Daenerys Targeryen, também conhecida como Daenerys Stormborn da Casa Targaryen, a Primeira de Seu Nome, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, Protetora dos Sete Reinos, a Mãe dos Dragões, a Khaleesi do Grande Mar de Grama, a Não Queimada, a Quebradora de Correntes e a Rainha das Cinzas, devemos lembrar, é uma das personagens da ficção mais adora do século 21, com adoradores e defensores apaixonados por seu legado que estão prontos para manter seu nome diariamente como um dos mais populares no Google Trends.
A 79 dias da estreia da segunda temporada de House of the Dragon, a última Rainha Targaryen ainda é minimamente polêmica. Sua conclusão na história divide os fãs: ela inverteu seu arco de salvadora para destruidora, de popular à sedenta por Poder e foi assassinada depois de destruir a King’s Landing. Já avalie seu arco algumas vezes, porém como Rhaenyra Targaryen é frequentemente comparada à Dany, vale rever. Sua complexidade não gera respostas fáceis ou definitivas, mesmo que vale tentar.

Nascida na Tormenta, turbulenta como seu berço
Daenerys Targaryen é uma personagem proeminente da saga As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, assim como da adaptação televisiva Game of Thrones. Também conhecida como Dany, é inicialmente retratada como uma personagem tímida e submissa, a filha mais nova do deposto Rei Aerys II Targaryen, conhecido como o Rei Louco, ela começa a série no exílio das Cidades Livres, em Pentos, longe de sua casa ancestral, Dragonstone, em Westeros. Daenerys e Viserys fugiram ainda muito novos – no caso, ela nada além de um bebê de colo – porque na Revolta de Robert Baratheon não apenas sei pai foi morto como queriam eliminar todos os Targaryens da face da terra. Com menos de 20 anos, ela está sob o controle de seu abusivo irmão mais velho, Viserys, que cresceu obcecado em recuperar o trono e a Coroa de sua família .

Para Viserys, que se auto intula como “o último dragão”, Dany é apenas mais uma peça no tabuleiro e, para ter um exército e voltar para Westeros recuperar o que foi tirado de sua família, ele vende Daenerys em um casamento forçado com Khal Drogo, um poderoso senhor da guerra Dothraki. Como apoiadora de Viserys, Dany aprende a se afirmar e começa a abraçar sua identidade Khaleesi. Porém, após as mortes de Viserys e de Drogo, Daenerys emerge como uma líder forte e independente, determinada a recuperar o Trono de Ferro, mais ainda porque ela decifrou como eclodir seus três ovos de dragão, tendo agora armas que há séculos tinham sumido. Como bombas nucleares que fazem as pessoas tremerem.

O longo caminho até o trono
Popular entre os menos favorecidos, Daenerys é identificada por um forte senso de justiça e sonho de ser uma governante benevolente. Entre as suas prioridades está acabar com a escravatura e proteger os vulneráveis e oprimidos, não importa o preço. Desde o início há conflitos de interesse pois ainda quer ser “Rainha”, e seu idealismo e determinação muitas vezes a levam a tomar decisões impulsivas, que podem ter consequências terríveis, e nunca estão 100% alinhadas com a Monarquia.

O paradoxo frequentement cruza seu caminho e o fardo da liderança, assim como as complexidades do exercício do poder, frequentemente são pesados. Ela tem que equilibrar intenções nobres com decisões pragmáticas, nem sempre alcançando um equilíbrio. A jornada levanta questões importantes sobre a natureza do poder, a ética da liderança e os perigos potenciais da ambição desenfreada.
Como mulher, o oposto de seu pai e irmão
Daenerys não chegou a conhecer o irmão mais velho, Rhaegar, que foi assassinado por Robert Baratheon, mas cresceu ouvindo histórias idealizadas dele. Sobre seu pai, Aerys, ela sabe da má fama, mas pessoalmente acredita que seja propaganda dos inimigos. Para ela, os Targaryens fora traídos e o trono foi ursupado, nada além disso.
Um dia voltarão “para casa”, ela sonha, com Viserys assumindo o trono de seu pai.

