Indiana Jones e a nostalgia da passagem do tempo

Aos 81 anos, Harrison Ford voltou ao seu papel mais icônico, talvez ainda mais do que o de Han Solo de Star Wars: o professor e arqueólogo Indiana Jones em A Relíquia do Destino. A franquia o resgatou15 anos depois do que teria sido a sua despedida, em 2008, com Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal, onde ele descobria que era pai e terminava se casando com o amor de sua vida, Marion (Karen Allen). Por isso estranhamos quando o encontramos no início dos anos 1970s, sofrendo com a nova geração que só quer saber de astronautas, que não se importa com História ou Relíquias. Prestes a se aposentar, Indiana está sozinho e longe dos dias que as alunas suspiravam por ele na sala de aula.

Logo nos interessamos a saber mais sobre a vida dele como homem casado, mas os sinais não são bons: está separado, sofrendo, carrancudo e frustrado. O que contrasta com o flashback dele ainda no auge, durante a segunda guerra mundial, interferindo mais uma vez com o plano dos nazistas, em especial Jürgen Voller (Mads Mikkelsen). Indy jamais imaginaria que quando sua afilhada, Helena Shaw (Phoebe Waller-Bridge) aparece pedindo ajuda para recuperar o mesmo poderoso artefato que recuperou na Guerra, ele mais uma vez se dedica a evitar que caia nas mãos erradas e mude o curso da humanidade.

Honestamente? A trama não faz diferença. É quase sempre uma desculpar para iniciar perseguições impossíveis, que não nos fazem rir ou torcer, porque sabemos exatamente como todas irão acabar. Indiana Jones passou a ser previsível, cansado e com fãs igualmente descrentes. Nem o carisma usual de Phoebe Waller-Bridge ajuda. A tristeza que criaram para Indy – que explica as ausências de Marion e Mutt (Shia Leboeuf) e também nos emociona – não é o suficiente para nos conectar, nem mesmo a rápida menção de Indy Senior (Sean Connery). Isso porque a crise de Indiana na história é a metáfora perfeita de como a franquia cansou. Ele é uma relíquia do cinema, explorado, cansado e sem novidades. Até o vilão de ‎‎Mads Mikkelsen‎‎ parece mais do mesmo, embora seja irônico como‎ Indiana, que lutou tanto contra os nazistas, tenha menos prestígio que ele diante do governo americano agora que Voller é um cientista nazista alistado na NASA que ajuda na missão de pousar na Lua.

Indiana Jones e a Relíquia do Destino foi efetivamente a despedida de Indy, porque Harrison Ford não volta mais ao papel. Há 15 anos já tinha sido algo meio anti-climático vê-lo mais velho, com as mesmas piadas. A franquia, que estreou há 42 anos (em 1981), tinha dado uma deus perfeito com Indiana Jones e a Última Cruzada, em 1989. Era aquela cena que eu queria, ele cavalgando contra o sol no deserto. Não sei você, mas aquele arqueólogo que parecia ter bebido do cálice da vida eterna era um herói memorável. Pena que esticaram tanto!


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