A história de Taylor Swift por ela mesma

“Agora a história não é mais minha… é toda sua,” Taylor Swift postou quando “surpreendeu” os fãs duas horas depois de lançar o ultra aguardado The Tortured Poets Department com a versão de álbum duplo e mais 15 canções novas. “É uma surpresa às 2 da manhã: The Tortured Poets Department é um álbum DUPLO secreto. Eu escrevi muita poesia torturada nos últimos 2 anos e queria compartilhar tudo com você, então aqui está a segunda parte do TTPD: The Anthology. 15 músicas extras. E agora a história não é mais minha… é toda sua,” declarou.

Entender e acompanhar como Taylor Swift surgiu como uma jovem cantora country determinada a ser famosa, respeitada e adorada (não necessariamente nessa ordem) e se transformou em um fenômeno cultural e social ao longo de 21 anos é tema de teses de doutorado sociologia, cultura, filosofia, economia e até teologia, se o autor for um Swiftie. Não é exagero tratar os fãs da cantora e atriz como membros de um culto cuja idolatria por Taylor é brilhantemente alimentada por ela via canções, vídeos, posts e vida social. Taylor Swift é mais do que uma bilionária e famosa, ela “é” e entendê-la não é apenas decifrar a alma feminina, mas navegar na (ainda) estranha e complexa geração millenial. Daí sua relevância em dias atuais.

Taylor foi subestimada quando iniciou sua carreira em 2003. Tudo que é e que faz já estava presente desde sua aparição com o álbum de 2006, com seu nome. Ela tinha apenas 17 anos, mas já estava na estrada há 3, e determinação foi o primeiro dos talentos que nunca escondeu.

Nascida na Pensilvânia, já faz parte de sua lenda pessoal como ainda antes dos 10 anos já queria ser artista e – embora distante do berço country – queria ser a estrela desse gênero musical. Suas musas eram Shania Twain, Patsy Cline, LeAnn Rimes, Dixie Chicks e Faith Hill, e depois de algum tempo se apresentando em festivais e eventos locais determinou que precisava se mudar para Nashville, Tennessee, o berço da música country nos EUA. Taylor tinha apenas 11 anos, mas seus pais nunca duvidaram de seu sonho.

Convencer executivos e gravadoras, ma época, pareceu mais desafiador. Foi rejeitada por todos e ela entendeu que para chegar onde queria tinha que se concentrar em suas composições. Com 12 aprendeu a tocar violão e a compor. Unir talento e foco faz parte de sua diferença: Taylor tem naturalidade para melodias e letras, mas é igualmente dedicada e esforçada, jamais tratando sua música com desprezo ou descuido. Isso é importante para entender onde chegou em 2024.

Seria importante em sua biografia abordar como conseguiu assinar seu contrato, via Scott Borchetta da Big Machine Records, mas por hora apenas guarde esse nome. Se você é um E.T. e nunca ouviu falar sobre ele, não é um Swiftie e está ainda no século 20. Taylor Swift definiu o que é ser uma estrela do século 21 e isso não é exagero. Me acompanhe. O que é necessário saber é que Scott sacou “um” potencial na jovem de 14 anos, mas ninguém realmente entendeu o que ela representava. Scott só percebeu depois dos 2020s, chegaremos lá.

O primeiro álbum já rendeu canções que provaram que Taylor estava no caminho certo, com uma indicação de Artista Revelação no Grammy Awards e o início de namoros com artistas famosos. Sim, a vida amorosa de Taylor é essencial para sua obra e tem de ser citada, não é fofoca ou julgamento.

Os anos “country” de Taylor, de 2006 à 2012, são cheios de sucessos e passos largos para o estrelato mundial alcançado em 2014, com o que ainda considero sua obra-prima, o álbum 1989. Linda, talentosa e presente nas mídias sociais, a juventude de Taylor era uma máscara que artistas mais maduros apreciavam, mas não realmente liam. Ela sempre pareceu imatura na dose certa, cantando abertamente sobre suas decepções com namorados como se a cada um estivesse lidando com a vida ou morte. Parte essencial de seu legado.



A música e a atitude de Taylor Swift desafiam os cínicos e essa é parte de sua mágica. Seu repertório é sobre o Amor, suas dores e delícias. Suas letras são de seu cotidiano de alma romântica. Como artista mirim, ela nunca teve a privacidade do anonimato e nunca se importou com isso. Taylor não é millenial, mas é Y e o que se reclamava dessa geração era apenas um pingo do que estava por vir. Falar do coração, não “esconder” nada e se impor mesmo jovem viria a ser “normal” depois de 2020, mas na virada do milênio era ainda visto como passageiro.

