Helaena: a Targaryen trágica

A princesa Helaena Targaryen nasceu com um destino traçado por ela: graças à tradição familiar, seu papel era se casar com um de seus irmãos – Aegon ou Aemond – e ter filhos. Tímida, mais à vontade colecionando insetos e observando pessoas do que interagindo socialmente, sua passagem por House of the Dragon promete ser um das mais traumáticas e trágicas de toda série. E olha que já temos pena antecipada por ela.

Interpretada pelas atrizes Evie Allen (quando criança) e Phia Saban (quando adulta), Helaena tem uma mãe distante, estrita e complicada como Alicent Hightower (Olivia Cooke), um pai – Viserys (Paddy Considine) que claramente prefere a primogênita, Rhaenyra (Emma D’Arcy), que por sua vez é uma irmã com que não convive, um avô (Otto Hightower (Rhys Ifans)) ambicioso além de dois irmãos violentos e invejosos, Aegon II (Tom Glynn-Carney), Aemond (Ewan Mitchell) e Daeron (que ainda vamos conhecer). A alma tranquila e discreta de Helaena será destruída como colateral dos conflitos dessas pessoas, de maneira irreversível. Temos muita pena de Helaena.

Era de se imaginar que por ser órfã, por saber que mulheres não necessariamente estavam na linha sucessória (Rhaenyra foi exceção), era de se esperar que Alicent fosse uma mãe cuidadosa e carinhosa com sua única filha mulher. Pelo que vimos na série, praticamente o efeito foi contrário. Dentre as matriarcas de Westeros, a trajetória de Helaena a colocou em uma posição de dor e vítima, sem chance de inverter seu destino. Ela é a protagonista de uma das noites mais horripilantes da Dança dos Dragões e que, pelos títulos dos episódios, deverá acontecer entre o primeiro ou segundo episódio.

Nascida depois de Aegon II, Helaena pareceu viver sempre em um mundo próprio, interagindo pouco com Alicent ou o futuro marido, mas, aparentemente, próxima de Aemond. No livro é descrita acima do peso, mas na série é uma menina atraente, carinhosa e obediente. É uma pena que não a tenhamos visto em maior detalhe até agora.

Quando veio ao mundo, sua mãe Alicent, já era inimiga declarada de Rhaenyra, portanto além da grande diferença de idade entre elas, Helaena mal conviveu com a meia-irmã. Próxima de idade de seus sobrinhos, ela monta o dragão Dreamfyre e gosta de dançar. Embora sua mãe desgostasse do hábito Targaryen de manter a linhagem casando entre irmãos, por orientação de Otto Hightower, assim que foi possível, Helaena foi casada com Aegon, para desgosto mútuo. House of the Dragon fez fortes alusões na primeira temporada de que há algo a mais entre ela e Aemond, que gostaria de fazer tudo o que Aegon reclamava.

Aegon, como sabemos, é desagradável desde o berço: predador, violenta serviçais, gosta de ver seus filhos bastardos lutando como cães em King’s Landing (literalmente), mas cumpre seu papel de marido e gera três filhos com a irmã: os gêmeos Jaehaerys e Jaehaera e o menino Maelor. Nesse universo opressor, assim como sua irmã Rhaenyra, Helaena se revela uma excelente mãe, cuidando carinhosamente e pessoalmente de seus filhos, permanecendo alheia à disputa política de sua família. Se apenas fosse possível!

Ao que foi possível perceber, não havia conexão entre os quatro filhos de Alicent e Viserys com Rhaenyra, Daemon (Matt Smith) e os filhos deles, mas Helaena pareceu carinhosa com os sobrinhos. Numa provocação ao tio, Jacaerys Velaryon (Harry Collet), a convidou para dançar, gerando mais ciúmes em Aemond até do que Aegon. Naquele que viria a ser o jantar de despedida de Viserys vivo, a família estaria completa e em aparente Paz em um mesmo ambiente pela última vez. A partir daí, será um a menos com milhares de outras pessoas pagando com as vidas pelos conflitos dos Targaryens.

