A trajetória (musical) de Catherine em The Great

Ainda sob o impacto de que The Great chegou ao fim na terceira temporada, mesmo que já soubesse tudo o que estava ainda para acontecer e como iria acontecer, estava meio que evitando spoilers. Portanto se não quer saber a última cena da série, espere algumas semanas e não releia o título.

A trilha sonora de The Great, assinada por Nathan Barr reforça o ritmo mordaz e divertido do texto, sem se sobrepor. Há uma curiosidade na escolha das canções que fecharam a primeira e a última temporadas. E refletem muito como Catherine evoluiu ao longo da série.

Na primeira temporada ela termina com o clássico vestido rosa, que reforça sua beleza mas que também sua determinação de tirar a coroa de Peter. Lembrando que ela era quase uma adolescente, com sonhos românticos que logo são desfeitos. Sua aversão por Peter vira ódio, mas a jornada de Peter é inversa: ele se apaixona de verdade por Catherine. Por isso arrepende de ter presenteado a esposa com um amante, Leo, a quem ela genuinamente ama. Bom, não mais do que ama a Coroa.

Quando se descobre grávida, Catherine é poupada por Peter, mas tem que escolher entre o amante ou o Império e ela prefere o Poder. Leo entende e aceita sua escolha. E com isso, vem os créditos com um cover de Bird on a Wire, um sucesso dos anos 1960s de Leonard Cohen. A canção é perfeita. Ela reflete sobre a impossibilidade de liberdade em um mundo repleto de amarras, exatamente como a Rússia que ela quer modernizar. Um contrate com o que veremos na que veio a ser a Season finale.

Oh like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choirhave tried in my way to be free.

A segunda temporada se afasta da realidade quando coloca Peter apaixonado pela esposa, a ponto de abdicar por ela. Grávida, culpada pela decisão de ter sacrificado Leo, Catherine tem “proteção” porque Paul seu filho, ainda não nasceu. E no meio de tanta confusão ela descobre que consegue ter prazer com Peter – na cama apenas – e a relação dos dois avança. Quando tudo parece se acertar, ele “mata acidentalmente” a sogra, durante o sexo. Quando Marial revela a verdade para Catherine, é demais para ela. Num rompante ela esfaqueia Peter pelas costas, nas era seu sósia. Aliviada, se lança nos braços do marido: agora é a história de amor (tortuosa) de um casal improvável. Portanto é perfeito que, nessa fase, a canção que conclua seja I’m Sticking With You, de Velvet Underground, que diz

I’m sticking with you
‘Cause I’m made out of glue
Anything that you might do
I’m gonna do too

eu fico com você
Porque sou feito de cola
Qualquer coisa que você possa fazer
eu vou fazer também

Não é puro amor?

E chegaremos na terceira. Aqui, Catherine perde Peter em um acidente ridículo, logo quando o amor dos dois nunca esteve mais claro e os dois genuinamente buscando uma forma de serem felizes. Peter ama Catherine, como diz, em todas suas versões. E ela reconhece, que apenas ele a conhece tão bem. Antes que ela possa dizer que o ama também, ele cai no lago gelado e morre. Em seu luto (novamente), Catherine se vê em meio à uma Rússia dividida e dessa vez sem Peter para auxiliá-la (tortuosamente).

Não vou dar os detalhes de tudo que acontece porque é muito, mas, eventualmente, Catherine retoma o controle da situação e passa a reinar sozinha. Enquanto os súditos celebram, ela murmura que não é destino, ela fez suas escolhas. E, com o cabelo curto e um dos seus vestidos mais longos, dança ao som de AC/DC: You Shook Me All Night Long. A cena é sensacional e agora que é a última, linda. E perfeita pela energia e surpresa.

She was a fast machine, she kept her motor clean
She was the best damn woman that I ever seen
She had the sightless eyes, telling me no lies

Um longo caminho, uma trilha sonora perfeita.


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