Os atores mais premiados do Oscar

Semana de Oscar, vale relembrar as trivias que só vêm à tona quando o vencedor da noite sobe no palco e começamos a ouvir que “fulano fez história”, etc.

Há uma coisa curiosa. Entre as atrizes, há um certo “domínio” de estrelas no topo, mas parece ter mais diversidade a cada ano. Entre os atores, uma vez ele entre no Clube, é meio que repetir ao longo dos anos. Não acredita? Veja aqui.

Em 96 anos, há apenas dois com 3 Oscars

Jack Nicholson
É incrível que embora pensemos em Robert DeNiro ou Daniel Day Lewis como os mais queridos do Oscar, o mais premiado é Jack Nicholson acumulando 3 Oscars desde 1975. O primeiro foi por Um Estranho no NInho, depois veio como coadjuvante por Laços de Ternura, em 1982, e, finalmente, um outro papel inesquecível em 1997 com Melhor é Impossível.

Há tantas outras atuações incríveis de “Jack”, que ele é o ator com o maior número de indicações entre os homens: 12, igual à Katherine Hepburn, mas menos que Meryl Streep (21). Ainda assim, a coroa de maior prestigiado da Academia é dele com pouca ameaça.

Daniel Day-Lewis
O ator britânico é uma unanimidade, mas não é hor concours, teve suas derrotas também. Foi indicado nada menos do que seis vezes, o que, para sua pouca frequência nos sets de filmagens praticamente o coloca indicado assim que trabalha. E que atuações!

Daniel tem três Oscars: Meu Pé Esquerdo (1992), Sangue Negro (2007) e Lincoln (2011). Sua aposentadoria indireta tira a pressão de Jack Nicholson no ranking.

Quem ganha 1, ganha 2?

Se você realmente se destaca entre os homens, quem “ganha 1 ganha 2” pode ser uma “regra” entre os atores homens uma vez que entrem no hall de vencedores. O grupo não é grande, mas tem peso em nomes.

Tom Hanks
Tom Hanks tem menos estatuetas que Nicholson, mas um recorde que nenhum outro ator conseguiu: ganhou duas vezes seguidas o Oscar de Melhor Ator. Ele emendou Philadelphia (1993) com Forrest Gump (1994) e tem sido favorito sempre que é indicado, e foram seis no total.

Robert DeNiro
Seria normal de compará-lo à Meryl Streep como um dos melhores atores de sua geração, mas Meryl teve mais indicações e prêmios. DeNiro foi indicado sete vezes, ganhou em 1974 como Ator Coadjuvante por O Poderoso Chefão 2, o mesmo papel que dois anos antes rendeu a Marlon Brando o Oscar de Melhor Ator. Depois disso, embora até hoje choque por ter perdido por Taxi Driver, foi por Touro Indomável, em 1980, que lhe deu o reconhecimento de Melhor Ator. Depois disso, nada. Já estaria na hora, não acham?

Marlon Brando
Falamos do Deus da atuação nos Estados Unidos, o ator a quem rendem os créditos de uma atuação menos teatral, focada no ‘método’: Marlon Brando. Pois é, santo de casa não faz milagre. Ele tem dois Oscars de Melhor Ator: por Sindicato do Crime, de 1954 e por O Poderoso-Chefão, em 1971. Curiosamente, o papel que o fez famoso no teatro e no cinema, Stanley Kowalski de Um Bonde Chamado Desejo rendeu uma das suas oito indicações, mas nenhum Oscar.

Denzel Washington
Denzel é a maior referência para os atores negros na História. Sidney Poitier abriu a porta ganhando como Melhor Ator antes, mas nenhum ator ou atriz negros conseguiram ainda dois Oscars, o que é bizarro. Nem se fala que entre atrizes, apenas Halle Berry ganhou na principal categoria. Entre os homens há mais vencedores como Melhor Ator, mas Denzel ainda é o mais vitorioso. Seu primeiro foi por Glória, em 1989, como Ator Coadjuvante e o segundo foi por Dia de Treinamento, em 2001, como Melhor Ator. Ter sido indicado 9 vezes até agora mostra o quanto o trabalho de Denzel Washington é significativo e que ele pode ainda fazer mais. Torço que sim.

Sean Penn
O ator Sean Penn tem uma relação controversa com a Academia. Era avesso às festas e nas suas primeiras indicações nem deu as caras. Aí fez Sobre Meninos e Lobos com Clint Eastwood, em 2003 e ganhou como Melhor Ator. Cinco anos depois voltou a vencer na mesma categoria, por Milk: A Voz da Igualdade. Em cinco indicações duas vitórias. Ele pode não curtir o Oscar, mas o Oscar gosta de Sean Penn.

Spencer Tracy
Acho curioso falarem da naturalidade da atuação de Brando sem lembrar do jeito aparentemente casual de Spencer Tracy como ator. Ele sempre foi nada menos do que genial. Deveria ter tido muito mais do que apenas dois Oscars, ainda mais que foi indicado nove vezes. Só teve chance nos anos 1930s, aparentemente, quando foi ganhou dois anos consecutivos em 1937, São Francisco, a Cidade do Pecado (Captains Courageous) e 1938, por Marujo Intéprido (Boys Town).

Anthony Hopkins
Anthony Hopkins estava em muitos filmes de sucesso antes de entrar no radar internacional como o inesquecível Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes, em 1992. Daí vieram várias indicações até que, em 2020, surpreendeu muitos que achavam que o Oscar faria uma homenagem póstuma a Chadwick Boseman, mas sua atuação como um homem lidando com demência, no filme Pai, foi tão arrasadora que houve quem achasse que ele estivesse mal mesmo. Dois Oscars, seis indicações. Ele é um dos mais homenageados.

