Em duas temporadas de The Gilded Age acompanhamos muitas famílias e dramas na Nova York dos anos 1880s, em especial, a casa das Van Rhijn, liderada pela imponente e cínica Agnes (Christine Baranski), sempre com o apoio submisso de sua irmã, Ada Brook (Cynthia Nixon). Quem nos leva até elas é a doce e rebelde Marian Brook (Louisa Jacobson) cuja reviravolta pessoal acaba causando uma tsunami nas vidas de suas tias distantes.
Se olhássemos o piloto da série, exibida em 2020, jamais poderíamos dizer que a oprimida Ada estaria na posição da qual nos despedimos dela em 2022. Uma que vai mudar o curso da trama em The Gilded Age, sem dúvida. Afinal, agora Ada não apenas é uma viúva, mas uma milionária justamente quando os Van Rhijn perdem sua fortuna (graças à Oscar (Blake Ritson)).

A história de Ada Brook
Ada Livingston Brook é a caçula dos Brooks, nascida alguns anos depois Agnes e de Henry Brook. Assim como os irmãos, nasceu e cresceu em Doylestown, Pensilvânia, e tinha laços com as famílias mais tradicionais de Nova York pelo lado da mãe, uma Livingston.
A vida das irmãs Brook passa por um momento turbulento após a morte repentina do pai delas. Henry, como o único homem da casa, herdou a fortuna da família, mas, ao invés de separar uma parte para sustentar as irmãs, decidiu ficar com tudo para si mesmo.


Os Brooks tinham terras na Pensilvânia desde os anos 1730s, e estariam seguros para vida não fosse a inabilidade de Henry como administrador. Ele gostava de jogar, beber e apostava em negócios (investiu em ferrovias, um golpe comum que voltaria a atormentar Agnes mais à frente via Oscar), e, com isso, elas precisaram “se defender” sozinhas.
A única alternativa na época era assegurar um casamento com alguém de dinheiro, mesmo sem amor. Agnes, a mais velha, se viu então ‘obrigada’ a aceitar a proposta do ‘desagradável’ Arnold van Rhijn. Ela nunca deixou ninguém esquecer seu sacrifício.
Ada, sem atrativos óbvios e muito tímida, passou a depender materialmente e psicologicamente da irmã.
Mais do que Agnes, Ada foi a maior vítima de Henry
Se casar era o objetivo de vida para muitas mulheres, ainda não tinha mudado nos anos de The Gilded Age. Frequentemente, também era o único meio de sobrevivência delas. Para piorar, não se casar era sinal de fracasso e com isso, ficar “solteirona” era uma perspectiva apavorante para muitas mulheres. Para Ada não foi diferente.

Como a filha mais nova, em tese teria, ela todas as chances de encontrar um “bom candidato”, mas, sem um dote, a atração foi reduzida pela metade. Prendada, culta, discreta e amável, Ada tinha tudo no papel para ser uma esposa perfeita, mas a falta de dinheiro a atrapalhou.
Assim como Agnes teve o severo e complexo Arnold Van Rhijn interessado, Ada também teve alguns candidatos também. No caso, Cornelius Eckhard, que mais tarde ainda voltaria a procurá-la. Mas… o que houve?
Seria Ada alvo fácil para golpistas?
No caso de Cornelius, a princípio, parecia um cara legal, mas logo descobrimos que ele chegou a pedir a mão de Ada ao pai dela e foi recusado. A razão? Não como ela pensou, por não ser tão rico quanto os Brooks. Nada disso, chegou ao conhecimento do Sr. Brook, e de Agnes, que Cornelius estava se gabando em um bar de poder se casar com um “vale-refeição”.
Nem na segunda vez que Cornelius a leva em consideração que Ada fica ciente da verdade. Sua natureza afável parece a tornar alvo fácil de abusadores, mas a principal abusadora parece ser, na verdade, Agnes.

