Basicamente comentei sobre o episódio final de House of the Dragon quando falei dos vazamentos que foram parar no TikTok dias antes da exibição oficial. Muitas pessoas se queixaram de uma “conclusão” em aberto, mas, a essa altura, sabemos que a comunidade de fãs já se destaca por ser mal humorada, exigente e até belicosa.
Em geral também fico no grupo dos reclamões, mas, hoje, não. Foi uma boa conclusão dentro que viemos acompanhando. Houve prenúncios, houve confrontos, houve traição, houve reconciliação, houve humor e até drama. E vamos falar de tudo aqui.

Quem tinha expectativas de uma batalha destrutiva para encerrar a 2ª temporada, (se você sabe, sabe) ou mais uma baixa sentida do lado de Rhaenyra, está na ala dos que ficaram insatisfeitos. As liberdades artísticas que mudaram alguns aspectos da história conhecida (o encontro clandestino de Rhaenyra e Alicent em King’s Landing), também irritaram os puristas que odiaram mais uma cena de nossas antagonistas tentando negociar o inegociável, mas com o show de Emma D’Arcy e Emilia Cooke, você quer mesmo falar mal? Eu não.
Entendi a escolha dos roteiristas, me incomodou muito mais a grande visão de Daemon mesclada com Helaena distribuindo spoilers com maior empenho do que MiscelAna. A proposta de House of the Dragon, de alguma forma, é destacar a dificuldade das mulheres de se imporem ao patriarcado e nessa zona que ficou a relação das ex-amigas de infância eles conseguem mostrar muitas coisas. Vamos logo ao episódio.

As alianças que ameaçam Rhaenyra
Na parte da Guerra, há menos uma questão de preconceitos do que a tristeza da falha da alma humana. A indignação de tio e sobrinho, Aemond e Jacaerys estão lívidos com a atitude desesperada de Rhaenyra que “distribuiu” dragões para bastardos e pobres, tirando o prestígio dos Targaryens e boa parte do mistério de como é domar os animais. Ela só vê a vantagem numérica, os homens já estão indo e voltando no que realmente significa.
Mas antes disso tudo, abrimos o episódio com momentos tensos mas cômicos, de Tyland Lannister (Jefferson Hall) em Essos negociando com frustração o apoio da Triarquia para apoiar os Verdes. Foi a missão dada a ele por Aemond (Ewan Mitchell), mas tem sido difícil. Depois de muitos desafios físicos, financeiros e culturais, ele consegue conquistar a confiança e participação de Sharako Lohar (Abigail Thorn). Sharako quer uma revanche contra a frota Velaryon. Juntos, zarpam para quebrar o bloqueio em torno de King’s Landing indo para Gullet.


Em Westeros, Aemond extravasa seu ódio com Vhagar queimando uma cidade inteira até cinzas. Sabemos que uma Targaryen vai seguir seu exemplo séculos depois, faz parte do DNA da Casa. Porém ele não tem o apoio de Helaena (Phia Saban) ou Alicent, ambas horrorizadas com o que ele fez.
As duas rainhas chegam a um ponto comum: sua interferência sobre os fatos é nula, mas são elas que lidam mais diretamente com as consequências, perdendo filhos e esperando sempre o pior. Numa queixa indireta pelo que Alicent lutou – colocar a Coroa em Aegon (Tom Glynn-Carney) – Helaena desabafa que era mais feliz antes de ser Rainha, e Alicent sabe exatamente o que ela quer dizer. Também sabe que foi ela que, forçando o casamento entre irmãos, colocou a própria filha em uma união infeliz e num papel complexo. Recém chegada de um acampamento espiritual, Alicent pergunta a Helaena para onde ela queria ir se pudesse fugir, mas as duas são interrompidas por Aemond.
Sem nenhum tato, seguindo o exemplo de Aegon, Aemond exige que Helaena voe em seu dragão Dreamfyre para ajudar na guerra. Ela se recusa, Alicent interfere, uma rápida lavação de roupa suja se segue e Aemond acaba jogando mais uma cobrança para a mãe: se ela não queria o conflito, por que o começou? Mais ainda, ela sabe que ser Rainha é efêmero e inútil porque o que uma mulher quer é virtualmente sem peso no meio de uma guerra. Por hora, no entanto, Aemond se cala e sai.
Em seu quarto no Red Keep, Aegon mal consegue andar, está deprimido e é demandado por Larys Strong (Matthew Needham) não apenas reagir, mas fugir e pensar no futuro. Como assim fugir, ele se surpreende. Quando sabe da iminente invasão de Rhaenyra (mais sobre isso mais abaixo), se questiona: para que então ele está tão destruído e deformado, sem conseguir fazer xixi sem que a urina escorra pela perna, se era para a irmã ficar com a Coroa como sempre era esperado? Sim, o episódio não é sutil em bater na tecla da inutilidade de confrontos violentos.
Larys, o cara mais cruel e astuto da triste história, o explica que é apenas uma pausa, uma que ele sempre soube antever. Deixando Aemond lidar com Rhaenyra é uma vantagem para Aegon pois ele voltará melhor apenas para lidar com a parte vencedora, mas fragilizada. Aegon está destruído, mas pensar em matar os irmãos é incentivo suficiente. Ele topa fazer o que Larys quiser.