Sem nenhum outro parente ou amigo, Daenerys cresceu com medo de Viserys, que é abusivo e cruel, muitas vezes a tratando apenas como uma ferramenta. Seu irmão nem disfarça que tem pouca consideração pelo bem-estar ou pelos sentimentos dela, o que alimenta um ressentimento em relação a ele.
Uma vez casada, Daenerys cresce em poder e confiança, e logo ela começa a o irmão como ele realmente é: um homem fraco e desesperado, agarrado a um sonho de poder e glória que ele nunca poderá alcançar. Como resultado, ela começa a sentir uma mistura de pena e desprezo por Viserys.
À medida que a história avança, todas as falhas de Viserys, particularmente a sua crueldade, direitos e falta de habilidades de liderança ficam cada vez mais óbvios. Paralelamente, Dany começa a ganhar seguidores e percebe que pode ser uma governante melhor do que Viserys.


O casamento com Drogo evoluiu rapidamente e surpreendentemente em amor genuíno, especialmente depois que ela engravida. E é quando Viserys ameaça a sua vida e a vida do seu filho ainda não nascido, que Daenerys muda. Drogo condena o cunhado à morte e ela observa calmamente enquanto o seu marido, o executa derramando ouro derretido sobre a sua cabeça. É o primeiro sinal do completo distanciamento emocional que Dany pode ter, mas, acima de tudo, é quando “aceita seu destino” de ser a última Targaryen e a que vai recuperar o trono para sua família.
A partir desse momento, há um grande risco que parece inofensivo. À medida que vai ganhando Fama e Vitórias, Daenerys cai na armadilha de Viserys, a de reforçar a lenda e perder o senso de onde está a fronteira do imaginário e da realidade. Tanto nos livros As Crônicas de Gelo e Fogo como na série Game of Thrones, o arco de Daenerys Targaryen passa a ser sua crença de que é a legítima rainha do Sete Reinos. Ela precisa voltar para Westeros, conquistar seus súditos e vingar os Targaryens.
A conquistadora e a quebradora das correntes
Na 1ª temporada, Daenerys não tem controle sobre sua própria vida, por isso as alianças que vai construindo são tão relevantes para ela. A cada uma ela reforça sua convicçãos sobre o seu direito de governar os Sete Reinos, mas, mais perigosamente, de a sua capacidade de criar um mundo melhor. Daenerys torna-se uma conquistadora, libertando cidades e adquirindo exércitos. Todos a seguem voluntariamente, por isso não percebe que a gratidão pode ser expressada sem se juntar à sua causa.

Aos poucos, para os bons observadores, vamos vendo que apesar das suas intenções de manter imparcialidade e justiça, ela elimina quem se opõe à ela. Ou seja, seu desejo de poder absoluto parece crescer em vez de diminuir. Em mais de uma oportunidade, Daenerys é confrontada por sua hipocrisia e frequentemente força a mão para provar seu ponto.
De doce e tímida, vai ficando esperta e decidida. assim como implacável. O que não a impede de ter um traídor entre seu círculo mais íntimo. Como é “guerra”, ela também tem perdas de seu lado, o que vai tirando importantes conselheiros justamente quando ela mais precisa deles. Quando finalmente volta para Westeros tem três grandes dragões, exército de milhares e algumas casas a apoiando. Daenerys esperava resistência dos Nobres, mas, pela primeira vez, o Povo não se apaixona por ela imediatamente. O ego desprotegido da Rainha não estava pronto para esse golpe.
Amores e séquito de admiradores colaboraram para o mito
Ao longo da história, acompanhamos Daenerys deixar de ser uma menina para se transformar em mulher e com vários interesses românticos.

Khal Drogo foi o primeiro relacionamento significativo. O senhor da guerra Dothraki, a “comprou”, as dificuldades iniciais, tanto culturais como falta de afeto, são superadas. Eles se admiram e se amam, mas são traídos. Daenerys perde o bebê e com om Drogo catatônico, é forçada a matá-lo.
Jorah Mormont a ama, mas ela não retribui os sentimentos. Já com Daario Naharis, um mercenário Tyroshi a serviço dos Segundos Filhos, há uma relação mais transparente. Daenerys sente-se atraída pela ousadia de Daario e ele se torna seu amante e confidente, mas jamais estão nos planos dela tê-lo assumido como parceiro ou marido. Quando Tyrion – outro apaixonado por ela – sugere o rompimento, é fácil decidir. Daenerys deixa Daario em Meereen quando embarca para Westeros, sabendo que o relacionamento deles não tem futuro. Mal sabia o que a esperava.

