Não há nenhum momento que não seja urgente em Amanhã é Amanhã e enquanto nossos olhos ocidentais seguem a evolução da relação de Blackthorne (Cosmos Jarvis) e Mariko (Anna Sawai) é a sua conexão com Toranaga (Hiroyuki Sanada) que vem sido fortalecida. O navegador ainda não sabe, mas seu destino se define nessa viagem.

O terceiro episódio de Xógun mantém a qualidade da narrativa e de produção, mantendo a grandiosidade da história. Toranaga e seu antagonista, Ishido (Takehiro Hira) é um jogo de xadrez onde ele no momento o deixa em desvantagem e cativo no castelo de Osaka. Para sobreviver, ele precisa agir e vale (quase tudo) na fuga.
Nosso Littlefinger da vez é Yabushige (Tadanobu Asano), que está se aproveitando a inimizade dos dois conselheiros para subir no seu jogo de poder. Ele age quase transparentemente para ambos, e sua lealdade serve apenas à si mesmo, mas é usada de tal forma pelos lados opostos que nos confundem. Desculpem o spoiler: Yabushige é perigoso. Ele não é ardiloso como o estrategista do mal de Game of Thrones: ele dança de acordo com a música, mas controla o repertório.
E Toranaga, claro, sabe exatamente onde está pisando com Yabushige, por isso avisa ao vassalo que sabe de seu acordo com Ishido. A traição seria motivo para morte, no entanto o (futuro) xógun propõe algo mais arriscado e paradoxalmente simples: que ajude a tirar sua esposa, Lady Kiri, e o estrangeiro para a vila de pescadores de Ajiro, em troca de aumentar o feudo de Yabushige. Depois do atentato à vida de Blackthorne, está claro que os Portugueses o querem morto e se isso ajuda Ishido a matá-lo também não é mais possível ficar em Osaka.
A fuga é o que toma o episódio, revelando mais uma vez a esperteza de Toranaga e como ele sabe usar as peças como necessário. Num piscar de olhos – se você não souber o que busca não entende – ele troca de lugar com a mulher e é ele quem escapa de Ishido sem que ninguém soubesse de seu plano original. Mariko e Blackthorne são os únicos que vêem o que está acontecendo e ele é tão rápido e esperto quanto seu captor. Usando sua inabilidade de entender as diferenças culturais cria o confronto necessário para distrair os homens de Ishido e Yabushige e quando descobrem o que houve, já é tarde, Toranaga está a caminho de Yedo.

Mariko é a tradutora para Blackthorne e a plateia porque ela compartilha a dica de que Toranaga “sé famoso por seus truques” porque desde criança aprendeu que “inimigos estão em toda parte e os amigos em lugar nenhum” quando foi vendido como refém por sua própria família. É a maneira filosófica de explicar que como sobrevivente, Toranaga pensa em si próprio acima de tudo, como ele deixa claro na conversa com seu filho com a dica que a vida não é “um jogo de amigos e inimigos”, mas um vale tudo onde apenas você mesmo determina o resultado.
As iniciativas de Blackthorne de ajudar Toranaga, depois de tê-lo defendido no atentado, vão conquistando o coração do xógun e de Mariko. Se no caso dela é mais obvio que o romance está sendo desenhado no ar, a amizade dele com Toranaga é menos clara. O xógun usa o inglês como moeda de troca com os Portugueses embora a essa altura a gente já conte que ele considere que Blackthorne um sobrevivente astuto, sempre pode chegar o dia que isso não dê certo, como vemos em seguida que é o que acontece com Buntaro (Shinnosuke Abe).
O odiado marido de Mariko se sacrifica para ajudar a fuga de Toranaga, que agradece a ele, mas não compromete sua segurança pela dele. Sim, Mariko está viúva e é ótimo timing, afinal Blackthorne já contou que deixou mulher e filhos na Inglaterra há muitos anos, isso porque sua paixão é mesmo o mar. Essa história dos dois vai se desenvolver em breve.

Voltando à última parte do episódio, sabemos que, se confrontado com o tudo ou nada, Blackthorne age e por isso consegue resultados inesperados. Como Toranaga imaginava, ele consegue e por isso faz do inglês seu Hatamoto (um líder militar de alto escalão). É uma grande honra, mas os homens têm um entendimento tácito. Toranaga mostra para Blackthorne que tem em mãos as provas da pirataria que custaria a vida do inglês, mas que traduzir tudo leva tempo (um que ele não dará prioridade) e pede então que Blackthorne pegue as armas que salvou e treine um regimento em “táticas estrangeiras”, com a ajuda de Yabushige e Nagakado. Ah, sim, quer aprender a mergulhar também.
E com isso concluímos mais de uma vez de forma brilhante: Toranaga não apenas escapou de Ishido como anulou sua movimentação de tirá-lo do conselho. Ele abdica de sua posição, mas isso não ajuda seu oponente. Ao contrário, como Taikō determinou que cada votação do conselho precise de cinco membros, eles agora estão presos em um impasse e não podem fazer nada até que adicionem um novo membro. Toranaga ganhou tempo e amarrou as mãos de Ishido. Como o conceito do título amarra, “Amanhã é amanhã”, mas hoje Toranaga se concentra em aprender outras táticas. O tempo pode ser controlado se souber usá-lo a seu favor.
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