O setlist de Madonna em Copacabana

Goste ou não goste de Madonna, critique sua música, seu visual, sua existência. Hoje a Rainha do Pop faz história em um show gratuito para mais de um milhão de pessoas na praia de Copacabana. Ela pode não quebrar o recorde de Rod Stewart, que há 30 anos reuniu mais de quatro milhões no local (ninguém jamais vai tirar esse recorde dele), mas a cantora vai superar qualquer outro artista recente ou “rival”.

Não estarei nas areias de Copa, mas acompanharei virtualmente. No setlist esperado para hoje, a Diva separou as músicas que representam os 40 anos de carreira.

Como fazer a seleção perfeita? A “minha” seria outra, como a sua e a de todos teriam suas variações, mas vamos ver, canção a canção, como Madonna revisita quatro décadas de repertório em sete atos*. Para o show no Brasil, ela deve alterar em alguns quadros o repertório, mas como faz parte da turnê Celebration, que está ensaiada e pensada em detalhes, as variações serão menores. Falaremos delas quando o show carioca tiver acabado!

*o setlist é o que a cantora apresentou no México, o último show antes do Brasil e que deve ser o mesmo no Rio de Janeiro.

1º ATO

A abertura do show, It’s a Celebration, em geral é feito por Bob the Drag Queen, vestido de Maria Antonieta como Madonna fez no MTV Awards e tem o poutpourri de sucessos como D&D, Lucky Star, Celebration, Erotica, Vogue, BIM e Material Girl, ou seja, uma de cada década.

NOTHING REALLY MATTERS

O hit do album Ray of Light é uma escolha curiosa para abrir o show por ser uma canção do álbum de 1998, nada que seja recente ou tão antigo. TIrando isso, é genial porque é uma canção de amor aos fãs (nesse contexto). A letra nos avisa:

When I was very young
Nothing really mattered to me
But making myself happy
I was the only one

Now that I am grown
Everything’s changed
I’ll never be the same
Because of you


Nothing really matters
Love is all we need
Everything I give you
All comes back to me

Como não amar Madonna?

Na verdade, Nothing Really Matters e o álbum Ray of Light (meu favorito!) marca a fase cabalística da cantora, toda voltada para o nascimento de sua primogênita, Lolla, em 1996, e para quem Madonna escreveu essa canção.

Em Celebration Tour, Madonna usa um quimono preto até o chão e um cocar radial de diamantes desenhado pelo designer alemão Malakai especificamente para a turnê, adornado com 25 grandes cristais Swarovski e pavimentado com microcristais.

EVERYBODY

O que é obvio, mas ainda perfeito é então voltar para o “primeiro sucesso de Madonna”, o single Everydbody, de 1982, do álbum de estreia e onde ela inclui elementos de Where’s the Party, do álbum True Blue.

Foi com essa canção que uma jovem dançarina com sonhos de estrelato deu os primeiros passos de seu reinado. Escrita puramente para nos fazer dançar, foi a canção que Madonna pediu aos DJs para tocarem nas pistas de dança. Com o apoio de Mark Kamins, Everybody fez sucesso na Danceteria e daí, bem, veio o contrato com a gravadora e a História foi feita.

INTO THE GROOVE

Uma das minhas top 10 da Madonna, a canção que entrou na trilha do filme Procurando Desesperadamente por Susan, terá a versão atualizada de Hollywood Groove, dos anos 2013s, e é um hino de alegria e dança.

Inicialmente escrita para outra intérprete, estava entre as demos do álbum original, mas não se destacou para entrar nem em Madonna ou Like a Virgin. Porém, quando Madonna a gravou para o filme, explodiu nas paradas e nos vinils dos anos 1980s, acabou entrando para as cópias de Like a Virgin editadas a parti de 1985. Aqui, Madonna celebra sua carreira e paixão pela dança, fala de um flerte com um vizinho porto-riquenho e bom, nos coloca no ritmo!