No livro ainda não aconteceu, mas na série Game of Thrones, Daenerys conhece e se apaixona por Jon Snow, o Rei do Norte. É o primeiro homem próximo de sua idade, de posição e mais ainda, de idealismo. Os dois se envolvem enquanto tentam unir suas forças contra a ameaça dos Caminhantes Brancos.
De cara há problemas, como não haveria? O Norte está finalmente independente, a volta de Daenerys como Rainha – por exigência dela – voltaria a submeter o território ao Poder dos Targaryens, algo que nenhum dos apoiadores de Jon aceitaria. Ainda assim, decidem tentar.
O que piora tudo, e complica o futuro dos dois, é quando é revelado que Jon Snow é na verdade Aegon Targaryen, o filho legítimo do irmão mais velho de Daenerys, Rhaegar, o que o torna o herdeiro legítimo do Trono de Ferro e seu sobrinho.


O incesto não seria problema para Daenerys, embora seja para Jon, que não cresceu como um Targaryen. Ele não quer a Coroa, mas o que ele quer tem menor peso no que começa a ser a derrocada para a Mãe dos Dragões.
O Trono de Ferro: uma obsessão
Na última temporada, Daenerys passa a viver – relativamente – o papel de Viserys na abertura da série. A popularidade de Jon e a naturalidade de sua liderança perturbam cada vez mais a enciumanda e insegura rainha.

Os sentimentos de Daenerys Targaryen em relação ao Trono de Ferro evoluem ao longo da narrativa. Inicialmente ele representa seu direito de nascença e um símbolo do poder e respeito que foi tirado de sua família quando seu pai foi deposto durante a Rebelião de Robert. Essa perspectiva é moldada pelas histórias que seu irmão Viserys lhe contou sobre a antiga glória de sua família e os erros cometidos contra eles.
No entanto, à medida que a série avança e Daenerys experimenta a liderança em primeira mão, sua perspectiva evolui. Menos como um objeto de poder pessoal, o Trono de Ferro é um meio de provocar mudança e justiça e passa a ser um símbolo de seu desejo de quebrar a “roda” do poder que esmaga os que estão na base, ao mesmo tempo que beneficia os que estão no topo.

A nobreza de Daenerys será testada, assim como seu desejo pelo trono. Para chegar lá, ela é levada a tomar ações moralmente questionáveis, mostrando a sua crescente crueldade e um lado perigoso da sua ambição. Ela desiste de diálogos para ameaças e ataques com seus dragões, ajudando as campanhas contrárias de Cersei Lannister e à desconfiança de Sansa Stark. Porém é preciso ressaltar que os erros de seu estrategista, Tyrion Lannister, não ajudaram Daenerys quando ela mais precisava dele.
Tyrion: sagacidade sim, mas inabilidade estratégica
Daenerys Targaryen escolhe Tyrion Lannister como sua mão quando Jorah Mormont estava afastado e levou em consideração importantes motivos.

- Perspicácia política: diferentemente de Dany, que cresceu em Essos, Tyrion era conhecido por sua compreensão aguçada da política e da dinâmica do poder em Westeros, incluindo seus principais atores e suas motivações. Afinal ele era um Lannister e conhecia melhor do que todos os atuais ocupantes do trono.
- Mente Estratégica: Tyrion sempre foi tido como um estrategista habilidoso como provou na Batalha de Blackwater, onde defendeu com sucesso King’s Landing contra as forças de Stannis Baratheon. Sua capacidade de pensar rapidamente é um trunfo valioso para Daenerys.
- Experiência: Mesmo que brevemente, ele foi Mão do Rei durante a ausência de seu pai Tywin Lannister conseguindo manter a cidade funcionando e defendê-la de ataques, apesar do antagonismo com sua irmã.
- Honestidade e Lealdade: Daenerys valoriza a honestidade de Tyrion e sua promessa de lealdade a ela. Ao contrário de muitos outros em Westeros, Tyrion não queria poder para si mesmo, mas sim usar suas habilidades e conhecimentos para servir um governante que ele respeitasse. Como era aberto quando discordava de Daenerys, ela passou a confiar nele.
- Visão Compartilhada: Por último, Tyrion e Daenerys compartilham da mesma visão para um mundo melhor e mais justo, querendo quebrar o ciclo de tirania e criar uma sociedade mais equitativa. Esta visão é o que cimenta a sua aliança com Tyrion.
E o que deu errado se estavam em sintonia? Foi ciúme? Foi traição?

