Para quem segue a Moda como Arte, o nome de Cristóbal Balenciaga está no patamar dos Deuses. Contemporâneo de Coco Chanel e Christian Dior, entre outros, Balenciaga era considerado um gênio por ambos, mas infinitamente menos conhecido, por sua recusa a aparecer ou fazer o jogo da publicidade. Por essa razão, sem nenhuma surpresa, muitas gerações desconhecem sua obra e importância para o avanço das roupas femininas no século 20. A série Cristóbal, já toda disponibilizada no Star Plus, corrige um pouco esse absurdo, trazendo o elusivo estilista e costureiro para os holofotes.

Em ritmo elegante como os modelos criados por ele, sutil, até lento, intermediado por poucos flashbacks, a série é, literalmente, um desfile de elegância e sensibilidade. Didática e cuidadosa na narrativa e escolha de elenco (comento mais à frente a importância), ela recria em detalhes a vida e o legado do designer espanhol nascido em Getaria, que se mudou para França durante a Guerra Civil Espanhola – apenas para ser ‘pego’ em Paris quando os alemães invadiram a França na Segunda Guerra Mundial – considerado um dos mais influentes e criativos estilistas de todos os tempos.
Quem brilha em delicadeza e emoção é o ator Alberto San Juan, que interpreta Cristóbal Balenciaga, em toda dificuldade do temperamento de um gênio que apreciava descrição acima de tudo. O desenvolvimento de sua criação, como encontrou sua voz e inseriu detalhes copiados por estrelas como o próprio Dior, são revelados dentro do contexto de um homem tímido, até reprimido, cujos amores e dúvidas permeavam sua genialidade.

Quando a série começa, no enterro de Chanel (Anouk Grinberg), onde a jornalista do The Times, Prudence Glym (Gemma Whelan, de Game of Thrones, falando em espanhol), consegue convencer ao estilista a conceder uma entrevista (ele só tinha feito uma única antes dela, para a Paris Match). Daí é uma espetacular viagem no tempo, com famosos e desconhecidos circulando pela tela. Nossa frustração vai crescendo como a de seus sócios pois por seu perfeccionismo e timidez, vemos as inúmeras oportunidades ‘perdidas’ por seu purismo (era avesso até publicar anúncios ou ensaios fotográficos em revista de moda para evitar a pirataria).
Cristobál é uma aula de uma biografia bem construída e respeitosa, com grandes atuações. Com a anunciada New Look, da Apple TV Plus, é ainda mais importante ver a produção espanhola antes. O título da série é o do episódio onde se estabelece que a fonte do que veio a ser a assinatura de Christian Dior é justamente da cópia das obras de Balenciaga, o verdadeiro revolucionário da moda, algo que a série da Apple, onde o espanhol será interpretado por John Malchovich, provavelmente terá outra versão. Outro episódio incrível é como ele apoiou incrivelmente o jovem Hubert de Givenchy, em uma relação de admiração e generosidade ímpar, que é o mesmo onde eles se unem para banir a imprensa na luta contra a pirataria.

Ao fim, gostando de moda ou não, a série é uma aula de como um gênio se recusa, diante toda pressão, a comprometer sua Arte. Ao ponto de que, sua exclusividade e preciosidade, o transformaram em um mistério, que Cristobál nos ajuda decifrar.
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