BURNING UP

Como vemos, o set de abertura é mesmo o set dos primeiros dias de Madonna. No tape que tinha Everybody e Into The Groove, também incluía Burning Up. Na versão final e no vídeo ficou uma canção “menor” e New Wave, nem tanto o que Madonna era ou veio a ser. Mas em Celebration Tour Madonna canta como fazia nas apresentações no CBGB: com guitarra e notas mais roqueiras. Eu sempre gostei!

OPEN YOUR HEART

O sucesso do álbum True Blue, de 1986, abria os shows de Madonna naqueles anos, e tem uma história curiosa, além do video polêmico onde Madonna parece aliciar um menor de idade.

Todo mundo sabe da rivalidade com Cyndi Lauper e essa pode ter sido mais uma das tretas entre elas. Open Your Heart nasceu como Follow your Heart e foi escrita por Gardner Cole e Peter Rafelson para Cyndi gravar, mas antes que chegasse à Cyndi, o empresário de Madonna ouviu a demo e levou para ela. Originalmente era para ser rock, mas em True Blue ganhou arranjo dançante. Críticos consideram um dos melhores singles de seu repertório. Tenho outras canções do mesmo álbum que preferiria no show e que ficaram de fora, mas não dá para ter tudo, né?

HOLIDAY

Curioso ver Holiday fechando o 1º ato porque só esteve perto da abertura na Virgin Tour, a partir daí quase sempre era o bis ou o fechamento dos shows. Terá citação de I Want Your Love, do CHIC.

Embora tenha sido um dos maiores sucessos do álbum de estreia de Madonna, Holiday foi incluída de última hora, quando ela e o ex-namorado, um dos produtores, perceberam que Madonna ainda precisava de um hit mais obvio. Escrita por Curtis Hudson e Lisa Stevens-Crowder para gravarem com seu próprio grupo, o Pure Energy, Holiday é um dos hinos de Madonna. A letra reflete um desabafo quando Lisa assistia notícias negativas na televisão e disse que “precisava de férias”. Mais de 40 anos depois, continua atual…

2º ATO

A segunda fase abre com o som de In This Life, do álbum Erotica em um vídeo identificado no roteiro como The Storm. É o bloco sério do show, com referências aos amigos e artistas que perderam a vida para AIDS.

LIVE TO TELL

A canção lenta que antecipou o lançamento de True Blue foi escrita por Madonna para Sean Penn, não sobre os dois, mas para o filme que ele estava estrelando na época – At Close Range – e que precisava de uma canção.

Escrita na 1ª pessoa, Madonna canta na perspectiva da personagem feminina do filme, uma jovem de 16 anos que acabará sendo assassinada pelo pai do namorado. At Close Range é inspirado em uma história verdadeira, mas ficou esquecido no tempo enquanto Live to Tell virou um hino.

Em Celebration Tour, Madonna usa a dualidade da letra, que fala de pessoas que ansiam pela vida, mas que percebem não ter muito tempo, justamente para homenagear artistas e pessoas que morreram jovens demais. Será um momento reflexivo e emocionante.

Em seguinda, a cantora troca de roupa e os dançarinos participam do quadro The Ritual, ao som de Girl Gone Wild, de seu álbum MDNA.

LIKE A PRAYER

A canção título do álbum de 1989 sempre é um momento marcante nos shows de Madonna e um de seus maiores sucessos. O vídeo original falava de racismo, intolerância religiosa e a esperança da diva para um mundo melhor. Fecha esse ato com citações de Unholy (hit recente com Sam Smith), Girl Gone Wild e Act of Contrition, essa a canção de oração que fecha oálbum Like a Prayer.

3º Ato

Seria o momento “romântico” da cantora e suas canções de amor, mas claro que se tem isso tem sexo! Isso mesmo, aqui teremos a Madonna fazendo a transmissão televisiva se preocupar com o que ela vai mostrar no palco. Ha ha ha.