Uma das qualidades de Game of Thrones é que heróis não são infalíveis. Embora seja um Lannister, Tyrion é o personagem mais empático e equilibrado em todo drama, se defendendo contra seus inimigos, mas jamais sendo injusto ou cruel, nem mesmo com seus captores, como os Starks. Ele tem a perspectiva de todos os acontecimentos e quer mesmo um cenário de Paz.
Porém, a empatia de Tyrion se revela um ponto fraco na estratégia de dominar Westeros. Ele, que sempre foi subestimado e marginalizado devido à sua estatura física como anão, sem ser levado a sério por muitos, inclusive pela própria família, não inspira o respeito necessário nas negociações.
Os planos dele se baseiam em racionalidade e previsibilidade dos adversários, mas a imprevisibilidade da Guerra, sendo que ele nunca foi um soldado, se revelou acima de seus talentos. Os planos logicamente sólidos e estrategicamente astutos, não consideraram caprichos e emoções, provocando erros. Sei que alguns creditam à ele a morte de Myrcella, mas, quando a enviou para Dorne, Cersei ainda não tinha provocado a ira dos dornenses. Em tese, a princesa estaria bem.
Tyrion também sofreu traição e se enganou, como vimos quando Shae colaborou para que ele fosse condenado à morte. As maquinações políticas daqueles ao seu redor muitas vezes o superaram e foram mais cruéis. Ele insistiu em uma tomada lenta e estratégica, mas isso custou tudo à Daenerys, incluindo sua saúde mental.

Entre os erros de cálculo esteve o conselho de formar alianças e fazer compromissos políticos para obter o apoio do povo e da nobreza. A resistência foi maior do que esperado, graças à campanha de Cersei. A tentativa de alianças, mesmo em Essos, já tinham dado erardo quando os senhores de escravos atacaram Daenerys em Meereen. Como Jon partilhava da campanha pacífica, a rainha Targaryen perdeu inestimáveis parceiros e força, ficando mais vulnerável do que antecipado.
Desalinhados, quando Tyrion favorecia a diplomacia e planejamento estratégico, Daenerys muitas vezes optava por agir por impulso, guiada por seu forte senso de justiça e sua crença em seu destino de governar. Por exemplo, queimar os Tarlys vivos quando eles se recusaram a dobrar os joelhos, minaram os planos e o futuro, pois Sam Tarly era o principal aliado de Jon Snow e nunca perdoou Daenerys de ter eliminado sua casa sem perder tempo.
A invasão de Daenerys também perdeu timing quando ela foi ajudar ao Norte na luta contra os Caminhantes Brancos, sem ter conquistado a simpatia ou agradecimento das Casas nortenhas, dando tempo para Cersei contra atacar.
Tudo foi colaborando para a perda da confiança de Daenerys em Tyrion, acreditando que ele tivesse sua lealdade dividida entre ela e os Lannisters. Na verdade, “ninguém” acreditava em Daenerys além dela mesma, seus aliados eram convenientemente as Casas que queriam vingança dos Lannisters e isso atrapalhou à ela e à Tyrion. Para piorar, a informação do Direito sucessório de Jon Snow completou o cenário desastrado para Daenerys.