Ada e Marian: conexão que salvou a vida da sobrinha
Agnes é o resumo de uma boa pessoa. Nem mesmo quando Henry as deixou em maus lençóis ela parece ter ressentido a atitude dele. Enquanto a orgulhosa e vingativa Agnes deixou de falar com o irmão, Ada não seguiu o exemplo.
De alguma forma, ela manteve o contato com Henry, o suficiente para saber de Marian e, quando ele faleceu, sugerir que ela se juntasse à família em Nova York, inclusive enviando uma passagem para a sobrinha. Ada provavelmente, assim como Agnes, deduziu de antemão que Henry deixaria a filha com dívidas e problemas, o que de fato aconteceu e praticamente arruinou a vida da jovem. A passagem para Nova York salvou e mudou sua vida.

Agnes não estava ciente da existência de Marian nem menos do convite feito por Ada, mesmo que fosse a pessoa que sustentava a todos. Por isso espera total submissão. Como sabemos, isso não funcionou tão bem com Marian, mas é um post à parte.
Ada era co dependente de Agnes, mas, com Marian recuperou sua voz
Sem marido em potencial, o caminho natural de Ada foi aceitar a ajuda de Agnes quando a irmã se mudou para Nova York. A relação das irmãs, de próxima passou para de co dependente, sendo que Agnes a cada dia contava mais com o apoio e companhia de Ada. A irmã estava presente quando Agnes deu à luz Oscar, mas só passou a viver com os Van Rhijns em 1872, depois que o cunhado morreu.
O carinho que Oscar tem pela tia confirma que ele cresceu com “duas mães”. Agnes e Ada se completam: uma é cínica e desconfiada, a outra é dócil e aberta. A moeda de troca era mais do que psicológica, era material e com isso Agnes se mantinha liderando a família. Ou assim pensava.


Ada sempre soube como lidar com a irmã e ainda fazer o que queria. A presença de Marian na casa dos Van Rhijn foi um plano seu, salvando a sobrinha da pobreza e ao mesmo tempo ganhando uma nova companhia.
A personalidade de Marian, que lembra Agnes o irmão Henry, foi o primeiro passo de rebeldia de Ada. Sim, ela tentava “ensinar” a Marian que as regras rígidas de Agnes faziam mais sentido do que pareciam, e que sim, era possível driblar-las sem necessariamente encarar um confronto direto. Foi o tempo que foi ganhando para sua grande virada na 2ª temporada.
Ada apoia Marian, mas sua estratégia pessoal foi mais efetiva
Ada apoiou a paixonite de Marian pelo golpista Tom Raikes (Thomas Cocquerel), um que apenas Agnes (e eu!) sacou de longe como mau caráter. No entanto, Ada nunca quis ou deixou que Marian corresse riscos desnecessários. Com calma chegaria lá, dizia, mas jovens têm pressa.

A estratégia de como Ada lidava com Agnes ficou clara: ir pelas beiradas, quase passiva agressivamente fingindo jogar o jogo, mas buscar o que quer. Ada não é esnobe como Agnes, mas não se esforça para antagonizar a irmã. Encobriu várias oportunidades de risco para Marian, sendo a pior e mais perigosa de todas quando a sobrinha ia fugir com Raikes para um casamento escondido. A sorte foi que outra candidata rica apareceu antes que Marian ficasse exposta.
Ada ama tanto a sobrinha que guardou mágoa pela primeira vez, quase destratando Tom Raikes no baile dos Russells quando o reencontrou. Seu carinho também esteve presente quando, na segunda temporada, viu que Marian estava se submetendo a uma união sem amor para atender as expectativas das tias. E a encorajou a não desistisse do amor verdadeiro. Afinal, a essa altura, Ada poderia ser o exemplo que valeria esperar.