Longe dali, Sor Criston Cole (Fabien Frankel), tão empenhado em destruir e matar agora é um triste filósofo dos impactos da Guerra. Depois de Rook’s Nest ele (finalmente?) entendeu seu tamanho no meio de tudo, em especial no campo de batalha onde tenha dragões: um nada. Ele sabe que a morte é certa e pensando em Alicent, é confrontado por Gwayne Hightower (Freddie Fox) por sua hipocrisia de ter quebrado seus votos da Guarda Real ao dormir com sua irmã. Criston admite tudo e concorda que sua escolha de mulheres só trouxe tristeza e que nada faz diferença se todos vão virar pó em breve. Parece que Gwayne ou tinha esquecido ou só pensou no mesmo ali porque o silêncio dos dois é mais uma dica do episódio sobre o vazio da Guerra em geral.
Vamos falar de Criston Cole agora: ele era fiel à Rhaenyra, se sentiu usado e desprezado (com razão, ela não parece lembrar de sua existência), por isso se uniu à Alicent em uma relação construída por ressentimento, inveja e ciúme. Sua ascensão à posição máxima de Mão do Rei veio por acaso e falta de opção aparente, não exatamente porque era amante da Rainha Verde ou a verdadeira figura paterna de Aemond ou Aegon, algo que poderia ter sido explorado e não foi.
Ser Criston, no livro, é belicoso e estratégico, em House of the Dragon está mais para um jovem de origem simples engolido por uma casta social superior que destruiu sua alma. Ele não dá medo ou desperta respeito como nas páginas, é mais um idiota, como Alicent, que entrou na causa por motivos mais pessoais e não estava pronto para o Jogo dos Tronos.
E dali vamos para o único ainda comprometido e empenhado nessa guerra, Daemon (Matt Smith), já acostumado em Harrenhal e agora com um grande exército para invadir King’s Landing à sua disposição. Acordado por Alys Rivers (Gayle Rankin), ele é levado até a Weirdwood onde, num teaser do que acontecia com Bran Stark, tem visões do futuro (vendo tudo que vai acontecer com ele, com os dragões, com os White Walkers, com Brynden Rivers — mais conhecido como o Corvo de Três Olhos – e até Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) com seus três dragões bebês. A visão termina com Helaena olhando para ele, dizendo que ele deve desempenhar seu papel na grande história de Westeros.
Graças a Deus que sendo uma única vez, Daemon não ficou robótico como Bran. Em Game of Thrones, só sabemos mais detalhes das visões do futuro Rei Stark quando ele olhava para o passado, o vislumbre do que ainda vai acontecer é, como Alys esperava, determinante para o presente. Depois de semanas de pesadelos, eróticos ou não, Daemon está pronto para decidir se vai mesmo trair Rhaenyra ou não.