“Seja um Dragão”
Olenna Tyrell – que não gostava de ninguém além de sua família e odiava a todos os Lannisters – contribuiu para um desafino fatal na história. Tyrion tentava domar Daenerys para que ela não comprovasse a pior desconfiança contra os Targaryens pois além de conquistar teria que reinar, e destruição a faria a Rainha das Cinzas.
Portanto, quando Lady Olenna a Daenerys a aconselha a “ser um dragão”, ela não está pedindo que Daenerys se transforme literalmente em uma criatura mítica ou destrua tudo, mas está tentando a encorajar a ser assertiva. Tendo visto muitos governantes e seus estilos, ela reconhece que a bondade e o desejo de Daenerys de governar com justiça podem ser percebidos como fraqueza por seus inimigos, mas ela precisa ser até implacável quando necessário. Sim, ela também acreditava que o mais rápido seria usar da violência e que Dany não tivesse medo de intimidar. O problema foi que, quando seguiu esse conselho, Daenerys perdeu mais do que ganhou. Pior ainda, quando optou por extrema violência e destruição, matou inocentes e manchou sua reputação, o que levou à sua queda.

A hesitação entre admitir sua sede por Poder no lugar da campanha idelizada de Justiça não ficou clara para todos os fãs, foi uma transição que se recusaram a ver, mesmo que lá desde que ela chegou à Westeros. Isso não foi culpa de Tyrion, mas apenas de uma pessoa transformada por sonhos e mitologias.
Mesmo sendo pragmática e querendo a morte de Cersei, é improvável que ela apoiasse a decisão final de Daenerys de destruir King’s Landing. Lady Olenna provavelmente visse como um ato desnecessário e prejudicial, o que foi e que uniu o povo, plebeus e nobres, contra Daenerys.
O problema com Sansa Stark
Daenerys sempre conquistou homens por sua beleza e mulheres por sororidade. Ela esperava que o ódio comum contra os Lannisters fosse ser uma vantagem, mas, despreparada, não antecipou que precisaria ser diplomática para ganhar a Coroa. Em especial, jamais esperou que a pequena e traumatizada Sansa Stark fosse uma mulher inteligente, vivida e perspicaz quando chegou ao Norte. Ela nunca teve chance com a Senhora de Winterfell.
Assim como Dany, Sansa começou a história uma menina e foi submetida à humilhações, torturas e ameaças, aprendendo da pior maneira como sobreviver. Quando volta para o Norte, ela luta para recuperar Winterfell e deseja que o Norte permaneça independente, algo que atrapalha o sonho de Daenerys de governar todos os Sete Reinos. Este desacordo fundamental é uma das fontes do seu conflito, assim como as experiências de Sansa que a ensinaram a ter cuidado com estranhos, especialmente com aqueles que buscam o poder.

Sansa Stark desconfia de Daenerys Targaryen, apesar da insistência de Jon Snow de que precisam dela e de seus dragões para vencer a guerra contra o Rei da Noite. A preocupação de Sansa vem de um ponto de vista político – ela se preocupa com a independência do Norte sob o governo de Daenerys e nada a faz mudar de ideia.
Há outro problema entre as duas: Jon Snow. Ambas se preocupam profundamente com ele, mas para Sansa há a questão de segurança e julgamento depois que ele rendeu sua coroa para Daenerys sem negociar a independência. Para Daenerys que vê Jon como um aliado crucial e o amor de sua vida, a influência e desconfiança de Sansa a ameaçam diretamente.
Não há como aliviar que o Norte é racista e xenófobo, portanto nem mesmo Daenerys vindo ajudá-los na guerra contra o Night King colaboroarou para mudar a arrogância local. Sansa não se esforça em nada para aliviar a tensão. A essa altura, ela não confia em ninguém, nem mesmo Jon. Sansa não espera que Jon seja cruel, mas ela sabe que ele é manipulável por ser essencialmente uma boa pessoa. Mantendo o ceticismo quanto ao Direito de Daenerys, se transforma em uma líder ainda maior do que Jon, portanto efetivamente, Daenerys não tem o apoio do Norte para sua causa, está ali ajudando por nada.

