Quem estuda idiomas sabe que há sempre, mesmo fluente, de cometer erros de tradução. Dessa forma, sem surpresa, a velocidade com John Blackthorne (Cosmo Jarvis) está aprendendo japonês (usando seu português em vez do inglês) era um prenúncio para algo trágico no caminho. E a dificuldade de comunicação é um dos piores desafios para os nossos protagonistas em Xógun.
Sem surpresa, quando Toronaga (Hiroyuki Sanada) volta a Ajiro, e encontra o cenário sangrento da semana passada ele fica irritado. Nem tanto com a ‘antecipação’ da guerra, mas pelo fato que seu filho, Nagakado, foi facilmente manipulado por seus inimigos. Como ele explica, tudo que é preciso é conhecer as pessoas para deixá-las agir, preferencialmente, a seu favor. E é o que Toronaga faz: usa todos o tempo todo, apenas os posicionando para serem eles mesmos. Não falha.

A ‘sombra’ entre Mariko e Blackthorne
Sim, a resposta sobre quem estava na escuridão do quarto no episódio passado? Mariko (Anna Sawai). Embora ela e Blackthorne achem que estão disfarçando, tá todo mundo mais do que sacando que está rolando entrte eles. Mas não há tempo para celebrar. Toronaga retorna com um exército e ninguém menos do que o desagradável Buntaro, que afinal está vivo. Isso mesmo, a viuvez de Mariko não poderia ter sido mais curta e decepcionante. Um grupo de roninssalvou o marido dela e agora a tensão ficou ainda pior entre eles.
Para piorar tudo, Toronaga pede a Mariko que continue como intérprete de Anjin/Blackthorne e Buntaro vai viver com eles também. Buntaro é um guerreiro corajoso e hábil, mas um marido abusivo, algo que a convivência com Blackthorne só faz despertar o pior nele.
Os dois disputam o comando da casa o que deixa Mariko em sério risco físico, algo que o arrogante e machão Blackthorne demora a perceber.

Quanto mais o piloto desafia Buntaro, deixa mais claro que há algo entre ele e Mariko, o que deixao samurai alucinado de ódio. Ele força a esposa a contar o motivo de sua “vergonha”: o pai dela é um Jaime Lannister/Jon Snow da série, no passado, quebrou as regras mais sagradas dos samurais e assassinou um senhor brutal, mas pelo bem do reino. Como consequência, ele tinha que terminar sua linhagem e cometer seppuku, mas Mariko, recém casada com Buntaro na época, foi “poupada” e forçada a viver com a vergonha. Isso obviamente pesa na relação tóxica do casal. E Blackthorne ficou ainda mais chocado com os códigos de honra japoneses, irritado até, sem imaginar o quanto ainda ficaria mais.
Quando Buntaro descarrega sua ira dando uma surar em Mariko, Blackthorne mais uma vez age sem pensar. Ela implora que não faça nada, mas ele não pode. Desafia Buntaro que usa o argumento da bebedeira – incidata pelo piloto – como desculpa pelo mal comportamento. Blackthorne logo vê que o samurai escolheu poupá-lo, afinal Toranaga tem planos para ele. Só Mariko que o pune: de agora em diante só se relacionarão quando ele precisar de tradução. Sorte dele é que é sempre.
O comando truncado de um estrangeiro
Toranaga presenteou Blackthorne com um faisão, que ele tenta preparar para um ensopado, mas com isso fica exposto e apodrece fora de sua casa, algo que nenhum local consegue entender a razão. Sem Mariko por perto nessa hora, ele tenta se virar com o japonês que aprendeu e avisa que ninguém pode tocar no pássaro, “senão morre”. Fuji fica chocada com a ordem, mas todos obedecem.
É o que Blackthorne não capta na diferença cultural de uma sociedade que segue ao pé da letra os comandos. O faisão vai criando problemas imperceptíveis para Blackthorne, ao ponto que a tragédia o surpreende. Uejiro (Junichi Tajiri), o jardineiro, que é o funcionário favorito de Blackthorne, se oferece para se livrar do pássaro e depois se matar por desobedecer ao Hatamoto. Isso choca ao piloto – e a nós, claro – mas mais uma vez tem outro contexto (mais à frente).

Com Mariko sendo humilhada e abusada, Uejiro se matando e Fuji sendo forçada a viver com ele, é demais para um ocidental e ele pede a Toronaga para ir embora. Chega de Japão para ele… eis que vem, literalmente, um terromoto.
O terreno instável da sociedade japonesa
Enquanto Blackthorne ainda sofre para se adaptar, Toronaga adapta sua estratégia para ganhar tempo. Sua saída do Conselho funcionou e encontrar um substituto é complexo pois há muita tensão entre os senhores. Ishido recebe a cabeça de Jozen e terá que responder à altura.
É o que irrita Toronaga, que é atualizado por Yabushige de tudo que aconteceu. Isso resulta em mais um confronto sobre lealdade, porque Toronaga sabe que ele está jogando dos dois lados. Yabushige nega ter influenciado o filho de Toronaga a matar o general de Ishido, e admite que talvez tenha sido seu sobrinho, Omi. Em vez de mandar puni-lo, Toronaga o promove, o que incomoda Yabushige, mas o que o que irrita ainda mais é que Toronaga sempre está muito bem informado, portanto tem um espião que o mantém atualizado. Yabushige e Omi estão determinados a descobrir quem é, o que força a Toronaga a “entregar” alguém para poupar o verdadeiro informante. Sabe quem acaba sendo acusado? Sim, Uejiro, que já está morto e é identificado como o espião. Por hora, mais uma vez, Toronaga está à frente.

Se a superfície parecia calma logo o terremoto sacode tudo. Os homens começam a cair da montanha e o próprio Toronaga é soterrado, com Blackthorne mais uma vez o salvando, em seguida corre para verificar Fuji, que está ferida, mas viva. A conexão está se formando entre eles.
Agora sabemos que Muraji não é um pescador humilde fiel à Toronaga, mas um samurai infiltrado trabalhando em uma missão secreta para o xógun. Ele usa a morte de Uejiro, assim como o terremoto, para plantar provas incriminatórias e enganar Omi e Yabushige.
A aliança contra Toranaga em Osaka
A surpresa do episódio – intenso – é outra. Ochiba, viúva do daimyo e mãe do Herdeiro, volta a Osaka, depois de uma estadia “prolongada” com Toronaga. Se tínhamos dúvida se há mágoas, logo percebemos que é um sonoro SIM. Ela não apenas assume o comando do conflituoso conselho, mas se une a Ishido contra Toranaga. E ela quer GUERRA. Vai ser sangrento!

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