Através de sua música, todos sabiam quem ela amava, quem quebrava seu coração e como ela reagia, mas como ela nem tinha 20 anos, era considerado “engraçadinho” e superficial, não perceberam como estava criando uma base de fãs que era parte essencial de quem viria a ser como artista. Taylor Swift não tem fãs para quem ela entrega sua música. Ela tem bilhões de melhores amigos que a acompanham escrevendo seu diário, suas dúvidas e decepções amorosas como momentos de felicidade e sucesso. Suas redes sociais, seus vídeos, suas canções são as noites de pijama estendidas ad eternum para esse grupo cada vez maior de confidentes. Nennhuma canção sua é irrelevante e entrar para seu “squad”, ou seu time, é enebriante. Melhor ainda, é acessível

Hoje Taylor Swift já tem mais de 30 anos, mas seu som – mesmo já mais amadurecido – mantém a jovialidade e atualidade. Ela fez a transição para o pop em 2014 com 1989, acrescentou tons indies desde 2020 com Folklore e com isso une a geração X com a Milleniall, um elo raro que apenas ela consegue. Por isso apenas ela já seria lendária, mas é efetivamente maravilhosa como compositora e artista. A idolatria se justifica.

Se transformar em bilionária antes dos 35 mostra a inteligência de Taylor para administrar sua carreira, algo inspirador. Brigou com Scott e os direitos de royalties que tinham divisão injusta. Se na lei ela estava sem alternativa, foi à frente: regravou tudo com sua versão, avisou aos fãs a razão, explicou o que eles tinham de fazer (ouvir as versões “dela”) e de quebra, como é profílica, deu tanto material extra que seus seguidores rapidamente entenderam a Mestre. Como não admirá-la por isso?

Assim chegamos ao seu 11º álbum, que os resistentes querem reduzir à mais um de rompimento e canções de choramingos, mas isso é uma armadilha. Uma que seu ex, o ator Jon Alwyn, está involuntariamente entendendo em 2024 como muso inspirador de The Tortured Poets Department.

Para dar crédito a ele, Joe fez parte da virada de Taylor Swift. Ela estava alinhada com seus seguidores compartilhando com honestidade ímpar sua vida amorosa, mas foi julgada – inclusive por mulheres – por causa disso, a fazendo questionar se estava errando na exposição. O resumo é que depois de seis anos tentando ser o que esperavam dela pelos critérios pré-millenial (discrição, segredo, escondido) Taylor é quem é e não vai pedir desculpas a ninguém. Menos ainda à Joe.

Na longa lista de ex-lovers, que ela menciona em Blank Space, Jake Gyllenhaal tem protagonismo porque ele é o homem que fez Taylor escrever um de seus maiores hits, All Too Well, além de vários outros brilhantes. Sob pressão de que “usava os homens para ter canções de amor”, um paradoxo tão misógino como simplista, ela se apaixonou pelo notório discreto Joe Alwyn em um relacionamento de seis anos longe das câmeras. O tanto que fosse possível, claro.

Ao longo de seus álbuns desde Reputation, Taylor vem fazendo um esforço para entender quem é realmente. O esperado dela por alguns era incoerente com sua personalidade. Mesmo “preservando” o namoro das câmeras, ela não deixou de falar do coração e “falar” é através de suas letras, posts e vídeos. De alguma forma, queriam “calar” uma mulher que nunca aceitou barreiras como limitação. Chutou o balde e se reafirmou: “a história não é mais minha… é toda sua”.

O som parece o mesmo? Sim, mas é um pop incrível e delicioso. Taylor vai quebrar mais recordes. Eu sou grata que ela insira para seu séquito nomes como Dylan Thomas e Patti Smith, que cite o Chelsea Hotel, etc. Com isso, ela cria o elo entre pais e filhos, avós e netos, instiga curiosidade numa geração que é tecnologicamente ágil, mas que tem curiosidade restrita. Quem se importa? Com Taylor Swift a gente pode avançar e reduzir esse espaço. Sim, Taylor Swift tem esse papel. Gostem ou não. Como Swiftie, eu declaro isso. Lide com os fatos.


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