Luke Forte: amor na maturidade, uma paixão inesperada
O paradoxo de Ada Brook era que ela torcia pelo amor, mesmo sem nenhuma chance de encontrar para ela mesma, por conta da idade avançada. Quando conheceu o reverendo Luke Forte (Sean Patrick Leonard), a última coisa que esperava era a mudança que ele viria trazer para sua vida.
A empolgação de Ada por Luke despertou a desconfiança e ciúmes em Agnes, mas ela não teve controle do destino. Como reitor da Igreja Episcopal de São Tomás e descendente da Família ítalo-americana Forte, de Boston, Massachusetts. Luke e Ada se entenderam imediatamente.
A essa altura, sabendo que Agnes sempre criaria impecilhos, Ada agiu sozinha. Em poucos meses, ela e Luke se apaixonaram e se casaram. Agnes ficou indignada, Oscar e Maria, emocionados. Ada em momentou algum cedeu à pressão, dessa vez seria feliz. E foi.

Forte, como no nome, tem a força
Luke encarou as ameaças de Agnes de frente e, sem querer perder tempo, pediu Ada em casamento, com ela dizendo sim. Agora era a Senhora Forte.
Porém não teve tempo de celebrar. Logo após o casamento, Luke descobriu que tinha câncer e faleceu em semanas. Agnes deixou de lado a pose e atitudes, quando Ada precisou, apoiou a irmã incondicionalmente, mesmo que tenha tido nada além de um breve período de felicidade. Nenhum olho ficou seco nesse momento.


Por causa de Ada, Marian conheceu Larry
Com tanta coisa acontecendo em sua própria vida, Ada não acompanhou o relacionamento que todos os fãs de The Gilded Age torceram desde o 1º dia: Larryan.
Ada é dona de um cocker spaniel batizaddo de “Pumpkin”, com quem é ligada e Marian igualmente se afeiçoa. Assim que chega em NY, Marian ajuda a tia levando o cãozinho para passear, mas, quando ele foge, é o vizinho Larry Russell (Harry Richardson) que salva o pet e estabelece uma amizade com Marian.

Marian e Larry ficaram grandes amigos e terminaram a segunda temporada trocando o primeiro beijo. Agnes não gosta da família dele porque são “novos ricos”, Ada é menos exigente. Larry não é traiçoeiro como Tom Raikes, mas não é de sobrenome tradicional como Dashiell Montgomery (David Furr), o pretendente desprezado de Marian.
O fato de que são perfeitos um para o outro não resolve o drama. O que está reservado para eles? Podemos contar que Ada vai tentar ajudá-los.
Ada vai salvar Agnes, mas também tomar o comando
Além da tristeza da tia, que ficou subitamente viúva antes mesmo de estar feliz como uma senhora casada, Oscar van Rhijn desafia Agnes a considerar seu julgamento. Assim como o tio Henry, que nem conheceu, ele caiu no golpe de investir em ferrovias e – de um dia para o outro – os Van Rhijn perderam TUDO em um golpe que ninguém pescou estar acontecendo com a falsa golpe de Maud Beaton (Nicole Brydon Bloom).


Quando todos estão desesperados, sem saber do futuro, vem a grande revelação: Ada herdou o lucrativo negócio têxtil da família Forte. Isso mesmo, agora Ada é uma viúva milionária. Não apenas passa a financiar a família pagando os empregados, agora é a nova matriarca. E Agnes? Como fica agora que quem manda mesmo é Ada?
Um grande papel para Cynthia Nixon
Para os fãs de Sex and The City e And Just Like That é parcialmente uma surpresa ver Cynthia Nixon em papel inverso ao de Miranda Hobbes, a advogada de personalidade forte que é dona do próprio nariz nas duas séries.

Uma grande atriz (e diretora), Cynthia começou a interpretar Ada Brook ao mesmo tempo que liderava uma mudança polêmica na vida de Miranda, uma das mais criticadas da primeira temporada de And Just Like That (quando passou a se envolver com mulheres) e era tão radicalmnete oposta à docilidade e timidez de Ada Brook que era difícil lembrar que era a mesma atriz.
Aos poucos, Ada foi ganhando espaço na trama, mostrando que não era tola como muitos achavam e hoje é efetivamente a mãe de Marian, a ajudando a navegar na complexa sociedade nova iorquina. Na terceira temporada, seu desafio será se impor à Agnes, acostumada a desfazer dela e humilhá-la pela dependência financeira. Como será a inversão dos papéis? Os fãs de The Gilded Age mal podem esperar!
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