Como Sansa era uma líder pragmática, com aguçado senso de perspicácia e cautela política, Daenerys foi abrindo a porta para frustração e irritação com a resistência de Sansa ao seu governo e com a lealdade que Sansa exige dos nórdicos. Daenerys, que lutou arduamente pelo seu poder e acredita fortemente no seu direito de governar os Sete Reinos, encontra-se numa posição desafiadora com Sansa. Para piorar, Jon é popular e Sansa uma mulher admirada, ou seja, juntos os Starks eram o que Daeneyra almejava para si mesma.
O elo familiar entre eles era outro ponto para o qual Daenerys não tinha referência: criada longe de casa, sem amor ou amigos, não entendeu que não poderia separá-los, especialmente com segredos como a origem verdadeira de Jon como um Targaryen. A forte bússola moral dos Starks, em especial de Sansa e de Jon, era uma conexão inquebrável. Isso porque a impulsividade de Jon atrapalhavam na política, mas Sansa cobria o espaço com habilidade.
À medida que a série avança, as ações de Daenerys começam a justificar a cautela de Sansa, especialmente quando ela pede à Jon para omitir que ele é um Targaryen e destroi King’s Landing, mesmo após a rendição da cidade. Isso confirma os temores de Sansa sobre a adequação de Daenerys como governante.

No entanto, é importante observar que esta é uma questão complexa. Alguns podem argumentar que Sansa estava certa com base nas ações posteriores de Daenerys, enquanto outros podem argumentar que as ações de Daenerys foram influenciadas por vários fatores, incluindo traição, perda e isolamento, que a levaram ao desespero.
No final, cabe à interpretação individual se Sansa estava certa sobre Daenerys. Na literatura, como na vida, a nossa compreensão dos personagens e das suas motivações pode ser profundamente subjetiva, influenciada pelas nossas próprias experiências e perspectivas.
A perspicácia de Cersei
Outra mulher no caminho de Daenerys foi Cersei, que as pessoas subestimavam por acharem que ela não alcançou a Coroa por merecimento, mas porque era “esposa” e “mãe” dos governantes. Injusto com a nossa antagonista que assim como todas mulheres foi humilhada, torturada e abusada, mas conseguiu virar o jogo. Depois de tudo, ceder para Daenerys e os dragões? Só morta.
Como administradora Cersei merece respeito: eliminou seus inimigos, equilibrou as contas do reino e conseguiu reduzir a desvantagem armada contra Daenerys usando de astúcia e coragem. Ela fez uma excelente campanha de propaganda contra os Targaryens e forçou a mão de Daenerys para prová-la certa. Isolou a mãe dos dragões, já vulnerável quanto à Sansa, e agiu. Cersei foi perfeita.

Todas vitórias alcançadas por Cersei vieram com perdas severas, como a morte dos seus filhos. Ela eventualmente sucumbe ao poder militar de Daenerys, mas não antes de levar à mãe dos dragões ao limite. Porém, quando morre soterrada na Fortaleza Vermelha sob o ataque de Daenerys, há uma vitória paradoxal no ar. Ela teve sua prova de que Daenerys não veio para apenas conquistar, ela veio para destruir.
Cersei Lannister, a penúltima Rainha dos Sete Reinos, sempre viu em Daenerys Targaryen como uma ameaça significativa ao trono. Talvez porque ela só conseguisse imaginar alguém come ela mesma, ou porque sabia que é preciso querer muito para conseguir a Coroa, desde o início Cersei mencionou o lado implacável e sedento de poder da Rainha Targaryen, mesmo quando diziam que ela era ‘boa’.
Isso obviamente irritava Daenerys que se via e se apresentava como uma libertadora, alguém que deseja acabar com a opressão e governar com justiça. Aliás, era o que a indignava quanto à Sansa também. De alguma forma, mesmo adversárias, Sansa e Cercei plantaram a semente da destruição também. Não saberemos.
A Rainha das Cinzas

O que os fãs se recusam a aceitar é a lógica atrás do ato de violência e destruição de King’s Landing. Até então, mesmo com derrapadas ao longo do caminho, em geral, Daenerys Targaryen era retratada como uma libertadora e uma governante justa, mas tomou sozinha a decisão de queimar a cidade mesmo depois de as suas forças se terem rendido, matando inúmeros civis inocentes no processo. Este foi um ponto significativo e controverso da trama e marcou uma mudança dramática em seu caráter e foi visto por muitos como uma descida à loucura. Afinal, o que teria levado a Dany a fazer o que fez?
Há quatro pontos para sustentar os argumentos atrás da motivação, uma combinação de medo, raiva, isolamento e desejo de estabelecer o seu poder.

