“Todos os governantes são açougueiros ou carne”

“Todos os governantes são açougueiros ou carne”, Daario Naharis (Michiel Huisman) avisou à Daenerys (Emilia Clarke) quando ela ainda queria acreditar e insistir na campanha da salvadora do mundo, não de conquistadora.

A simplicidade da explicação de extrema profundidade política ecoa com o episódio 5 da 2ª temporada de House of the Dragon, quando Ser Criston Cole (Fabien Frankel) desfila a cabeça de Meleys como prêmio e símbolo da vitória dos Verdes. O povo ficou assustado e considerando mau presságio. Tanto que um jovem comenta com Hugh (Kieran Bew): “pensei que os dragões fossem deuses” e a resposta, que é um spoiler futuro, é “São simplesmente carne”. Pois é, essa briga mal começou e o povo já está de saco cheio!

Mas calma, faltam apenas três episódios até o novo hiato. E no tempo mal completamos um mês de guerra civil. Claro que com tantas mortes, parece muito mais. Vamos entender o que vimos hoje.

A dor tem sido anestesiante para ambos os lados. Os pretos perdeu dois filhos e a principal apoiadora de Rhaenyra (Emma D’Arcy) , Rhaenys (Eve Best). Os verdes perderam um príncipe e quase o próprio rei, Aegon (Tom Glynn-Carey), mas o conflito segue em inércia, sem tempo a perder para lágrimas ou reações. Bando de psicopatas!

Por isso é um tanto estranho que tenha parecido “tranquilo”, voltando às reuniões de Conselho que muitos se queixam. As manobras políticas são mais perigosas do que possa parecer. É ali que ouvimos há cinco episódios que o povo de King’s Landing está passando fome porque os apoiadores de Rhaenyra interromperam o comércio, mas ninguém que esteja em um Castelo leva isso em consideração.

O retorno dos Verdes “vitoriosos” é praticamente ignorado pelos cidadãos famintos o que é bom porque ninguém percebeu que o rei voltou em pedaços (e tostado) em uma caixa com cara de caixão. Mas ainda não celebrem, Aegon está muito mal, mas está vivo. Deformado, em coma e com dor, mas vivo.

Ninguém, mesmo os que não estavam em Rooks Nest duvidam que Aegon esteja como está por causa de Aemond (Ewan Mitchell). Ele não engana nem à mãe, Alicent (Olivia Cooke) ou Helaena (Phia Saban), mas, como esperado, ele agora é o regente e quer ser ágil em mais ataques.

Alicent cobra de Ser Criston um relato da batalha, e o que ele se limita a contar é a contagem de 900 homens mortos e que deixou uma pequena guarnição para proteger o castelo conquistado e o ferido Sunfyre, o dragão do Aegon.

Ele se cala quanto ao que houve com Aegon, o que é a resposta que ela queria para confirmar que seus filhos estão se virando um contra o outro. Nenhuma surpresa aqui! Alicent não chora ou se desespera quando vê seu primogênito voltando como carvão. Os filhos são quase estranhos à ela. E sim, vê-la humilhada quando se candidata a reger no lugar do filho, apenas para ouvir que por ser mulher não serve, foi uma delícia.

Infelizmente Rhaenyra não está lidando com um cenário diferente, o Conselho está revoltado com as derrotas, com a falta de notícia de Daemon (Matt Smith) e a falta de um líder masculino na mesa. Ela pede à Baela (Bethany Antonia) que convença com Ser Corlys Velaryion (Steve Toussaint), arrasado com a morte de Rhaenys, a ser sua Mão e voltar para Dragonstone. Ele vacila, está arrasado, mas acaba aceitando. Tirar essa negociação que no livro é de Jacaerys (Harry Corlett) soou um tanto “ah não!”, mas Jace – irritado com a mãe – ganha mais uma negociação importante para Rhaenyra, dessa vez com a Casa Frey, e sugere que busquem as “sementes de dragão” para domar os dragões sem cavaleiros. Deu show!

Enquanto isso, Daemon continua enlouquecido, desafia Freud com um sonho erótico com sua própria mãe, e segue com dificuldade de garantir a lealdade pelos pretos. Aqui, longe da esposa-sobrinha, ele é claro, ele age e se declara rei, sugerindo que Rhaenyra será apenas sua consorte. Ele diz ser por praticidade, uma vez que até ele entende, aceita e concorda que a sucessão deve ser masculina, mas nesse caso, conta que a mulher seja a herdeira legítima, mesmo que seja apenas para legitimá-lo na posição que sempre quis e considerou ser sua. E curiosamente, todos os homens têm o mesmo problema: são machos querendo batalhas, mas os detalhes que fazem realmente parte de governar (pagar pela reforma de Harrenhall, lidar com brigas de famílias, etc), detestam.
A essa altura, são quatro Targaryens brigando pelo Trono de Ferro, tá difícil torcer por um deles.

E assim parece que não, mas avançamos na guerra civil. E sim, a sensação é que estamos vendo apenas açougueiros afiando suas facas. Carnificina faz parte de House of the Dragon!



Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário