Quanto drama, quantas lágrimas! Mas que delícia! Nada mais natural de um período da história onde as mulheres precisavam se casar para se manter e se definir como pessoa, portanto já abrimos o segundo episódio de The Gilded Age com Bertha (Carrie Coon) e Gladys (Taissa Farmiga) aos gritos com o assunto. E sobra para George (Morgan Spector) tentar aplacar as duas. Ele consegue, claro, prometendo à Gladys que a apoiará quando ela realmente se apaixonar, avisando que vai dispensar Oscar Van Rhijn (Blake Ritson) com jeito. Eufemismo, claro, porque a conversa entre os dois é dura e rápida: não vão aceitar a proposta de casamento e a história deve acabar aí.
Oscar é uma das garotas da temporada: ele ‘precisa’ se casar e no seu desespero está deixando mais claro do que não que é apenas uma conveniência para ele. Rainha morta, rainha posta, ele já tem outra candidata em mente, graças à ajuda da prima, Aurora Fane (Kelli O’Hara). Mas chegaremos lá.

Como era tradicional na época, a alta sociedade passava os verões em Newport, Rhode Island, com mansões inspiradas nas do sul da França. A distância entre as cidades é de 290 km e hoje de carro é uma viagem de 3h30 (já fiz muitas vezes) portanto é surpreendente como Bertha está em Nova York e Newport em tão pouco tempo e com tanta frequência, mas deixaremos passar.
A guerra das óperas ficou de pano de fundo nesse episódio, Caroline Astor (Donna Murphy) já acionou Agnes (Christina Baranski) para criar uma estratégia que será explorada na próxima semana. Ada (Cynthia Nixon) está abertamente empolgada pelo novo pastor Matthew Forte (Sean Patrick Leonard), algo que Marian (Louisa Jacobson) aprova. A dinâmica familiar dos Brooks Van Rhijn é um dos pontos positivos da temporada, com a amizade fraternal entre os primos Oscar, Aurora e Marian funcionando perfeitamente. Agnes e Marian obviamente estão sempre se bicando, mas é fato de que em um ano Marian já entendeu boa parte das regras da sociedade. Pode não gostar delas, mas sabe que terá que segui-las.

A sub trama de Watson (Michael Cerveris) está em andamento também. Seu genro, Mr. MCneil (Christopher Denham) vai até a mansão dos Russells atrás dele, mas, embora George por hora nem desconfie da verdade, o valete abre seu coração com Church (Jack Gilpin) e os dois sabem que, para evitar que Flora (Rebecca Haden) seja “exposta”, o mais provável é que Watson tenha que se desligar do staff dos Russells.
E, falando de staff, atenção para a narrativa do relógio quebrado de Jack (Ben Ahlers), ela será importante mais à frente. Na casa dos Van Rhijn, Armstrong (Debra Monk) segue sendo racista, bem, desagradável com Peggy Scott (Denée Benton), mesmo com o aviso prévio de Agnes de que a secretária está de volta e que se Peggy for mal-tratada, que ela terá sempre a preferência da patroa, não Armstrong. Por hora parece que a governanta insiste em desafiar Agnes e é rude com Peggy gratuitamente, mas nada está chegando aos ouvidos de Agnes. Por hora.
Mas o mais emocionante do episódio não foram as trivialidades. Aqui temos uma clara evolução no que torcemos que venha acontecer que é a união de Larry e Marian. No momento, ele se encantou com o romance mais fácil com a viúva Susan Blane (Laura Benanti) – algo que preocupou a Bertha imediatamente. Na verdade, ele está mais atento aos movimentos de Marian do que ela aos dele, e a maneira que os roteiristas os fazem se olharem em meio à multidão é fofo. Porém, traumatizada por ter tido meu #tedbecca negado em Ted Lasso (a série espertamente brincou com as expectativas românticas dos fãs de verem Ted Lasso (Jason Sudeikis) unido à Rececca (Hannah Waddingham) e ao mesmo tempo mantendo os dois como melhores amigos) receio que se transformarem eles em “apenas amigos” ficaremos a ver navios.

George riu da imediata preocupação de Bertha sobre Larry e Susan, afinal ela tem o “dobro da idade dele”, o que, por si só, já seria escandaloso naquele tempo, mais ainda sendo uma viúva. Para o universo masculino a liberdade sexual de um jovem com uma mulher não mais virgem é “melhor do que procurar prostitutas”. Não sei se fiquei mais chocada de ouvir isso da boca de Larry do que estar tão explícito na série, mas tem espaço para muitas lágrimas aí. Susan é claramente carente, praticamente se derreteu por Larry no momento que o viu e o cerca sem menor cerimônia, em especial se ele está tentando se aproximar da virginal Marian. Aliás, o ciúme de Susan sobre Marian é a melhor resposta da série sobre o romance que queremos.
A parte dos paqueras de Marian brigando por ela foi o ponto alto do episódio. Ela comenta com Glady e depois com Larry que sabe que a expectativa dela de escapar de um casamento de conveniência é baixa, especialmente porque pode ser respondona com Agnes, mas depende da tia e de um futuro marido para sobreviver. Aurora tentou apresentar a prima a um candidato que Agnes aprova (sem sequer ter encontrado, mas porque tem o sobrenome aceitável) e infelizmente ele é um bêbado inconveniente. O alívio cômico da situação foi bem vindo, e só Marian ainda não se ligou da sombra que Dashiell Montgomery (David Furr) tem sido. A todo momento os dois ‘esbarram’ um no outro, e como nesse caso foi conveniente para ela para escapar do paquera errado, está se envolvendo sem perceber, em especial no baile onde dançam juntos. Uma festa de fortes emoções, claro e não apenas para Marian, mas para Bertha e George.

Na Guerra das Óperas, Bertha é avisada por Ward MacAllister (Nathan Lane) que ele está “neutro”, mas ainda assim a ajuda para ter mais apoiadores à inauguração da Metropolitan Opera House. Quanto mais pessoas da “antiga” Nova York a ajudarem comprando camarotes, maior sua vantagem na batalha. Portanto, ele recomenda que Bertha faça amizade e convença à jovem Sra. Winterton que apoie os “novos” nova iorquinos. Nem Ward ou Bertha sabem muito de quem é essa nova Sra. Winterton pois ela é muito mais nova que o marido, que tinha ficado viúvo pouco antes de conhecê-la e se casar quase que imediatamente. Pois sabíamos mais que os dois e fechou um ótimo episódio com a entrada triunfante de Turner (que já tinha antecipado), deixando os Russells desnorteados. A nós também!
Depender de Turner (Kelley Curran) obviamente é um mal presságio para Bertha e a ex-camareira vai usar de sua vantagem tanto para atormentar a família que odeia como para ganhar espaço com Caroline Astor. Será que consegue?
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