Em The New Look veremos a rivalidade de Coco Chanel (Juliette Binoche) e Christian Dior (Ben Mendelsohn), nas passarelas e fora delas, sua mais famosa antagonista foi Elsa Schiaparelli, uma que os fãs de Moda já conheciam, claro, em especial os fãs de Barbie, sabem que se o rosa-choque foi popularizado por ela.
O interessante da série, boa parte graças a espetacular atuação de Juliette Binoche como Chanel, é perceber como a estilista francesa, de personalidade complexa, foi plantando cada um dos conflitos, seja por decisão própria ou consequência de outras decisões, provocadas por circunstâncias de Guerra. Entre elas, claro, está Elsa, e é interessante e importante entender essa treta que colocou duas mulheres criativas em oposição ferrenha.

Quem é Elsa Schiaparelli, que Chanel chamava de “aquela italiana”?
Nascida em 1890, no palácio Corsini, em Roma, Elsa Schiaparelli era descendente dos Médicis pelo lado de sua mãe, crescendo e circulando entre aristocratas e intelectuais europeus. Sonhava em atriz, escreveu poesias, estudou filosofia e sempre, SEMPRE, teve uma personalidade forte, conseguindo o que queria.
Schiap, como muitos a chamavam, foi viver em Londres pouco antes da 1ª Guerra Mundial e lá se apaixonou e se casou. A união a transportou para Nova York, onde, assim como na Europa, circulava entre intelectuais e pintores. Sua única filha, Maria Luisa Yvonne, nasceu nos Estados Unidos, mas quando teve poliomielite, a falta de dinheiro e a dificuldade pessoal acabou com o romance e logo ela retornou para Europa, que, na época, tinha tratamentos mais avançados para a doença da filha.
Foi nesse período que Elsa foi viver em Paris e passou a ter contato direto com a Moda. Tudo começou com a ida ao ateliê de Paul Poiret, que ficou encantado com o estilo da italiana. Daí para passar a desenhar, foi um passo. Os trabalhos como freelancer ganharam fôlego quando uma de suas peças fez sucesso, um pulôver com uma imagem “Trompe-l’oeil”.
De repente, Elsa tinha ateliês e escritórios no número 4 da rue de la Paix, no epicentro da moda parisiense, com peças esportivas e coloridas, além de outras ousadias que a definiram como inovadora. Em 1928 já vendia até nos Estados Unidos, em outros seis anos já estava na capa da Time.
A essa altura, estrelas como Viven Leigh, Greta Garbo e Marlene Dietrich vestiam sua marca e mulheres se identificavam com seu estilo. Mas a principal de todas? Wallis Simpson, duquesa de Windsor, a mulher mais famosa da época depois que provocou a renúncia de Eduardo VIII ao trono britânico.

Surrealismo e inovação ‘interrompidos’ pela Guerra
Elsa Schiaparelli tinha peças – literalmente – de Arte, mesclando surrealismo e estruturas de uma forma moderna e divertida. Sem esquecer que popularizou e batizou a cor rosa-choque, em 1937, com o perfume Shocking.
O choque mesmo veio com a 2ª Grande Guerra Mundial, quando a Itália se aliou à Alemanha e Japão. A cidadania de Elsa passou a ser um impecilho, que só piorou com a invasão nazista em Paris. Como os outros estilistas, ela tentou manter os ateliês funcionando e preservar empregos o máximo possível, mas não funcionou. Voltar para os Estados Unidos foi a alternativa.
Chanel é rival, Dior um aliado
Em The New Look, acrelação das duas ainda não ganhou corpo.
Elsa e Coco eram opostas em muita coisa, a começar pela básica Chanel que odiava rosa-choque e preferia preto ou branco. Ela competiam em um mercado acirrado e como sabemos, a competitividade era oxigênio em Paris.
Após a Guerra, a designer volta para Paris e contrata Pierre Cardin , que assina sua primeira coleção pós-guerra em setembro, com a silhueta de gola alta. Dois anos depois, é Hubert de Givenchy que passa administrar a marca, justamente na época em que Christian Dior lança o New Look, que tem o apoio de Schiaparelli (e a crítica de Chanel, claro).
Em 1951, Givenchy é escolhido por Schiaparelli como seu sucessor, mas ele logo sai para criar sua própria marca e Philippe Venet assume a posição de Givenchy.
Como Elsa morreu?
Aposentada, Elsa Schiaparelli morreu de causas naturais, enquanto dormia, em 1973, aos 77 anos, em Paris. Já tinha laçado sua biografia, Shocking Life e só mantinha a linha de perfumes. Elsa é avó da atriz Maria Berenson e uma das maiores influenciadores de estilistas atuais. Foi até tema do Met Gala em 2012 e de uma exposição no Metropolitan Museum of Art.
Nem tudo estará em The New Look, mas é bem mais fascinante quando sabemos, não é?
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