Killers of the Flower Moon é uma das histórias mais apavorantes que poucos conheciam. Com o poderoso filme de Martin Scorcese, um dos favoritos e mais impactantes de 2023, ninguém mais vai esquecer. Scorcese sabe como poucos nos fazer encarar de frente quanto diabólicos e violentos os homens podem ser, e na sua firmeza e lentidão (o filme tem mais de três horas de duração) ele deixa claro que maldade pode ser universal. Com seus dois atores favoritos – Robert DeNiro e Leonardo DiCaprio – ele tem a rara oportunidade de unir artistas brilhantes em um conto de terror baseado em uma história real.

Ambientado nos anos 1920s e na reserva Osage, no norte de Oklahoma, Killers of the Flower Moon relata assassinatos de dezenas de Osage, todos coordenados por William Hale (Robert De Niro) e sua família. Hale, posando inicialmente de amigo e pacífico, bolou um plano diabólico para enriquecer e manter o Poder na região. Ficou conhecido como Reinado do Terror Osage, onde as vítimas eram os que sofriam o horror. Ele pode agir porque o governo americano instituiu para controlar tanto tribos membros e a riqueza proveniente dos seus direitos minerais que índios americanos de sangue puro eram geralmente declarados “incompetentes”, precisando de guardiões brancos. Essa tutelagem criou a perfeita oportunidade para mentes criminosas como a de William Hale.
Baseado no livro de 2017 de David Grann, Killers of the Flower Moon: The Osage Murders and the Birth of the F.B.I. que relatou como no início do século 20, fazendeiros brancos gananciosos atacavam a tribo Osage, rica em petróleo. A onda de violência foi tanta que foi um dos primeiros crimes a ser investigados pelo recém criado Federal Bureau of Investigation, o FBI, com o jovem diretor recém-nomeado, J. Edgar Hoover. O roteiro de Scorsese e Eric Roth não tem nenhuma pressa de acelerar as ações planejadas por Hale, o que torna o filme ainda mais sufocante. A doença debilitante (provavelmente envenamento) que aos poucos foi sendo substituída por assassinatos e explsões são angustiantes.
Acompanhamos a chegada de Ernest Burkhart (Leonardo DiCaprio), um veterano de guerra que, com a ajuda de seu tio William, se insere no coração da sociedade Osage e toda trama ao redor deles. Logo ele conhece Mollie Kyle (Lily Gladstone), com quem se casa e forma uma família, criando o vórtice dramático do triângulo mortal. Com as mortes se amontoando e cada vez mais violentas, Mollie é esperta o suficiente para desconfiar sobre a verdade. E juro, é quase um filme de terror ao se ver rodeada de inimigos conspirando contra sua vida, inclusive seu marido.

A precisão das atuações de todos ajuda a tornar o filme em algo tão forte como é. Em especial, Lily Gladstone, com sua calma, fala mansa e profunda tristeza e pânico que não precisam de palavras para nos comover. Robert DeNiro não é surpresa de criar um homem tão cruel como Hale, mas é a maneira que seus vilões nunca se repetem que nos deixa com medo dele. E Leonardo DiCaprio, no fraco e irresponsável Ernest nos confunde também com muita sensibilidade, gerando a dúvida de o quanto ele efetivamente estava empenhado no plano do tio. Que estava ciente e participando, não há espaço para dúvidas, mas ele teria alguma angústia de culpa ou apenas medo de ser pego? Aí é que ele nos deixa a julgar. Hoje com quase 50 anos, o dobro do verdadeiro Ernest Burhart, ele se mantém o melhor ator de sua geração, com mais uma atuação impecável em uma galeria de destaques.
Eu confesso que senti o tempo do filme, porque o tema é pesado e queremos logo andar para a conclusão, mas de todos com que ‘competiu’, de longe Killers of the Flower Moon é o melhor do ano. Simples assim.

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