Uma da diversão dos fãs de The Gilded Age é buscar as histórias que inspiraram a série e que fazem parte de sua narrativa. Aqui em Miscelana, há vários momentos ilustrados que já fizeram ou farão diferença na série. As mais citadas são os espelhos de Alva e Consuelo Vanderbilt em Bertha e Gladys Russell, uma vez que Caroline Astor, Ward MacAllister e outros “verdadeiros” circulam entre os fictícios. Até o momento, no entanto, não tinha abordado a inspiração para George Russell, que muitos assumiram ser o marido de Alva, William Kissam Vaderbilt. Não é. George já mencionou no episódio 3 da segunda temporada: o barão ladrão, Jason ‘Jay’ Gould.

Não sabemos muito sobre o passado de George Russell, apenas que é um dos milionários das ferrovias, em crescimento nos Estados Unidos no por volta de 1880s. Amoroso com os filhos, apaixonado pela esposa, George é implacável quando se trata de negócios. Se comparado à sua fonte, George é um anjo pois Jay era conhecido como maquiavélico e até um dos homens mais odiados na América.
Em tempos que ricos eram raros, milionários eram ainda menos, ser um bilionário era um feito e Jay Gould alcançou esse patamar, sendo agredido, ameaçado e preso (sem passar um dia atrás das grades) antes de falecer aos 56 anos, em 1892, de tuberculose. Sem explorar George, vamos entender quem foi Jay, que aliás, esteve no primeiro episódio da segunda temporada em uma reunião com George?
Jay Gould pode ter sido um bilionário na Era Dourada, mas nasceu pobre. Uma lição que aprendeu cedo foi a de ser inecrupuloso: nenhuma lei, pessoa ou relacionamento atrapalharia sua meta de alcançar fortunas. Aos 17 anos, ainda trabalhando como topógrafo em uma ferrovia, os trabalhos foram interrompidos, mas foi o jovem Jay que sugeriu “dane-se a legalidade”, convencendo os executivos e começando a sua carreira.
Workahoolic, não lutou na Guerra Civil por ser alto operando na cidade de Nova York, onde percebeu que havia demais (mais de 1m70) por ser metódico, foi se destacando no trabalho. Os investimentos em ferrovias começou em 1859, adotando de corrupção para evitar as barreiras judiciais que encontrasse.

Como George fez com homens gananciosos, Jay enganou os homens de famílias tradicionais, ou de dinheiro “novo”, como os Vanderbilts, de quem levou mais de sete milhões de dólares. Comprava a Justiça, tentou monopolizar o mercado de ouro em 1869 e ameaçou toda a economia dos EUA. Inteligente e quase sociopata, era quase como o Tio Patinhas: obcecado por dinheiro e até mencionado por Mark Twain como “o desastre mais poderoso que já se abateu sobre este país”. Logo era o homem mais odiado em seu país.
E se há um ponto que equilibra a má fama d Jay Gould é sua dedicação à sua família. Fiel à Helen Day Miller, com teve seis filhos, se desentendeu com ninguém menos do que Caroline Astor e Ward MacAllister, justamente por causa da lista dos Four Hundred. Como a Sra. Astor não gostava de Jay Gould, se recusava a reconhecer sua família como merecedora de estar na lista. Eventualmente, ela cedeu.


Hoje Jay Gould é considerado o analista de mercados de ações mais astuto da história americana. Apaixonado por ferrovias, chegou a controlar 25.000 quilômetros de trilhos, dominando 15% da maior e mais importante indústria do país. Se George é espelhado nele, só me preocupo com a sua saúde e quem quiser atrapalhar seus negócios.
E, para nos confundir, na terceira temporada, usaram elementos do atentado à Henry Clay Frick, se distanciando um pouco de Jay Gould. Mas apenas um pouquinho…
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