Há 30 anos, em 1993, era virtualmente impossível ligar o rádio sem ouvir Whitney Houston a todos pulmões cantando And I I I I I I I I I… I will Always, love yoooooooou. Isso mesmo, I Will Always Love You não apenas foi a música mais tocada do ano como bateu todos os recordes e passou a ser associada eteternamente à cantora, impulsionando as vendas a trilha sonora do filme O Guarda-Costas, uma das mais vendidas de todos os tempos.
Há muitas histórias dos bastidores do filme de 1992 que é um clássico. Embora Whitney estivesse ressabiada de cantar um sucesso country e preferisse um cover de What Becomes of the Brokenhearted, a insistência de Kevin Costner pelo sucesso de Dolly Parton se comprovou certeiro. A balada teve uma longa e curiosa história também, que começou em 1973, quando Dolly a escreveu.

Um dos melhores hinos de despedida de todos os tempos, I Will Always Love You foi sucesso imediato, mas por o country na época ser nichado, era quase desconhecida mesmo trinta anos depois. Ela não nasceu como uma canção de amor romântico, mas fraternal. Isso porque Dolly Parton escreveu a canção para seu amigo e parceiro de TV, Porter Wagoner.
Dolly virou uma estrela de TV nos Estados Unidos no final dos anos 1960s graças à Porter, que a convidou para co-apresentar seu programa diário. Todos os episódios terminavam com os dois cantando em dueto, que viraram clássicos. Porém em 1973, Dolly superou Porter em popularidade e além de criar pressão interna nos bastidores, além de encorajar a cantora a aproveitar a fama para fazer turnês e viajar mais. Rapidamente o compromisso com o programa passou a impedir que seguisse ao estrelato e ela precisou romper com Porter.
Segundo Dolly recontou anos depois, Porter reagiu mal quando soube que ela estaria saindo da TV. Achou que ela estava sendo desleal e cometendo um grande erro. Arrasada e preocupada, escreveu em uma única tacada uma canção para deixá-lo saber que “ele” estava errado. Dolly estava decidida, mas era grata a tudo que ele proporcionou a ele. Cantou I Will Always Love You no show para um surpreso e emocionado Porter, que em lágrimas disse que era a música mais bonita que já tinha escutado. A parceria de sete anos acabou em melhores termos graças ao hit que alcançou o primeiro lugar na parada Country 1974.

Antes de falecer, em 1977, Elvis Presley se encantou com a canção e ficou determinado a gravá-la. Infelizmente os negócios impediram que um material tão perfeito para a voz do Rei tenha sido registrado. É que ele exigiu metade dos direitos de publicação, como era comum na época, e Dolly se recusou. Ela sempre foi cantora de sucesso, mas é uma das mais sagazes mulheres de negócios também. Apesar do prestígio e projeção que receberia entrando para o catálogo de Presley, se manteve firme. Sabe como comprovamos que estava certa? Apenas a versão de Whitney Houston rendeu mais de 6 milhões de dólares para cantora. “Minhas músicas eram o que eu estava deixando para minha família e não desistiria delas”, ela lembrou sobre a negociação com Elvis, em 2004. “As pessoas diziam que eu era estúpida. Chorei a noite toda. Eventualmente, quando Whitney gravou, fiquei feliz por ter resistido,” celebrou.
O fato de que poucos associam que I Will Always Love You não é de Whitney, Dolly dá de ombros. “A maneira como ela pegou aquela minha música simples e a transformou em algo tão poderoso que quase se tornou a música dela. Alguns escritores dizem: ‘Ooh, eu odeio a maneira como eles fizeram isso com a minha música ou aquela versão não era o que eu tinha em mente. Eu simplesmente acho maravilhoso que as pessoas possam pegar uma música e cantá-la de tantas maneiras diferentes,” comentou. “Muitas pessoas dizem que essa é a música de Whitney, e eu sempre digo: ‘Tudo bem, ela pode ficar com o crédito. Eu só quero meu dinheiro'”, disse brincando.

A grande diferença da versão de Whitney é a entrada à cappela, que Costner sugeriu por representar o que a personagem de estava pensando/sentindo mais do que cantando. No mais, a base seguiu a versão de Linda Ronstadt no álbum Prisoner in Disguise, de 1975. Nela, Linda não faz a declamação da letra, como Dolly e omite o verso final “Desejo-lhe alegria e felicidade…” que muda o tom do canção. Whitney regravou a versão completa quando o filme já estava terminado e acabou gerando 40 segundos extras de tempo na tela.
Em 1982, Dolly Parton gravou uma outra versão para o filme The Best Little Whorehouse In Texas e I Will Always Love You voltou ao primeiro lugar na parada Country. Mas ninguém tira de Whitney Houston o lugar da melhor versão de todas. Imbatível. Eterna. E ainda popular, mesmo 30 anos depois. Compare.
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