Hoje a popularidade de Yellowstone que conta a trajetória dos Dutton no estado do Wyoming, em uma área de Reserva Indígena é mundial, mas ainda não chega aos pés de outra grande família americana, os Ewing, que dominavam Dallas. Pois é imaginem o peso que é ter um conteúdo de TV aberta nos Estados Unidos, décadas antes do conceito de Internet não ser algo do universo de Os Jetsons, rodar o mundo. Há 45 anos, a minissérie da CBS chegou literalmente a parar pessoas para discutir “quem matou J.R.?”. Até hoje, nenhuma outra alcançou mesmo prestígio.
Dallas era um novelão, nasceu para ter cinco temporadas (e teve 14), estreou em abril de 1978 e popularizou oara sempre uma das grandes cidades do Texas que a partir daí ganhou fama internacional.
A trama girava em torno das tumultuadas vidas dos Ewing, com casamentos desfeitos, empregados e inimigos no mundo do petróleo. Com exceção de um honesto Bobby Ewing, em geral todos eram adeptos de façanhas comerciais maquiavélicas e cruéis. Embora milionários, todos viviam juntos no rancho conhecido como ‘Southfork’.

O clã dos Ewing era comandado por “Jock” Ewing (Jim Davis) e “Miss Ellie” Ewing (Barbara Bel Geddes). Seus três filhos competiam entre si pela sucessão do negócio: J.R. (Larry Hagman), o antagonista-mor, que era casado com a alcoólatra Sue Ellen (Linda Gray); Bobby (Patrick Duffy), que se casou com Pamela Barnes (Victoria Principal), irmã rival de J.R., Cliff Barnes (Ken Kercheval) e Gary (David Ackroyd/Ted Shackelford), pai da adolescente Lucy (Charlene Tilton), fruto de um romance com a garçonete Valene Clements (Joan Van Ark).
Entre intrigas de chantagem, casos extra-conjugais e até assassinatos, Dallas tinha de tudo. A disputa entre os Ewing e os Barnes era a espinha dorsal de todo conflito porque na década de 1930, “Jock” Ewing teria supostamente enganado seu ex-parceiro, Willard “Digger” Barnes (David Wayne/Keenan Wynn). Algo mencionado, mas não mostrado (hoje teria os spin-offs como 1883 e 1923, de Yellowstone). Para piorar, “Miss Ellie” era o grande amor de Digger, mas se casou com Jock. Ela vinha de uma linhagem de criadores de gado e não era tão adepta ao dinheiro da exploração petrolífica, mas tinha um casamento feliz.
Quem conduziu muito dos conflitos – e ganhou o amor do público, mesmo sendo vilão – era o inescrupuloso JR, que deu à Larry Hagman o papel pelo qual seria sempre lembrado (depois do Major Nelson de Jeannie é um Gênio). Até então, ele era lembrado como o filho da lenda da Broadway, Mary Martin e ator de papéis pequenos, com o apelido de “Monge Louco de Malibu” por seu comportamento excêntrico. No entanto, seu carisma como JR transformou Dallas. O público não se cansava de suas maldades. E quando no final da terceira temporada a personagem leva um tiro e cai (aparentemente) morto, foi um gancho bombástico e lendário. Milhões de pessoas assistiram J.R. ser atacado e o slogan “Quem atirou em J. R.?” entrou para o léxico mundial.

A resposta só veio na temporada seguinte e a essa altura o salário de Hagman era inigualável para padrões de TV da época (100 mil dólares por episódio). Sim, a revelação bateu outro recorde de audiência. A popularidade de Dallas era tão significativa que mesmo em plena guerra fria era transmitida em alguns países comunistas. Que tal?
Ao longo de suas 14 temporadas, Dallas foi indicada para 21 Emmy (ganhou 4) e abriu caminho para anti-heróis e dramas densos na TV. Mas ei! Brad Pitt fez sua estreia profissional como um dos namorados de Lucy! Pois é!
Resgatar esse marco do storytelling no seu aniversário de 45 anos é importante. Naquela época, trabalhar na TV era para começar ou encerrar carreiras, mas raramente dava o peso que Dallas teve enquanto estava no ar. Houve uma tentativa infrutífera de resgatá-la, mas não sobreviveu mais do que uma temporada. Vendo como hoje as marcas viram franquias, Dallas certamente seria uma delas. Fica a trivia e a nostalgia e um conteúdo que marcou a cultura dos anos 80. E claro, um doa vilões mais odiados de todos os tempos, o inigualável JR.
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