de amor em Star Wars é entre Jyn Erso e Cassian Andor.
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