LIVING FOR LOVE

A canção de abertura do álbum Rebel Heart, considerado um dos mais fracos de Madonna, reflete sua convicção pós-divórcio de que não se deixará abater por suas decepções. Simples e maravilhosa, claro. Uma das contribuições da artisca com Diplo. Terá citações de Fever, que Madonna gravou em Erotica e uma homenagem à Prince, com elementos de Let’s Go Crazy.

EROTICA

Aqui o público vai ao delírio com a eterna provocativa Madonna. Erotica, de 1992, foi um álbum de som “sujo”, onde a cantora saiu da zona de conforto de hits para rádio e escancarou sua ousadia para falar de sexo, fantasias, AIDS e muitas outras questões. Para sempre ligado ao livro Sex, aqui Madonna assustou fãs que não se viam prontos para acompanhá-la, e mostrou que cantar Like a Virgin e flertes sexuais não era suficiente. Diva. Deusa. Terá citações de Justify My Love, You Thrill Me (uma das minhas versões favoritas) e Papa Don’t Preach.

JUSTIFY MY LOVE

O single que entrou na coletânea Immaculate Collections é uma prévia do que Erotica seria, com uma Lenny Kravitz ao fundo tornando o rap ronronado de Madonna algo inesquecível.

HUNG UP

Ainda tontos, vamos viajar no tempo e na música avançando para o hit de um dos melhores álbuns de Madonna, quando chegava aos 50 e lançou Confessions On a Dancefloor. Claro que o sample do ABBA (Gimme! Gimme! Gimme!) levanta 60% da canção, mas é o extase de tudo que ela já vem mostrando até aqui.

BAD GIRL

Outra canção de Erotica, essa balada descreve uma mulher que está “descontente com sua vida, porque ela acredita que está se comportando mal, devido à tristeza que a dominou desde o fim de um relacionamento romântico”.

Obviamente a irônica Madonna vai usar esse sucesso para fechar o ato “safadinho”, meio que com ar de mea culpa sem culpa. Bem Madonna!

4º Ato

Os dançarinos ocupam o interlúdio “Ballroom” ao som de Vogue e outras canções, é o ato no qual Madonna vai falar de moda e comportamento.

VOGUE

O hit do álbum Breathless é um dos maiores sucessos dos 40 anos de Madonna. Ele destoa do álbum porque as demais canções eram inspiradas e para o filme Dick Tracy, no qual a cantora estrelava. Mas entrou justamente porque Vogue era um movimento underground de Nova York que Madonna fez virar mainstream. Vejam a série Pose para entender o que era Vogue.

Vogue é um dos melhores vídeos de Madonna também, mas em Celebration Tour é quando ela recebe um convidado local especial para ajudá-la a dar notas para os bailairinos. No Brasil, a convidada será Pablo Vittar, como visto nos ensaios. Considerando que Anitta também é esperada, quem sabe algo muda? Vamos conferir mais tarde.

HUMAN NATURE

Essa canção do album Bedtime Stories SEMPRE está no repertório dos shows de Madonna. Aqui ela avisa que não adianta esperar que ela se desculpe por ser quem é. A nature za humana pode ser repressora ou desafadora, nós sabemos qual é a de Madonna. A versão do show não será completa, é quase uma citação.

CRAZY FOR YOU

Para a galera que só entendeu o chiclete do que foi o USA For Africa com o documentário A Noite que Mudou o Pop deve ficar atento que essa baladinha que Madonna gravou para o filme de 1985, Vision Quest, tirou We Are The World das paradas de sucesso depois de mais de um ano quebrando recordes. Uma boa vingança por ter sido excluída, né?

Crazy For You é muito associada ao romance de Madonna com Sean Penn, embora não seja uma composição dela. É icônica porque em 1985, quando Madonna virou rainha, era o seu maior hit.

5º Ato

É o bloco que abre com hits dos anos 2000s da carreira de Madonna, mas também onde ela explora sua paixão pela música latina. Conceitualmente mais abrangente, ele reúne canções de amor e reflexão.