1- Isolamento e Traição: Neste ponto da série, Daenerys havia perdido muitos de seus conselheiros e aliados mais próximos, incluindo Jorah Mormont e Missandei. Ela se sentiu isolada e cada vez mais paranóica, especialmente depois de aprender sobre a verdadeira linhagem de Jon Snow e a potencial reivindicação ao Trono de Ferro.
2- Vingança e Medo: Daenerys queria vingar as mortes de seu dragão Rhaegal e de sua amiga Missandei, ambos mortos pelas forças de Cersei. Ela também temia que o povo de Westeros nunca a amasse ou a aceitasse como rainha, especialmente quando eles têm alguém como Jon Snow, que é muito amado e tem direito legítimo ao trono.

3- O Legado Targaryen: Daenerys é a última da linhagem Targaryen, uma família com uma história de loucura e uma propensão a usar seus dragões para queimar seus inimigos. Seu pai, conhecido como o Rei Louco, era famoso por usar fogo para queimar aqueles que se opunham a ele. A decisão de Daenerys de queimar King’s Landing pode ser vista como um trágico cumprimento desse legado.
4- Fazendo uma declaração: Daenerys também queria enviar uma mensagem a qualquer pessoa que pudesse se opor ao seu governo no futuro. Ao queimar King’s Landing, ela demonstrou toda a extensão de seu poder e crueldade, na esperança de incutir medo em qualquer um que pensasse em se rebelar.
Como Jon Snow foi convencido a matar Daenerys
A reação de sua família, incluindo Arya, que não confiou em Daenerys, assim como o ressentimento de Sam Tarly, contribuíram para um certo afastamento entre Jon e Danny, e que só piorou quando ela reagiu mal à informação de que ele era Aegon Targaryen e teria prioridade à ela na sucessão. Jon, que não era ambicioso, estranhou a inveja e insegurança imediata da rainha, que rapidamente passou a ficar paranóica. Portanto, quando ela destrói a capital matando inocentes, Jon está mais do que pronto para voltar para o Norte e deixar tudo para trás.
Tyrion, igualmente decepcionado com ela, trai Daenerys ao libertar Jaime, e será executado. Jon, em vez de ir primeiro falar com a nova Rainha de Westeros, vai visitá-lo, para se despedir da única pessoa que entende como ele se apaixonou por Daenerys. Arya já tinha alertado que Jon teria que escolher pois Sansa estaria em risco, mas é Tyrion que o coloca contra a parede.

Tyrion sabe que é sua última oportunidade de convencer Jon que é preciso deter Daenerys, agora em nenhuma sombra de dúvida, uma tirana. Para persuadi-lo sabe que precisa:
1- Apelar à moralidade: Tyrion lembra Jon de seu senso de dever, enfatizando que Daenerys matou milhares de pessoas inocentes em sua busca pelo poder. Ele pede a Jon que considere se as ações dela são justificáveis e se estão alinhadas com sua própria bússola moral, algo que Sam já tinha feito.
2- Apelar ao medo: Tyrion sugere que Daenerys continuará seu caminho de destruição e que não irá parar até “libertar” o mundo inteiro. Ele dá a entender que qualquer um que estiver no caminho dela, incluindo Jon e suas irmãs, estará em perigo.