E se tínhamos questionado como Helaena estava na visão e é porque ela estava REALMENTE lá e viu tudo e um pouco mais. Ela é interrompida por Aemond, agora manso, mas ainda insistindo que ela o ajude no ataque aos pretos.
A conversa sobre os irmãos, que um dia achamos que fossem amantes (não são), é dura. Helaena não mudou de idéia e alerta à Aemond que o esforço dele é vão: Aegon será rei e nada vai impedir isso, nem ter tentado matá-lo. Surpreso de alguém mais saber, ele ameaça a irmã, mas além de ser assertiva com o que viu, o avisa como e onde vai morrer. Sim, mais uma vez, a guerra é inútil. E gente, temos tanto cuidado para avisar sobre spoilers e lá vem a Helaena entrega tudo com a sutileza de um elefante. Portanto, se você não sabia, agora sabe.
Ressentimentos são sementes de traição. De todos os lados.
Rhaenyra está enxugando gelo desde que foi anunciada como sucessora de Viserys, exatamente como Rhaenys avisou que seria o caso. Não tem o respeito nem do seu Conselho, ou do marido ou sequer do filho, Jacaerys (Harry Collett). Aliás, discordo de quem está reclamando que ele está agindo como um menino mimado.
Isso é ser muito insensível à dor dele, um bastardo humilhado a vida toda e quase o motivo pelo qual a Coroa foi usurpada de sua mãe e que agora fica de igual a qualquer um, e vamos combinar que a atitude do odioso Ulf the White (Tom Bennett) apenas confirmou. É um trauma justificável para Jace e esperava maior compreensão de todos. Baela (Bethany Antonia) tenta consolá-lo e incentivá-lo a assumir sua posição. Desculpem, todos: Jacaerys não é vidente, ele é lógico. E está certo.
Infelizmente, o incentivo dela será um atalho para tragédia. Se você sabe, sabe.

Porque, meus amigos, quem leu o livro – como eu – está gritando com o desfile de futuros vilões. Ulf nem será surpresa, e Hugh Hammer (Kieran Bew) já está nos dando as dicas quando reage à estratégia de Ser Corlys Velaryon (Steven Toussaint), abraçada por Rhaenyra, de atacar as cidades e infelizmente, matar milhares de inocentes. Para Ulf, o problema já é a ganância. Para Hugh, é mais complexo que isso. Ele é filho de uma princesa Targaryen e cresceu com o small folks, ele tem o povo em prioridade e está dividido. Prestem atenção: se você sabe, sabe.
E assim vamos falar de Ser Simon Strong (Simon Russell Beale) que FINALMENTE dá um jeito de avisar à Rhaenyra do que está rolando em Harrenhal. Isso porque ele vê o vira-casaca do Sor Alfred Broome (Jamie Kenna), que chegou recentemente de Dragonstone sob as ordens da Rainha para reportar à ela e tomar controle da situação, na verdade trair sua soberana e apoiar Daemon – porque ele é homem – ao Trono de Ferro. F D P. Se você sabe, sabe.
Rhaenyra deixa o jantar constrangedor com as sementes e elege Addam (Clinton Liberty) para acompanhá-la. A reação de Baela e Jace mostra o quanto eles ainda têm que aprender. Obviamente não seria ideal a Rainha sair de Dragonstone para cuidar pessoalmente dos problemas conjugais e estratégicos, mas jamais poderia ir acompanhada de seus sucessores diretos. Só registrando!

Os próximos passos da Guerra Civil
Uma vez viúvo, Ser Corlys está mais taciturno e arrependido de muitas falhas pessoais. Como antes de morrer Rhaenys (Eve Best) o incentivou a cuidar dos filhos bastardos que renegava, ele faz da maneira que acha a melhor: começa a usar nepotismo para promovê-los. Ele ainda não revelou a Rhaenyra sobre Addam, mas é mais ligado à Alyn (Abubakar Salim) que não parece tão grato.
E nisso é uma coerência incrível de Ser Corlys: mesmo em baixa, se vê por cima. Ele é tão ambicioso e orgulhoso que nem percebe que não apaga uma vida de abandono e até maus tratos quando quer. Alyn tem um momento importante e intenso, no qual coloca o pai no lugar dele. Esses irmãos Hull são a melhor adição do time Rhaenyra.
Falando nela, quando ela chega à Harrenhal tema pior das confirmações: Daemon uniu um exército que pode fazer frente aos Verdes, mas aparentemente para ele. Ela tem poder, entrar em uma sala só de homens e manter a atitude de Rainha. Mas calma, há o inesperado.
A meu ver, Rhaenyra deveria ter buscado Alys e agradecido à ela, criando uma função em seu Conselho porque sem a bruxa, a guerra estaria perdida. Daemon finalmente entendeu o seu, e melhor, o de Rhaenyra, na Guerra.
Novamente se ajoelha diante de sua Rainha e inflama seus soldados a lutar por ela. E agora eles vão mesmo queimar juntos, até o fim. Ele promete.