THE BEAST WITHIN

O lado B do single Justify My Love fala de religião e sexo, temas que Madonna ama. É também uma referência ao filme de terror The Beast Within, de 1982,

DIE ANOTHER DAY

A canção que colocou Madonna no universo de James Bond faz parte do album American Life, de 2003. O álbum ainda reflete o efeito pós 11 de setembro, levando Madonna a questionar valores e relacionamentos.

DON’T TELL ME

Don’t Tell Me é o flerte country de Madonna que entrou no álbum Music, de 2001. Delicioso, um momento de dançar.

MOTHER AND FATHER

Achei curioso que essa canção que nunca foi hit e que está no American Life ganhe destaque no show, mas é, como sabemos, Madonna falando da perda de sua mãe, aos 6 anos, e sua conversa com seu pai, seu ídolo, sobre as agruras da vida.


EXPRESS YOURSELF

A versão acústica do hit de Like a Prayer na época, 1989, foi um tanto revolucionária onde Madonna aconselha seus fãs a se recusarem a ser segunda opção. Perfeita!

LA ISLA BONITA

O que dizer desse momento latino? Vamos lembrar que em 1986, música latina não era mainstream e Madonna era a artista mais popular do planeta. Surgiu cantando em espanhol, desafiando os preconceitos e abrindo portas para muitos artistas nas rádios por isso. Obrigada, Madonna!

DON’T CRY FOR ME ARGENTINA

Madonna como Evita era, para muitos, sua maior tentativa como atriz de ser levada a sério. Ganhou Globo de Ouro e o sucesso, clássico da Broadway, passou a ser “seu” desde então.

6º Ato

Interlúdio ao som de I Don’t Search, I Find e eu me pergunto: como Madonna tem tanto fôlego? Só de ir uma por uma das canções do setlist estou exausta. Mas vamos ao penúltimo bloco!

BEDTIME STORY

A música título do album de 1994 é importante porque foi um dos albuns menos tocados de Madonna e que marcou sua virada meio Bjork e apostando mais em eletrônico. Eu amo.

RAY OF LIGHT

Bora pular como loucos? Ray of Light é para mim o ápice musical de Madonna, o álbum pelo qual era merecidamete ganhou o Grammy.

RAIN

No calor que vai estar em Copa, falar de chuva pode até soar alívio mas torço por uma noite seca. Rain está no álgum Erotica. Sim, mais um. Claramete podemos gostar ed Ray of Light mas esse é o álbum onde Madonna firmou a base de Celebration. Uma linda balada.

7º Ato

O fim da festa, duas horas depois, promete ser arrasador abrindo com um vídeo ao som de Billie Jean e imagens projetadas de sombras de Michael Jackson e uma Madonna da época de Like A Virgin, com smash das duas canções icônicas dos anos 1980s. Ainda inclui citações de Express Yourself e Angel, de Madonna, e Smooth Criminal e Dangerous, de Michael.

BITCH, I’M MADONNA

Rebel Heart é um album curioso de Madonna, mas essa canção, que vai Incluir citações de Give Me All Yor Luvin, do álbum MDNA, é Madonna avisando ao mundo quem ela é. E como canta I just wanna have fun tonight. Vai botar a praia de Copa para pular com ela.

CELEBRATION

Celebration só poderia fechar a noite e terá mais do que citações de Music, vai terminar em samba, como vimos no ensaio. Será incrível.

Minha avaliação

Madonna fugiu do óbvio nessa celebração dos 40 anos, passando por todas as fases, mas não se acomodando para tocar os hits, todos eles ou na ordem cronológica. Ela montou um espetáculo que passa por sua construção de persona e lenda e obviamente ao longo de quatro décadas teria que deixar sucessos de fora. Senti falta de muitas canções que amo, mas entendo a mensagem da Rainha. Serei, sempre, sua súdita.


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