E agora, Agnes?

Nós, fãs desde o primeiro segundo, não estamos surpresos que no final de 2023, The Gilded Age esteja entre as séries mais populares da HBO no ano. E viemos acompanhando também a arrogância e intransigência de Agnes Von Rhjin (Christine Baranski) em sua empáfia de “boa Nova York” e “má Nova York”, dividida entre “dinheiro antigo” e “novo”. Pois bem, graças à inocência de seu filho Oscar (Blake Ritson) ela está em uma pior categoria: os sem dinheiro. Por essa, aposto, ninguém esperava, muito menos ela. É uma jornada que está apenas começando.

O esnobismo de Agnes era tolerado pelos que sempre dependeram dela economicamente, algo que fez questão de esfregar na cara sempre que podia, em especial a irmã, Ada (Cynthia Nixon) e a sobrinha, Marian Brooks (Louisa Jacobson). Afinal, como gosta de lembrar, foi porque o pai de Marian deixou as irmãs à beira da pobreza que ela se casou com um desagradável Sr. Van Rhjin para garantir o bem estar material dela, passando claramente por maus tratos. De certa forma, por isso é que damos desconto quando ela lembra a todos do “sacrifício que fez” para garantir hoje o conforto para todos. Também é por isso que ela cobra de Marian que siga suas regras, mesmo que elas sejam do desagrado da jovem.

Dessa união com Von Rhjin nasceu Oscar, um homem mimado e despreparado para a vida. Oscar, que é gay, sabe que não pode viver sua vida abertamente e que precisa de um casamento de fachada, com filhos, para garantir a linhagem e também esconder quem ele realmente ama. Embora seja ‘rico’, queria que sua noiva fosse jovem e ‘mais rica’, o que o deixou vulnerável à rejeição dos Russells, que nem o consideram o suficiente para Gladys (Taissa Farmiga) ou realmente apaixonado por ela, e uma vítima fácil para Maud Beacon  (Nicole Brydon Bloom). Isso mesmo, a golpista posou de herdeira milionária e induziu a Oscar, por ganância e despreparo, investir toda a fortuna de sua família em um golpe fraudulento. Resultado, agora Agnes é pobre. Nadou, nadou e morreu na praia.

Além da irmã e da sobrinha, há toda uma equipe profissional dependente financeiramente de Agnes, talvez menos Peggy Scott (Denée Benton) que trabalha como secretária para estar em Manhattan, mas, com a inauguração da ponte do Brooklyn talvez não precise mais do emprego. Os outros, no entanto, ficarão tão mal quanto às mulheres do andar de cima. Mas foquemos em Agnes.

Um dos maiores disperdícios de The Gilded Age sempre foi ter Christina Baranski com ótimas frases, mas praticamente exilada de toda ação com a personagem se recusando a frequentar as festas de Bertha Russell (Carrie Coon) e jamais frequentando nenhum evento que Ada e Marian iam. Agnes estava sempre sentada lendo, distribuindo frases de efeito e praticamente apenas nessa temporada saiu de casa com maior frequência, duas delas por causa do falecido cunhado, Luke Forte (Robert Sean Leonard). A única que a entende 100% é Ada, Peggy tem uma boa relação com ela também, mas Marian é uma batalha constante de ambos os lados.

A bomba revelada por Oscar veio em um momento extremamente delicado para Ada e Marian: uma acabou de ficar viúva e a outra está noiva para casar com um homem que não ama. Se estávamos preocupados por Marian, devemos redobrar o nervoso: sem o apoio financeiro de Agnes, ela ‘terá’ que aceitar se casar com Dashiel Montgomery (David Furr), que é sobrinho de Agnes por parte do marido dela, ciente que Marian não tem dote e ainda assim a querendo como esposa. O drama dela seria ter que abrir mão da carreira de professora, que ama, mas agora está nos ombros dela fazer isso pelas tias. E agora, Marian?

A pergunta também ecoa para Agnes. Até o momento, ela maltratou todos que não fossem “velho dinheiro”, mas, ao cair na pior categoria, certamente não terá como se sustentar onde vive, com o luxo que vive e claramente amigas como Caroline Astor (Donna Murphy) não a receberão com frequência. A essa altura, nem mesmo Bertha fará a cortesia. O arco de transformação começa aí, quando Agnes virar alvo de risos e pena, dois sentimentos que abomina.

Portanto começa agora o protagonismo e brilho de Christine Baranski na trama de The Gilded Age, equilibrando comédia e drama de uma mulher que fez “tudo certo” para evitar viver na velhice seu maior medo, mas em vão. Ela terá que revisar muitos dos preconceitos e regras da sociedade da época e aposto que será uma jornada fascinante!

Claro que as teorias existem de alternativas para uma vida que não seja miserável: a mais obvia, através do casamento e infelicidade de Marian, ou, como muitos apostam, ser acolhida pela viúva Ada, herdeira de uma fortuna inesperada de Luke. Nesse caso, não vejo Ada dando o troco e invertendo os anos em que foi lembrada de ser “agradecida” demandando o mesmo de Agnes, mas vejo a Sra. Van Rhjin sofrendo com seu novo status, dependente da irmã que vai fazer de tudo para ajudá-la.

Claro que há a chance de Marian se casar com Larry, mas esses dois podem ser deserdados e ainda ficarem felizes de terem que trabalhar para se sustentarem, não terão como manter os luxos de Agnes e Ada além da vida simples desse cenário. Marian pode descobrir que o investimento de seu pai nas ferrovias não o levou à falência (e morte), como achamos na primeira temporada, mas todas essas impossibilidades não incluem que Oscar consiga recuperar o dinheiro que Maud roubou.

A ver se a virada de Agnes custará a felicidade de Marian, essa é a minha maior preocupação por hora. Mas que essa virada é uma surpresa bem vinda, sem dúvida ela é! Quer dizer, Agnes não concordaria…


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