O que a greve mudou em Hollywood?

Foram seis meses com nenhum ator americano trabalhando ou sequer promovendo qualquer filme por conta da greve, a primeira em mais de 60 anos, fora os meses dos roteiristas parados. Que a briga teria que chegar à uma conclusão não havia dúvidas, e, em novembro de 2023, ela efetivamente terminou. Com 86% dos votos do conselho do sindicato, os atores oficialmente estão de volta ao trabalho. E as regras estão reajustadas.

Houve quem quisesse sugerir que foi uma derrota contra os Estúdios, que se mantiveram intransigentes por um bom tempo, mas, chegando perto do fim das horas forçosamente replanejadas para cobrir o ano praticamente parado, o tom da conversa mudou. Os termos do acordo feito serão ainda ratificados até 5 de dezembro, mas o acordo foi celebrado por todos, mesmo que um dos ítens mais importantes – a parcela da receita de streaming – tenha sido excluída.

“Esta é uma coisa viva e contínua – um contrato”, disse Fran Drescher, a presidente do Sindicato dos Atores. “E ainda não terminamos. Estamos apenas começando.”

O que foi divulgado é que ambas partes concordaram em incluir um aumento de 7% na maioria dos mínimos, uma porcentagem que “quebra o padrão da indústria”, mais de 1 bilhão de dólares em novos salários e financiamento de planos de benefícios ao longo de três anos, além de um novo bônus residual de 40 milhões de dólares. Embora dessa quantia o desejo inicial era criar um fundo para um número maior de artistas, negociações, um dos pontos mais empacados nas os estúdios só permitiriam 25% do total (perto de 10 milhões de dólares) fossem para o fundo, deixando o restante para os conteúdos de streaming que atingirem um determinado referencial de sucesso. Não ficou clara a métrica dessa conta.

E como ficou a questão da Inteligência Artificial? Bom, alguns critérios foram instituídos. Será permitido que a IA seja crie “réplicas digitais”, mas apenas se os atores forem pagos e derem permissão. Parece simples, mas não havia clareza do limite ou da remuneração.

Também foi incluído um aumento de 11% para atores secundários, que verão sua taxa diária aumentar de 187 para 207 dólares, sendo que também foi acertada a equiparação entre os termos sindicais em todos Estados Unidos, por exemplo, em um programa de TV na Costa Oeste, apenas os primeiros 22 atores secundários estavam cobertos pelo contrato contra 25 que estava em vigor na costa leste e agora terão o mesmo. O novo acordo aumentará esse número para o nível de 25 em Nova York.

Claro há mais detalhes da negociação, mas outros interessantes foram: criar regras para os testes autogravados, como limitar a oito páginas uma primeira audição e 12 páginas se forem retornos, além de demandar pelo menos 48 horas prévios antes do prazo de inscrição, também criar disposições que exigem cabelo e maquiagem para diversos artistas e coordenadores de intimidade para cenas que envolvam nudez ou sexo simulado, e outros detalhes que envolvem a produção de filmes e séries.

A Greve de 2023 já é a mais longa na História de Hollywood e muito significativa diante das mudanças tecnológicas e culturais na Indústria. E nós, consumidores, ficamos duplamente felizes com o fim do conflito. Afinal, o hiato será sentido nos “buracos” de horas não gravadas esse ano, e produções prontas foram congeladas para poderem cobrir esse espaço. Ninguém merece, né? Desde que tudo esteja justo. E parece que, pelo menos agora, está menos desequilibrado. Oba!


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