Indo para o Vale, rapidamente, há uma trama que é a mais diferente do livro e que veremos como vai ficar em House of the Dragon. Tiraram de Nettles a narrativa de Sheepstealer para Rhaena (Phoebe Campbell) que deixou de lado a única e mais importante missão dada a ela: cuidar dos herdeiros de Rhaenyra para tentar ter um dragão para chamar de seu.
Olha, queria ser simpática à Rhaena, mas essa obsessão dela por ter um dragão causou duas baixas importantes para Rhaenyra: 1º quando “perdeu” Vhagar para Aemond, chamando os primos para defendê-la e assim levando Lucerys a cortar o olho do tio, para ser morto anos depois por isso. E agora vem essa escapada justamente quando os príncipes estão sendo embarcados para Essos. Quem sabe, sabe do que estou falando.
Portanto cobrimos quase tudo. Os roteiristas decidiram alterar alguns fatos, mas que têm abertura no livro para isso, criando um novo encontro entre Alicent e Rhaenyra para tentar resolver a merda que a Rainha dos Verdes fez ao tentar colocar Aegon no trono. Agora que foi descartada por todos os homens que ajudou a elevar, Alicent diz enteder que “errou”. Um tanto um pouco tarde demais, Rhaenyra deixa claro.
Alicent quer negociar o exílio dela, de Helaena e da neta, Jaehaerys, uma vez que com pelo menos sete dragões com cavaleiros, o exército aéreo dos pretos se torna imbatível. Finalmente ela admite sua inveja, ressentimento e ciúme de Rhaenyra como motivos para que fosse levada à tantas falhas, mas juro que é pouco depois de mais de 10 anos de assédio e um golpe de Estado. Ainda assim, Rhaenyra ouve, mesmo que irritada com a tamanha limitação intelectual da ex-amiga.


Acho importante realçar como Alicent é a responsável pelas piores atrocidades da história por pura incompetência. Se ela tivesse obedecido ao pai desde o início, 100% e não apenas 50%, não estariam onde estão. Se tivesse obedecido na hora do Golpe, idem. Mas ela tinha que agradar Rhaenyra e depois “vencê-la” e com isso fez uma zona mortal no Reino. E segue fazendo!
Ao trair Aemond, ela avisa à Rhaenyra que ele deixará a capital em três dias para se juntar à Criston Cole: só precisa chegar que os portões de King’s Landing serão abertos a ela. Rhaenyra não acredita na ex-amiga, mas segue na negociação. “E Aegon?”, pergunta.
Alicent parecia ter esquecido do filho que abandonou na dor física e psicológica. “Ele está destruído”, tenta defendê-lo. Estou com Rhaenyra quando perde a paciência com a estupidez da rainha Verde. Agora não dá, né? “Um filho por um filho”, ela demanda. “Você escolhe”. Bom, sabemos que Aemond não terá perdão então voltando ao arco de Queijo e Sangue, uma Rainha tem que escolher qual filho quer que viva. Alicent hesita, mas elege Helaena.
As duas se despedem, com promessas feitas e provavelmente desconfianças mútuas. Válidas aliás. Afinal, Alicent não sabe, mas vemos que Larys fugiu da capital com Aegon portanto quando chegar à King’s Landing será muito difícil que Rhaenyra acredite em sua inocência e com isso certamente não cumprirá sua parte do acordo, prendendo tanto Alicent como Helaena (e assim ficando de acordo com o livro).


O episódio acaba com as forças Verde e Negra se preparando para a guerra total. Os Lannisters se juntam aos Verdes (com direito à citação do tema musical deles), os navios da triarquia – numa alusão ao fim da sexta temporada de Game of Thrones- cruzam o Narrow Sea em direção à Baía de Gullet, para onde estão indo Viserys II e Aegon III, abandonados por Rhaena. E mais, vemos o grande dragão azul, Tessarion, voa sobre o exército dos Hightowers. É a entrada do príncipe Daeron Targaryen, filho de Alicent que ainda não apareceu na série, mas esteve fora em Oldtown o tempo todo.
Corlys e Addam, já unformizados, embarcam para liderar a frota Velaryon e os Starks marcham para o sul para se juntar à luta (também ao som do tema deles).
A grande surpresa do episódio vem quando descobrimos que Otto Hightower (Rhys Ifans) está trancado em uma masmorra em algum lugar. Quem o capturou? Como ninguém sentiu sua falta? Podemos começar a especular?
Para quem se queixou da falta de sangue e mortes, mesmo com as brutais e significativas que tivemos até agora, podem ter certeza: a terceira temporada será um casamento vermelho por domingo. Não se apeguem à ninguém!
Descubra mais sobre
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