No golpe de estado liderado por Alicent e Otto, Aegon II é coroado no lugar de Rhaenyra, o que fez de Helaena a Rainha dos verdes, substituindo sua própria mãe na posição. Em tese, por não se envolver com a briga, ela estaria “segura”, mesmo que seus filhos fossem sempre um risco se vistos como herdeiros, mas o que acelera o perigo é justamente um erro de Aemond, que atava Lucerys Velaryon (Elliot Grihault) com Vaghar, matando o sobrinho ao não controlar a dragão. Aparentemente Aemond só queria atazanar o tio que tirou seu olho anos antes, é incerto. O fato é que o ataque de Vaghar não foi por seu comando, mas torna a guerra civil entre Targaryens irreversível.

A segunda temporada vai começar imediatamente após a inesperada morte de Lucerys, com uma Rhaneyra devastada. Ainda não sabemos como Daemon deu a notícia, mas, pelo que sabemos do livro, a História vai contar que Aemond perseguiu o sobrinho e deliberadamente mandou Vaghar atacá-lo, e ela o engoliu inteiro e seu corpo jamais será encontrado.

Vimos no trailer que Rhaenyra vai procurar pelos restos mortais do filho, assim como vimos o que de fato está no livro: nem Otto ou Alicent vão gostar de receber a notícia. Guerra era algo que queriam evitar e estavam negociando com a herdeira oficial que era melhor deixar as coisas como estavam com Aegon II no Trono de Ferro. Agora não há mais o que negociar pois Rhaenyra tem dois fortes motivos para querer todos mortos. E é aí que mesmo uma pacífica Helaena é dragada para arena de sangue. Com um agravante extra.

Além de atacar Rhaenyra pelo coração, matando seu filho preferido, os verdes também fizeram uma inimiga perigosa em Mysaria (Sonoya Mizuno). A ex-amante de Daemon, ela era informante de Otto, mas por comando dos verdes sua casa é incendiada e por hora ela é dada como morta. Isso porque Mysaria chegou a esconder um confuso Aegon, que temia o momento de ser rei e desagradou aos verdes por exigir coisas pelo povo de Westeros. Se ela era neutra na briga, agora está mais do que nunca unida aos pretos e será essencial para a tragédia que vai marcar a temporada.

Um Filho por Um Filho“, a frase de Daemon é inclusive o título do episódio de estreia e não precisa de maiores esclarecimentos. Só que isso significa que Helaena, que não teve NADA a ver com NADA do que aconteceu, será a mãe a pagar a conta. E da pior maneira possível. Voltando às teorias que circulam a Internet, a cobrança nem é tanto de Aegon II, mas de Aemond, com a suspeita da paternidade dos filhos sempre rondando a imaginação dos fãs.

Voltando ao que “sabemos”: a notícia da morte de Lucerys vai transformar o conflito em guerra sangrenta. Apenas Aemond sabe que foi acidental, ninguém acreditaria mesmo se ele jurasse por tudo na vida. Dessa forma, os pretos acreditam que a decisão de matá-lo foi deliberada e por isso justifica o contra-ataque. Enquanto Otto e Alicent apostam que Aegon e Aemond sejam os que correm risco, a verdade é que Daemon, com a ajuda de Mysaria, vai no coração dos verdes, retribuindo literalmente a morte de um filho.

E como vão conseguir?

No livro, Helaena é uma mulher de hábitos. Todas as noites ela visita sua mãe, Alicent, com as crianças. Mysaria, que tem uma rede de informantes invejável – e acesso via passagens secretas – criando uma armadilha traumática para todos. Sim, estamos falando de Queijo e Sangue.

No livro, Helaena é mais atuante como Rainha, extremamente popular entre os súditos e esperando que o conflito tenha uma solução pacífica. É incerto se ela acredita no direito de seu marido pelo trono, mas é obediente e conectada aos verdes.

