Um corpo embaixo da ponte

Em 2019, a escritora Rebecca Godfrey lançou um livro que viria a ser um best-seller, Under the Bridge, inspirado em uma história real extremamente triste e assustadora. Ela reconta em detalhes o assassinato da menina Reena Virk, uma menina canadense de 14 anos que foi espancada e morta por um grupo de adolescentes em Saanich, British Columbia, Canadá, em 1997. Na época, além da idade da vítima, ficou muito marcante ela ter sido vítima de bullying e ataque de outras meninas, com seis adolescentes sendo presos (há um rapaz entre as moças) e um bastidor pesado de abusos, drogas e racismo.

Sem surpresa, o livro foi transformado em uma série, produzida por Reese Witherspoon e que vai estrear em abril, nos Estados Unidos. No elenco, duas jovens atrizes que se destacaram em 2023: Riley Keough e Lily Gladstone, que interpretam a autora do livro e a detetive que solucionaram juntas o mistério.

O mistério do crime: quem queria matar Reena Virk?

Em novembro de 1997, o corpo seminu de uma adolescente de 14 anos foi encontrado boiando perto da ponte Craigflower, na cidade de Saanich, no Canadá. Identificada como Reena Virk, filha de imigrantes indianos, era uma jovem com passado problemático e foi espancada antes de ser afogada no rio. Mesmo com todos os “problemas”, não havia uma explicação que pudesse justificar quem poderia ser tão violento com ela?

A resposta foi ainda mais assustadora: outras jovens meninas.

Vinda de uma cultura estrangeira considerada a “minoria entre minorias”, Reena foi descrita como uma adolescente desesperada por aceitação entre seus colegas. Acima do peso, insegura, e reprimida pela cultura religiosa adotada pela sua família, Reena Virk queria ser outra pessoa e viver em outro lugar. Sua falta de esperança era tanta que chegou a denunciar falsamente seu pai por abuso sexual na esperança de ser transferida para um lar adotivo e ter mais liberdade. Só ficou mais restrita ao controle deles como resultado. Dessa forma, a vulnerabilidade da jovem só fez crescer.

Flertando com o perigo

Como típica adolescente, Reena apostava em grupos marginalizados como sua tribo, mas na verdade não s e encaixava em nenhuma. Ela passou a admirar/seguir umas meninas que agiam como punks ou gangs de rua, que usavam drogas, bebiam e era agressivas.

Na noite de 14 de novembro de 1997, como Rebecca Godfrey detalha em seu livro, ela foi convidada para participar de uma festa debaixo da ponte, mas não saíria de lá com vida. Testemunhas dizem que tdoos estavam bebendo e fumando maconha quando um grupo conhecido como Shoreline Six passou a atacar Reena. A violência física foi escalando, sendo que uma das meninas apagou um cigarro na testa da adolescente enquanto outras sete ou oito pessoas assistiam. Reena foi repetidamente espancada, socada, chutada, tinha várias queimaduras de cigarro na pele e, aparentemente, foram feitas tentativas de colocar fogo em seu cabelo. E isso foi apenas o primeiro espancamento da noite. Uma das seis mandou as outras pararem.

Muito ferida, Reena conseguiu fugir, mas foi seguida por dois membros do grupo, que a arrastarem para o outro lado da ponte, fizeram com que ela tirasse os sapatos e a jaqueta e a espancaram uma segunda vez. Quando Reena estava inconsciente, jogaram o corpo dela na água.

Desaparecimento

Por conta do histórico tenso em casa, a família de Reena não estranhou imediatamente quando ela não voltou para casa e quando foi à polícia, trataram o caso como uma fuga, demorando a fazer buscas mais detalhadas. Se passaram quase 10 dias até que, por denúncia anônima, a polícia chegou ao corpo abandonado na beira do rio.

Embora a causa oficial da morte tenha sido afogamento, a autópsia revelou posteriormente que os ferimentos na cabeça e no corpo foram tão graves que dificilmente ela teria sobrevivido. Ainda assim, o mundo ficou chocado.

Oito adolescentes foram presos, sendo sete meninas. A casualidade de descrever o ataque como “um grupo de amigos saindo e coisas aconteceram” por conta de “rumores” só aumentou o absurdo do crime.

A versão final foi que duas meninas sabiam que Reena teria roubado a agenda de telefones de alguém do grupo e começou a ligar para os amigos dela para espalhar boatos. Essa foi a que depois apagou um cigarro na testa de Reena Virk durante o ataque. Os demais foram motivados por puro racismo.

Em tese havia um pacto de silêncio entre as envolvidas, mas logo os rumores sobre o suposto assassinato se espalharam pela escola que frequentavam, embora Reena Virk estudasse em outra. Vários alunos e professores não envolvidos estavam sabendo, mas ninguém denunciou. Apenas oito deias depois do fato que a polícia usou um helicóptero para encontrar o corpo parcialmente vestido que já tinha sido levado à costa de uma ilha perto de Vancouver que começaram as investigações i isso graças a duas adolescentes que decidiram descobrir a verdade.
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De filme à série: o crime ganha plataforma

O livro foi publicado em 2005 e o plano original da companhia de Reese Witherspoon, que é especializada em adaptar romance para as telas, era transformar Under The Bridge em filme, mas o desenvolvimento não foi tão longe. O processo foi de 2007 à 2011, quando mudaram os planos e definiram que viraria uma série.

Há de se lembrar que a série da MAX com Kate Winslett, Mare of Easttown, também é livremente inspirado no crime de Reena Virk. Em Under the Bridge, Riley Keough (que estrelou outra produção de Witherspoon, Daisy Jones and The Six) interpreta a escritora, Rebecca, que mesmo sem experiência ficou tão marcada pela história que se dedicou pessoalmente à investigação. Lily Gladstone está ao seu lado como a detetive destacada para solucionar o mistério.

Saberemos mais sobre a produção e onde será exibida no Brasil em breve. Sem dúvida promete momentos muito emocionantes.


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