Antes que 2023 chegue ao fim, vamos postar um dos importantes aniversários do ano na França ( e no mundo): os 400 anos do Palácio de Versailles. Há 44 anos é listado como Patrimônio Mundial e ainda hoje é uma das maiores conquistas da arte francesa do século XVII. A casa suntuosa que foi endereço do da última geração de reis franceses começou como um pavilhão de caça de Louis XIII, mas graças à visão de seu filho foi ampliado e completamente transformado no que vemos hoje. Por sorte, nem a Revolução Francesa ou duas Guerras Mundiais destruíram o palácio que completa seu quarto centenário encantando milhões de visitantes por ano com seus 2.300 quartos distribuídos por 63.154 m2.

Essa parte – e o período que falaremos a seguir – foi muito bem explorada das duas temporadas da série Versailles, ainda disponível na Netflix (recomendo!). Ela reconta com detalhes como o futuro Rei Sol, o jovem Louis XIV elegeu o local para ser a base de seu reinado (que foram os mais longos da História da França), tirando o Poder de Paris e levando a Corte para a área mais afastada do centro urbano. O pai de Louis XIV, descobriu a região ainda jovem, em agosto de 1607, quando veio caçar nas florestas e passou a frequentar a área com frequência mesmo quando herdou a Coroa. No final de 1623 decidiu construir um pequeno pavilhão de caça para poder pernoitar e aproveitar mais os dias, virando sua residência de campo. A paixão passou de pai para filho.
Como nunca funcionou como Fortaleza e foi ampliado no período renascentista, só era chamado de “castelo” pelas pessoas do campo porque era luxuoso embora estivesse em uma área rural. Em geral, “palácio” era como chamavam as residências urbanas e em Paris também chamavam Versailles, de Palais. Quando Louis XIV decidiu transformar Versailles como sua “capital”, em 1673, a construção foi derrubada para dar lugar à cidade que vemos hoje. Ficou tão intimamente ligado à ele justamente porque ele assumiu o papel de arquiteto e cuidou de cada detalhe do local que foi seu abrigo quando tinha apenas três anos e se isolou no local para escapar de uma epidemia de varíola, voltando 10 anos depois já pré-adolescente. Sempre acompanhado de seu irmão, sua mãe Ana da Áustria e o cardeal Mazarin, foi ficando até não sair mais.
Tudo era excessivo em Versailles: os dramas, as festas, as diversões nos jardins. Quem é Rei Sol também reflete o amor pelo ar livre e os espaços abertos, e tinha espaço amplo. Os planos para o palácio eram tão grandiosos que mesmo morrendo em idade avançada, nunca o viu completo.
Sem Louis XIV, a Corte ensaio voltar para Paris e o palácio ficou abandonado, mesmo que sua fama fosse tanta que o Czar Pedro, o Grande, a visitou duas vezes e se inspirou para fazer os seus palácios na Rússia. Somente o bisneto de Louis XIV, a pedido de Pedro, voltou com todos para Versailles. Louis XV não se deu por satisfeito por completar a obra do bisavô, criou outros espaços também. Viveu romances, recebeu as mentes mais respeitadas da Europa, e faleceu como consequência de uma varíola, em 1774. Seu neto, Louis XVI, viria a ser o último Rei da França, ao lado de Maria Antonieta.

Há tantas histórias fascinantes que aconteceram em Versailles que é difícil eleger uma única. A Corte ficou em Paris, apenas a Família Real estava no Palácio, um distanciamento que se revelou fatal na Revolução. Louis XVI e Maria Antonieta não tinham a percepção exata das dificuldades econômicas do país, o que custou suas cabeças eventualmente. Sorte do Palácio que não foi saqueado ou quebrado porque o centro de tudo estava de volta em Paris e o endereço passou a pertencer ao povo e transformado em museu com as obras que um dia foram do Rei. Parte da coleção foi transferida para o Louvre e os móveis foram leiloados.
Quando Napoleão se coroou Imperador, se recusou a viver no Palácio, elegendo o Trianon, um tanto mais modesto, como sua casa. Foi Louis Philippe, coroado em 1830 como “Rei dos Franceses” que recuperou Versailles, criando um museu “dedicado a todas as glórias de França”. Nos períodos de Guerra Mundial as portas foram fechadas para proteger as obras, virando o cenário da assinatura do tratado de paz, em 1919.
Em seguida, por muitos anos, o Palácio sofreu falta de manutenção durante vários anos e só foi renovado quando o bilionário americano John D. Rockefeller investiu na restauração. Ao longo dos anos, os curadores do Palácio remodelaram os quartos procurando os móveis que tinham sido espalhados durante as vendas revolucionárias de 1793. Aos poucos, Versailles recuperou prestígio e interesse. Hoje tem toda grandeza e luxo que fizeram sua História.
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