Jack Lemmon
Jack Lemmon era um ator adorado pelo público e pelos colegas em igual medida, mas só ganhou duas das oito vezes que foi indicado. Em 1954, como Melhor Ator Coadjuvante por Mister Roberts e depois em 1973 por Sonhos do Passado (Save the Tiger). Merecia pelo menos mais dois Oscars, por O Apartamento e Quanto Mais Quente Melhor, talvez até mais um por Síndrome da China, mas é uma opinião muito pessoal.

Dustin Hoffman
A veia cômica de Dustin Hoffman só ficou mais conhecida quando ele ficou mais velho, ele era o sinônimo de ator intenso e complexo. Os dois papeis que lhe renderam os dois Oscars mostram isso: em 1979 com Kramer Versus Kramer e em 1988 por Rain Man. Assim como Lemmon, podemos listar várias surpreendentes esnobadas como Perdidos na Noite, em 1969 e Maratona da Morte, em 1976. O que acham?

Frederic March
Um dos maiores atores dos anos de ouro de Hollywood foi Frederich March, que ganhou duas vezes domo Melhor Ator, uma em 1931 com O Médico e o Monstro e depois em 1946 com Os Melhores Anos de Nossas Vidas.

Gary Cooper
Ídolo em seu tempo, um ator emotivo e de poucas palavras, ganhou como Melhor Ator duas das cinco vezes que foi indicado: em 1941 por Sargento York e depois, em 1952, por Matar ou Morrer (High Noon).

Gene Hackman
Os anos 1970s ajudou os atores que não eram tidos como bonitos e Gene Hackman sempre, sempre entergou atuações brilhantes. Há 50 anos, com o inovador e violento Conexão França, de 1974, ele foi eleito o Melhor Ator do Ano. Foi indicado outras quatro vezes (cinco no total), e seu último Oscar foi roubando a cena como coadjuvante em Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood, em 1992.

Kevin Spacey
Os escândalos sexuais envolvendo seu nome deram uma freada brusca numa trajetória incrível de Kevin Spacey, especialmente desde que ganhou o Oscar como Melhor Ator Coadjuvante por Os Suspeitos, em 1995 e finalmente como Melhor Ator em 1999, por Beleza Americana. A ver se haverá rendenção para ele.

Na categoria de Coadjuvantes, figuras repetidas

Walter Brennan
Se você não aficcionado por história do cinema passaria batido por Walter Brennan, mas nos anos 1930s e 1940s ele era um dos favoritos da Academia. Ganhou nada menos do que TRÊS Oscars como Ator Coadjuvante: em 1936, por Meu Filho É Meu Rival (Come and Get it); em 1938 por Romance do Sul (Kentucky) e finalmente, em 1940, por O Galante Aventureiro (The Westerner). Sua última indicação foi a única que perdeu, em 1942, também como coadjuvante, por Sargento York (na refilmagem rendeu à Jack Lemmon o Oscar).

Michael Caine
Popular nos filmes dos anos 1960s e 1970s, quando Michael Caine levou o Oscar de Ator Coadjuvante por Hannah e Suas Irmãs, em 1986, parecia justo. Porém, para mim, em 1999 ele tirou injustamente de Tom Cruise em Magnólia o Oscar de Ator Coadjuvante por Regras da Vida (The Cider House Rules). Ainda mantenho minha opinão, ainda mais que no discurso ele cutucou Tom alegando que atores mais velhos “precisam do reconhecimento do Oscar” porque ele já tinha o domínio das bilheterias. Ficou engasgado para mim. Para Tom? Já seguiu em frente.

Anthony Quinn
A figura grandiosa de Anthony Quinn e sua habilidade de interpretar diferentes etnias rendeu ao ator o Oscar de coadjuvante duas vezes: por Viva Zapata, em 1952 e Sede de Viver (Lust for Life), em 1956. Pois é, o chamamos de Zorba, o Grego mas essa indicação não rendeu a estatueta. Não é curioso?

Melvyn Douglas
Outro nome de um ator que ganhou duas vezes o Oscar de Coadjuvante que poucos lembram. O primeiro foi em O Indomado (Hud), em 1963, e depois o maravilhoso Muito Além do Jardim (Being There), em 1979.

Peter Ustinov
O inglês Peter Ustinov, com sua voz rouca e inflexão curiosa é lembrado por mim como o detetive Poirot nos cinemas, mas foi com Spartacus, em 1960 e depois com Topkapi, em 1974, que ele assegurou seus dois Oscars. Em toda sua carreira só perdeu uma vez. Incrível, não?

Jason Robards
Sou grande fã da atuação contida de Jason Robards, de Era Uma Vez no Oeste até seus dois Oscars: em 1976, por Todos os Homens do Presidente e no ano seguinte, por Julia.

Christoph Waltz
Há quem diga que as duas indicações do ator austríaco, ambas em filmes de Quentin Tarantino, eram por papéis parecidos. Na verdade, inversos. Em 2009 ele venceu por Inglórios Bastardos interpretando um nazista cruel, em 2012, em Django, um homem lutando por escravos. Ele pode voltar a pintar pela cerimônia se trabalhar de novo com Tarantino, que gosta de manter os mesmos atores por perto…

Mahershala Ali
A voz calma e os olhares profundos de Mahershala Ali rendem atuações emocionantes e suas duas indicações, ambas como coadjuvante, deu show. Ganhou em 2016 por Moonlight (o ano da derrota de La La Land) e depois em 2018, por Green Book: O Guia. Hoje é o único ator negro que pode alcançar o patamar de Denzel Washington. Eu considero super merecido!




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