Toda série histórica hoje em dia, ou melhor, toda série ou filme biográficos hoje em dia geram uma série de posts de “verdade ou mentira”, necessários diante de “liberdades artísticas” que confundem as pessoas não familiarizadas com os temas. Franklin não é diferente.
A excelente série da Apple TV Plus condensa os anos que Benjamin Franklin (Michael Douglas) viveu como embaixador em Paris de forma que parece que se passaram meros meses. Se tanto! Com tantas reviravoltas fantásticas é quase impossível questionar se tudo aconteceu como estão mostrando. Vamos tentar endereçar algumas perguntas!

A popularidade de Franklin em Paris
Embora Franklin não tenha sido o primeiro a fazer lobby pelo apoio da França na guerra da independência americana, ele ficou nada menos do que oito anos e meio em Paris e foi ele quem garantiu o apoio financeiro e militar do país europeu. Popular e astuto, ele circulou entre os nobres e populares, sempre tratado como celebridade.
Rivalidade com Adams, amizade com Vergennes
Sim, Benjamin Franklin e John Adams batiam de frente publicamente e o segundo Presidente americano não era uma figura popular, mas se entendiam. Já o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Charles Gravier, o Conde de Vergennes (Thibault de Montalembert) realmente se recusou a negociar ou falar com Adams, mas ficou um dos grandes amigos de Franklin para o resto das vidas dos dois.
Houve mesmo atentados contra a vida de Franklin?
Embora não exista um fato comprovado de que tentaram matar Benjamin Franklin, ele sabia que estava rodeado de espiões e inimigos e historiadores concordam com a autora do livro que gerou a série, Stacy Schiff: Uma Grande Improvisação: Franklin, França e o Nascimento da América, que mostra pelo menos um atentado sério que poderia ter matado o inventor e diplomata americano.
Existiu Wentworth e houve traição perto de Franklin?
Sim e sim.
Assim como vemos em Franklin, um dos seus confidentes mais próximos, o médico americano Edward Bancroft, passava informações para os britânicos sob o codinome de Edward Edwards. Ele conspirou com o espião Paul Wentworth, de quem era amigo desde os tempos em que viveram no Suriname. Embora alguns biógrafos desconfiem que Benjamin Franklin soubesse de Bancroft, a verdade é que ele nem desconfiava de sua participação, aliás, ninguém. Ela só foi revelada postumamente, tarde no final dos anos 1880s, quando suas cartas vieram à público.

As mulheres na vida de Franklin
Parte da diplomacia de Benjamin Franklin vinha de sua habilidade e amizade com as mulheres da Corte, em especial duas delas, Madame Anne Louise Brillon de Jouy (Ludivine Sagnier) e Anne-Catherine de Ligniville, Madame Helvétius (Jeanne Balibar). Ele tentou transformar sua ligação com Anne Louise em algo a mais, sem sucesso, mas, com a viúva Madame Helétius, foi além. As cartas trocadas com as duas mulheres, mesmo depois do seu retorno aos Estados Unidos, comprovam os relacionamentos.
Temple: o neto que tinha alma européia
William Temple (Noah Jupe) era o filho ilegítimo do filho ilegítimo de Franklin e como chegou à França ainda adolescente foi impactado pela cultura francesa irremediavelmente, alguns argumentam. Seu avô tentou mesmo arranjar um casamento entre ele e a filha de Madame Anne Louise Brillon de Jouy, mas não foi adiante. Anne Louise encerrou qualquer envolvimento potencial entre Temple e sua filha, esfriando por um tempo sua amizade com Franklin.
O fato é que, voltando para os Estados Unidos, Temple nunca se sentiu “em casa”, sempre queredo retornar para França, o que fez no final de sua vida, mas morreu sem fortuna ou nome da História.
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