Quantas histórias o cinema e ficção pode nos contar sobre a viagem no tempo? Para responder e se? Clássicos da literatura ou filmes serão citados em vários números, mas são múltiplos. Atualmente o tema popular de multiversos é outra prova: sejam super-heróis ou meros humanos, todos nos perguntamos sobre o que define Tempo e se temos alguma forma de controlá-lo. Nossa obsessão é tanta que, ajudados por redes sociais, falamos em “narrativas” e possessão de “verdades”. Tudo é a mesma coisa. Bodies, a série da Netflix que está disponível na plataforma é mais um conteúdo que tentar decifrar se seria possível viajar no tempo e controlar as narrativas. Nascido dos quadrinhos, diverte, mas cai na mesma armadilha dos outros.

São tantos os exemplos de conteúdos em andamento que nos vemos refletindo sobre Loki enquanto vemos Bodies: como cada linha do tempo pode ser afetada ou caminhar em paralelo sem criar o caos cósmico? A base de Bodies parece ser a referência mais comum para cultura pop: De Volta para o Futuro. É uma única linha do tempo, que acontece paralelamente e cujo presente e futuro podem ser alterados se mudarmos o passado. Freud faria festa com a insistência humana em lidar com as consequências e sonhar controlá-las se, voltando ao passado com o conhecimento do futuro, pudesse mudar tudo. Paradoxal, complexo e divertido. Por isso temos na série nada menos do que quatro períodos históricos e um único corpo, cujo crime interfere nas vidas dos detetives que o investigam.
Temos 1891, 1941, 2023 e 2053 conectados e a princípio com uma série de informações desencontradas que parecem impossíveis de decifrar. Não é o caso. Pois é, sem muita demora, quem devora todos os conteúdos de ficção meio que decifre o que está acontecendo, ficando na dúvida o “como” e a exatidão da frase “saiba que é amado” como um código. É a motivação, encontrar o amor, mesmo que seja à custa da dor de milhares. O problema mesmo é que, rapidamente percebendo que vão sempre nos deixar adivinhando começamos a ter uma preguiça a passar pelo processo e só esperamos passivamente quando efetivamente a história faz sua virada… no futuro. Quando acontece, também cai no obvio.
Sim, estou dizendo que dependendo do tempo que você quer investir na série, pode ficar meio frustrado. O tema se resolveria em 4 episódios, mas esticam em mais dois sendo que os finais são bem mais interessantes que os iniciais. Pena, porque são boa atuações e ótima reconstituição de época, apesar de alguns efeitos toscos.
Como AMO uma trilha sonora, farei um post em especial sobre o tema musical de Bodies, a clássica What a Difference a Day Makes, que foi um uso inteligente, mas infelizmente pouco explorado. Portanto, Bodies – à sombra de Loki – é um conteúdo mediano, que pode preencher horas caso esteja sem conteúdo para explorar. Quaaase uma perda de tempo, o que é irônico para o tema que se propõe.
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