O fenômeno Jennifer Lopez frequentemente me pareceu um tanto acima do que ela poderia inspirar. Não é grande atriz, mas é boa. Não é boa cantora, mas tem sucessos. E saiu na frente como superestrela latina quando não tinha concorrência. Há muitas versões de J-Lo (como é mais conhecida) em Hollywood, cantoras-atrizes-influencers que são medianas, mas, ainda assim, estrelas. No entanto, de todas, apenas ela lida com o questionamento constante. Me parece injusto.
A carreira dela é de respeito, mesmo sem indicações à prêmios. Ela vem se mantendo na ativa e em demanda por quase quatro décadas, e, por muito menos, outras já estão aposentadas. O status de J-Lo é único em vários aspectos e uma das coisas que a diferenciam é justamente sua honestidade e transparência. Sua vida pessoal é bastante pública. Sua dedicação para dar o melhor de si, transparente. Por que então estão todos “felizes” com mais um tropeço da diva?

A agressividade contra a felicidade de J-Lo, que ela mesma transformou em filme/documentário/fantasia com This Is Me… Now: A Love Story parece ter sido a gota d’água, mas até a Variety questiona sobre o que chamam o efeito de “o prazer distorcido da sociedade em ver mulheres fortes fracassarem”. E eles têm razão, ao reatar o romance com Ben Affleck, 19 anos depois e se casar com quem ela declarou ser “o amor de sua vida” repetiu o mesmo drama de um rompimento extremamente público e humilhante para ela. De novo: me parece injusto.
Há semanas, o mundo do entretenimento vem acompanhando o que garantem ser a separação definitiva do que veio a ser apelidado de Benniffer. O casamento com Affleck, dessa vez, aconteceu (há 20 anos romperam dias antes da festa) mas não superou dois anos de convivência, Para quem viu a primeira temporada não há twist para a segunda. Ele está em This Is Me… Now: A Love Story portanto é um tanto paradoxal alegar que o que está atrapalhando é o que chamam de “o hábito de J-Lo de expor sua vida pessoal”. Ela SEMPRE fez isso e foi sucesso, não é como se ele de todas as pessoas do mundo, não soubesse como ela é. Se há problemas entre eles, suspeito que sejam outros.
Mas voltando à maldade alheia, além do filme e do álbum, a cantora estava trabalhando há meses no que seria uma turnê grandiosa, onde ela cantaria sucessos e não ficaria apenas no último álbum, mas embora os ingressos estivessem vendendo bem em alguns mercados, não estava animador. E com tudo isso acontecendo, a turnê foi cancelada para que Jennifer “pudesse passar mais tempo com a família e amigos”. Cada passo seu tem sido acompanhado para provar que o marido não está nesse círculo.


Como a Variety ressalta, a onda de cancelamento de shows em grandes espaços tem sido constante, mas quando são artistas femininas as matérias são mais pessoais e quando são homens ou é por causa do mercado ou nem é questionado. Vou além: no caso de J-Lo é ainda mais cruel, as pessoas parecem estar celebrando o duplo fracasso.
A crise dos shows ao vivo em grandes estádios revela que mais uma vez a indústria da música está em crise. Quando as vendagens caíram, foram os shows que “salvaram” os artistas e pelo visto até isso tem sido problemático. No Brasil há o mesmo impasse, por isso não é algo que seja provocado ou direcionado à Jenniffer Lopez. O que podemos constatar é que ela está em uma fase extremamente dura.
Se Benniffer vai provar o mundo errado, parece que em breve saberemos. Infelizmente unir Ben Affleck e Jennifer Lopez não parece ser lucrativo. Depois do fracasso desastroso de Gigli, filme de 2003 que é referência de constrangimento alheio, This Is Me… Now também pode ser citado como um “erro de cálculo”. Nada que justifique torcer pela infelicidade da artista.
Podemos torcer por ela? Acho que está valendo, não?
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