É impossível evitar as menções de idade quando se era jovem e acompanhou o fenômeno Seinfeld quebrar barreiras impossíveis em tempos pré-digitais, pré-redes sociais e até pré-globalizado. Falar e rir especificamente de Nova York e ainda assim conquistar um público mundial é ainda hoje um desafio, mas a sitcom provou que o cotidiano, ou “o nada”, como diziam, é efetivamente igual não importa onde estejamos. Saiu do ar em 1999 sob vaias monumentais com um final que alguns consideraram brilhante, outros preguiçoso e quase todos definiram como insatisfatório.

No ano seguinte, o diretor e co-criador da série, Larry David, um nome e homem que ninguém realmente conhecia ganhou sua própria série na HBO: Segura a Onda (Curb Your Enthusiasm). E 24 anos depois se despede de um público fiel, fechando um longo ciclo e fazendo história. E para provar seu brilhantismo, amarrou o final com o de Seinfeld – algo que todos os fãs perceberam desde o início que seria o caso – e mais do que perfeição nostálgica, “consertou” o “erro” de 25 anos, com a participação do próprio Seinfeld citando o fato. Suficiente para rir e emocionar.
É notável que Larry David, cujo humor já era definido por “incorreto” antes mesmo a cultura atual mudar os parâmetros do que pode ser piada ou não, tenha sobrevivido à mudança enquanto ela ocorria e ele ainda estava no ar. Larry não mudou seu estilo, mas, como mesmo brincou, sobreviveu ao cancelamento.
Em 12 temporadas, algumas menos engraçadas que as outras, o comediante nos confrontou com várias questões pequenas que é onde ele (e Seinfeld) encontram a maior fonte de risadas. As dúvidas de etiqueta, os mal-entendidos, os encontros e desencontros, tudo que faz parte do dia-a-dia de qualquer um, mas que, sob a lente de aumento pode ser risível enquanto ainda mesmo desagradável.
Seguindo a fórmula que fechou o sitcom anterior, a última temporada acompanha Larry lidando com a consequência de um pequeno gesto impensado que o leva – literalmente – a um julgamento que pode encarcerá-lo por um ano. No caso de Seinfeld, foi a falta de ajuda dos protagonistas que os colocaram numa fria, aqui é o inverso: Larry é atencioso quando não poderia ser. E agora? Herói ou Vilão? Brilhante!

Com isso, o episódio final onde ele avisa que nenhuma lição foi aprendida, e toda gangue mais fixa de Segura a Onda (Curb Your Enthusiasm), Cheryl (Cheryl Hines), Ted Danson, Jeff (Jeff Garlin), Susie (Susie Essman), Leon (J. B. Smoove) e Richard Lewis (em sua última atuação antes de sua morte há poucos meses) vai apoiá-lo, dessa vez contando com Jerry Seinfeld também. E aí, quem viu Seinfeld sacou as citações, copiando o formato da série anterior.


O que muda? O resultado. Graças a ajuda de Seinfeld, Larry é absolvido. E os dois cutucam os críticos: “Por que não pensamos em fazer assim há 25 anos?”, dando de ombros. Quem não gargalhou com eles? Cínicos para sempre.
Assim como Seinfeld saiu do ar na curva ascendente, Segura a Onda (Curb Your Enthusiasm) se despede com uma sensação de dever cumprido. Não precisava parar, mas tampouco continuar. E agradeço à Larry David por ter me dado mais de 30 anos de diversão. Nova York e Los Angeles ficaram muito mais engraçadas graças à ele. Agora cabe à MAX encontrar substituto à altura. Ele já fez a parte dele. Parabéns!
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