Sou assumidamente uma das grande fãs de Vivien Leigh. Como 90% deles, a vi pela primeira vez quando assisti E O Vento Levou, inicialmente uma cópia lavada, granulada onde já despontava como uma beleza única, mas depois de ver as versões restauradas, ainda mais. Vivien foi uma das maiores atrizes de todos os tempos, que a viu no palco, como a crítica Barbara Heliodora, disseram que era espetacular como descrita. A vida de Vivien poderia ter sido só de sucessos, mas aquela beleza escondia uma dor pessoa só feita pública no final dos anos 1980s. Desde então, com a perspectiva de o quanto sofreu, só sou ainda maior admiradora dela. No dia 5 de novembro de 2023 completaria 110 anos. Vamos voltar a falar dela aqui em Miscelana, claro.

Há 10 anos, no seu centenário, a National Portrait Gallery fez uma linda exposição e estive em Londres para conferir pessoalmente. Sempre me emociono quando olho para sua vida e seu legado. Vivien, a mulher, era uma pessoa unanimamente querida por amigos, de uma educação e empatia que conquistava a todos que tinham a sorte de conhecê-la. Delicada, atenciosa, genuinamente interessada nas pessoas, mesmo sendo a estrela que era, jamais mudou sua maneira de tratar as pessoas. Li muitas biografias de atrizes tão, ou menos, famosas como ela. Nenhuma delas conviveu com a fama sem ser afetada em algum momento por ela. O que determinou ser problemático para Vivien foi sua saúde mental, que fugia de seu controle. E mesmo assim, não parou de trabalhar.
São tantas grandes atuações no cinema que falar apenas de Scarlett O’Hara é pouco. Se comparada com o filme que rendeu o segundo Oscar à ela, Um Bonde Chamado Desejo, vemos o quanto em 12 anos evoluiu como atriz. Considero essa a sua atuação mais icônica, mesmo que ame mais A Ponte de Waterloo. Sim, Blanche DuBois era perto demais de sua realidade, mas é desrespeitoso falar, como eu mesma já falei, que Blanche “era” Vivien, é simplista demais. Em 1951, quando fez o filme, Vivien tinha apenas 37 anos e já lutava contra o transtorno bipolar. Naqueles tempos, não corretamente diagnosticado e chamado de “maníaco depressão”. O tratamento eram eletrochoques, e a atriz foi mal compreendida e mal tratada, mesmo se mantendo ativa e altiva. Se formos falar de Vivien como Blanche é porque ela verdadeiramente entendia a dor da personagem e por isso não houve outra igual a ela no papel (e olha que vi Cate Blanchett e é difícil ser tão boa quanto ela).


Ao longo de sua bem sucedida carreira, Vivien sofreu abusos de uma relação transformada em tóxica com Laurence Olivier, perseguida pela imprensa que a humilhava em comparação ao marido, e também sofreu com o etarismo. Fez 19 filmes, mas, depois que completou 40, apenas três. Morreu em 1967, com apenas 53 anos.
A série Vivling, que é uma proposta de levar a vida de Vivien para uma geração que não a conhece ainda está em desenvolvimento. Eu ainda torço que sua história seja bem contada, ela merece.
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