Nessa noite após a morte de Lucerys, Helaena e seus três filhos mantém o hábito das visitas noturnas à Alicent, sem desconfiar que Daemon Targaryen contratou dois homens para vingar o enteado. Sangue e Queijo, escondidos nos aposentos de Alicent, amarram e amordaçam a rainha-mãe aguardando os visitantes, que fazem de reféns. Helaena é então forçada a escolher qual de seus filhos deve morrer.

Desesperada, ela oferece sua vida mas eles a forçam a tomar uma decisão quando Sangue passa a ameaçar violar a pequena Jaehaera e matar todos os três filhos. Em lágrimas e relutante, ela elege o filho mais novo, Maelor, que esperou não estar entendendo o que estava acontecendo. Mas é o Príncipe Jaehaerys que é assassinado, perdendo sua cabeça com um único golpe de espada. Os homens fogem com ela enquanto Helaena grita histericamente.

Sem nenhuma dúvida, após a morte de Jaehaerys, Helaena nunca mais foi a mesma. Deprimida e se sentindo culpada de ter escolhido Maelor, foi “enlouquecendo” aos poucos. Traumatizada, passa a ficar trancada em seu quarto, sem comer ou nem mesmo tomar banho. E mal sabia que ainda viria algo quase tão ruim com o tempo.

O casamento com Aegon já era praticamente de fachada desde o nascimento de Maelor (lembremos dos que acham que o pai é Aemond) e ela e o marido já viviam vidas separadas. Quando ele volta gravemente ferido na Batalha de Rook’s Rest, Helaena nem sequer tentou visitá-lo. Sem sair de seus aposentos, nunca mais montou em Dreamfyre e quando os pretos finalmente tomam King’s Landing, ela é facilmente capturada pela irmã.

Mantida ‘presa’ em seus aposentos, os verdes tentam ‘salvar’ os filhos de Helaena, mas Maelor é descoberto e morto pela multidão, sendo que sua cabeça é enviada para Rhaenyra como presente. Chocada e abalada, ela fica desolada. Quer dizer, essa é uma narrativa, a outra é que a essa altura ela já odeia tanto os verdes que sorriu. Outros dizem que Helaena ganhou a cabeça de seu caçula em um penico, como um ‘presente’. Isso não conclui outro mistério. Em seguida, o corpo da rainha verde foi encontrado empalado, nas estacas que protegiam a torre onde ficava o seu quarto. Ela pulou? Ela foi jogada? Não se sabe, depende de quem conta. Mas a trágica morte de Helaena, com apenas 21 anos, chocou Westeros e tirou qualquer simpatia que Rhaenyra pudesse ainda ter. E Alicent, também prisioneira, rasgou suas roupas e amaldiçoou Rhaenyra quando soube da morte de sua única filha.

Há mais rumores sádicos por trás da morte de Helaena, além de ter violentamente perdido seus dois filhos. Há quem acredite que ela foi jogada da Torre onde estava presa, outros ouviram a versão que ela vendida para a prostituição por Rhaenyra e Mysaria, engravidado e decidido se matar por isso. Mas a mais o provável é a que relata Mysaria como a gota d’água. A Mestre dos Suspiros de Rhaenyra teria sido a pessoa que contou em detalhes a morte de Maelor. 

Seja como for, com apenas 21 anos, Helaena será mais uma das casualidades da guerra entre irmãos. O povo vai se voltar contra Rhaenyra, mas para Alicent, que vai perder o pai, os irmãos e dois dos três filhos, é impossível aceitar quando bem mais à frente sua neta, Jaehaera, é forçada em casamento justamente com Aegon III, filho de Daemon e Rhaenyra. Pois é, os Targaryens desafiam o significado de família disfuncional. E a Coroa de Lágrimas? Bom, ela só tem uma Rainha, a pobre e trágica Helaena. Já imaginou como vamos sofrer na segunda temporada?


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