O brilhantismo da série Frasier é uma lenda entre os sitcoms americanos. E sua ousadia de retornar tantos anos depois, em uma plataforma onde a fórmula de claques e humor refinado não são vistos como bons motivadores, mantém o espírito de destaque da personagem. A primeira temporada estava relativamente capenga, pois sente muito a falta de Niles e Martin, que não têm como serem substituídos à altura, mas, eis que no penúltimo episódio dessa temporada, nossos corações se apertaram e os fãs se emocionaram, entendendo que Frasier sempre será nosso psicólogo favorito.

A premissa dessa volta é que, depois de tantos anos distante do filho, que ficou em Boston com sua mãe, Frasier retorna à costa leste para visitá-lo, estendendo a estadia de forma quase invasiva ao conseguir um emprego em Harvard e comprar o prédio onde Freddy vive, meio que o forçando indiretamente a viver com ele. Cheio de manias, com o mesmo sarcasmo de sempre, temos um Frasier idoso, mas ainda perfeito. Seus parceiros de cena se esforçam, mas os jovens ainda são muito teatrais, com as pausas muito marcadas e uma falta de naturalidade que aos poucos esperamos que superem. Porque Frasier, e sitcoms em geral, se assemelha à teatro e ter ritmo e maturidade de palco demanda experiência, além de talento. Nada que torne a temporada atual ruim, mas ainda não está à altura de seu renome.
Há um detalhe emotivo que Kelsey Grammer está sabendo explorar com cuidado e é a ausência de Martin, cuja morte do ator John Mahoney foi incorporada na trama de forma perfeita. A dinâmica de Frasier com Freddy espelha a que ele viveu com Martin, porém um emotivo Grammer nos traz a profundidade que sente e quanto é justificada para completar o arco da personagem. Na primeira temporada de Frasier, a original, Martin é forçado a viver com o filho pois não pode mais se deslocar sozinho, algo que desagrada a ambos profundamente. A adaptação do convívio de pai e filho gerou muitas situações cômicas, assim como emocionantes e no final das contas, um não sabia mais ficar longe do outro. Com Freddy, ele espera, pode ser que se torne a mesma coisa.

Portanto a um episódio da conclusão, finalmente temos a proposta ainda mais clara diante dos nossos olhos que é acompanhar o último ato de Frasier Crane, onde ele pode refletir e finalmente aprimorar como pessoa, sempre nos fazendo rir no processo, claro. Eu topo acompanhar!
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