3- Lembrar a linhagem de Jon: Tyrion lembra Jon de sua verdadeira identidade como Aegon Targaryen, o legítimo herdeiro do Trono de Ferro. Ele sugere que Jon tem o dever para com o reino de ocupar seu lugar de direito como rei.
4- Apelar para o futuro: Tyrion pede a Jon que considere o futuro dos Sete Reinos sob o governo de Daenerys. Ele pede que ele pense no mundo que deseja deixar para as gerações futuras.
Todos os argumentos têm peso, mas é a própria Daeneyrs que, involuntariamente, sela seu próprio destino. Quando Jon finalmente vem falar com ela, ainda emocionado com o que viu, Daenerys já está feliz, pensando no Trono e em sei reinado. Nem confrontada pela morte de crianças ela parece voltar atrás. E quando questionada sobre conceito de escolha, Jon percebe que não há outra opção.
Quando Daenerys diz: “Eles não podem escolher”, ela pode estar se referindo tanto ao povo de Westeros ou mais especificamente à Sansa, Arya, Bran e Sam, que não gostam dela. Sua posição é que, como rainha, é sua função tomar decisões difíceis para o bem geral, mesmo discordem dela. Já Jon, que acredita que liderança significa fazer sacrifícios, se decepciona com que escuta. Ele que sempre valorizou a honra e o bem-estar de todos sabia que Daenerys tinha que morrer. Ele tem que trair alguém que ama para um bem maior.

Oor que os Targaryens não se uniram?
A alternativa mais pacífica para a história teria sido que Daenerys e Jon governassem juntos, mas isso nunca foi considerado (por ninguém além de Tyrion). Todos viram que Danny queria a Coroa sozinha.
Do momento em que foi informada do direito da reivindicação de Jon ao trono, Daenerys mudou como pessoa e líder. A essa altura, era passou grande parte de sua vida acreditando ser a última Targaryen e a rainha legítima, sua trajetória era Destino. Ao ser confrontada com outra realidade, ela seria reduzida a uma pessoa ambiociosa, não predestinada. O ciúme da posição e da popularidade de Jon não ajudaram. Para ela, governar não é apenas uma questão de poder, mas também de restaurar a honra e o legado de sua família, os Targaryen, que foram brutalmente destituídos do trono. E como provar que Jon é um Targaryen?

Mas o que piora tudo é o fato de Daenerys estar apaixonada por Jon Snow. Ela poderia compartilhar o trono com ele, mas sabia também que ao descobrirem a legitimidade dele, a autoridade de Daenerys seria minada imediatamente, como estava sendo por Sansa mesmo antes da verdade vir à tona. E não importava em nada a verdade de Jon não ter interesse pela Coroa. Aliás, sua recusa a fazia parecer ainda pior por querê-la. Até “ajudando”, ele a atrapalhava.
Por outro lado, o sacrifício de Jon Snow é imenso: ele mata Daenerys, é exilado e jamais poderá voltar a circular em King’s Landing. Durante o conselho realizado pelos principais personagens sobreviventes, fica claro que Jon tem apoiadores, especialmente em sua família. No entanto, Grey Worm e os Imaculados exigem justiça. O compromisso que eles alcançam é enviar Jon de volta à Patrulha da Noite, exilando-o efetivamente para pacificar os seguidores restantes de Daenerys e preservar a vida dele.
Embora haja uma sensação de abandono no final de Jon, também é marcado por um retorno a um lugar onde ele encontrou aceitação e amizade. As cenas finais sugerem que ele pode até encontrar liberdade e paz além da Muralha, vivendo com o Povo Livre.

O legado de Daenerys.
Daenerys Targaryen será sempre lembrada como a figura revolucionária que libertou inúmeros escravizados e que lutou contra a injustiça. O que passa a ter duas correntes é sua decisão de atacar King’s Landing.
A corrente pró-Daenerys viu o ataque como parte de uma etapa muito dura, mas necessária para quebrar o ciclo de poder e corrupção em Westeros. Portanto, ao matá-la, Jon pode ter eliminado a única chance de mudança real nos Sete Reinos, mesmo que a decisão tenha sido pessoalmente trágica para Jon, que amava Daenerys e se comprometeu com ela, sendo exilado tendo um custo pessoal alto por sua decisão.
Já a corrente do contra, vê em Daenerys a típica história de uma pessoa bem intencionada, com uma trajetória linda, mas mannchada pela corrupção do Poder, que tirou o foco de suas ações e colocava em risco as vidas de milhões. Nessa versão, Jon só fez o que precisava fazer, uma vez que ele mesmo permitiu que ela fosse tão longe.
Seja como for, Daenerys está no patamar de um dos Targaryens mais significativos de toda saga familiar. Uma Rainha popular, mesmo que das cinzas.
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