Embora não seja brilhante ou espetacular, The New Look é uma boa série. Talvez se o investimento de produção fosse maior e as sequências de rua não fossem obviamente de estúdio, com figurantes fracos, nos envolvesse mais. Ainda assim vejo qualidade.
Na reta final da série, ainda se agarrando à esperança de rever sua irmã, Catherine (Maisie Williams), Christian Dior (Ben Mendelsohn) está voltando a sorrir, a manter a esperança. Como nos episódios anteriores, personagens famosos da época circulam na tela, no caso Edith Piaf, cantando sua “nova” canção: La Vie En Rose que é perfeita para o episódio.

A valsa que embala corações apaixonados
A valsa melosa de La Vie En Rose é fácil de fixar na nossa memória e ela traduz com precisão uma sensação de estar apaixonada, de ver tudo cor-de-rosa… como o céu de Paris. Naquele período, nos primeiros anos após quatro anos de guerra, a destruição era visível nas ruas e nas pessoas, qualquer coisa que as aliviasse da dor era bem-vindo.
Composta por Louis Guglielmi, a própria Piaf escreveu parte da letra e sem surpresa a canção virou uma de suas assinaturas, virando sucesso mundial rapidamente. Como o título diz – a vida é rosa – é mesmo sobre passar a ver o cenário devastador com a vontade de resgatar felicidade.
Uma canção desperezada que virou um hino
La Vie En Rose foi escrita em 1943, mas só foi lançada como um single em 1947, rapidamente virando um dos mais vendidos da época. Antes disso, em 1945, reza a lenda que Piaf estava com sua amiga, Marianne Michel, no terraço de um café em Paris e Marianne pediu à cantora ma ajuda para terminar uma letra, sendo que Piaf então escreveu a maior parte do que hoje conhecemos como música. Curiosamente, foi Marianne a primeira a cantar e gravar a versão inicial, mas ninguém na época achou que seria um sucesso, inclusive dizendo para a cantora que era a mais fraca no seu repertório.
Tudo mudou quando a própria Piaf revisitou a canção, em 1946, depois de deixar a música de lado por algum tempo. Claramente, sabia que havia algo especial nela. Em 1946, já na versão que conhecemos hoje, ela cantou La Vie en Rose ao vivo pela primeira vez, como The New Look mostra. E, a partir daí, la Mômme deixou de ser apenas uma estrela francesa para se tornar uma das cantoras mais adoradas ao redor do mundo.
Versão em inglês, gravadas em filmes também
Como fez com algumas de suas canções, Piaf gravou uma versão em inglês da canção e com isso entrou no mercado americano, vendendo mais de um milhão de cópias. Falar da alegria de encontrar o amor verdadeiro era um apelo que ressoava com os sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, incluindo voltar a ver a vida com um olhar mais positivo.
Em 1948, Piaf cantou a música no filme francês, Neuf garçons, un cœur, e, a partir daí, vários cantores regravaram a canção, seja no oficial em francês ou na versão em inglês, incluindo Nick Cave, cuja versão fecha o episódio.

Em The New Look, nem tudo são flores ainda
Em mais um episódio que destaca a doçura da personalidade de Dior em contraste às decisões aparentemente desastradas e desastrosas de Coco Chanel (Juliette Binoche), em um espelho nada simpático à estilista, lutando com os medos e consequências de suas escolhas durante a Guerra.
Segundo vemos, Chanel – assim como Dior – escolheu se arriscar para poder salvar a vida de seu sobrinho, e, de quebra, resolver os problemas sérios que tinha com seus sócios, que eram judeus e fugiram para os Estados Unidos.
The New Look não se aprofunda nos exatos conflitos criativos ou financeiros que a colocou no cenário de litígio, destacando que todas suas escolhas foram impetuosas e impensadas (até certo ponto). Isso faz falta porque a Chanel de Binoche está quase cômica em seu desespero, é mesquinha, é egocêntrica e um tanto incompreendida. Assim como Pierre Balmain parece um homem extremado, Pierre Cardin um palhaço, apenas Christian Dior é sensível, leal, e talentoso. Se no início não chegava a incomodar, agora já está ficando um tanto cansativo.

Da mesma forma o desgaste entre Dior e seu chefe, Lucien Lelong (John Malchovich) não deixou claro como avançou para o momento no qual eles vão romper. Lelong sempre dependeu de designers para ter sua marca, Balmain saiu por isso para ter sua própria assinatura e quando vemos Dior fazer o mesmo, fica um tanto cinzento. Mas, como sabemos, a série não é sobre isso.
O reencontro emocionante e o desfile do ‘new look’ só virão na próxima semana. Será que emociona mais?
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