Estamos tão condicionados a odiar os Lannisters e torcer pelos Starks que House of the Dragon tem nos colocado em uma situação complicada. Afinal, gostávamos de Tyrion (Peter Dinklage) e até passamos a torcer por Jaime (Nikolaj Costa-Waldau), mas adoramos as mortes trágicas de Cersei (Lena Headey), Joffrey (Jack Gleeson) e Twyin (Charles Dance). Mas Tyland Lannister ( (Jefferson Hall), tem nos deixado com empatia por uma casa das mais arrogantes e impossíveis da saga de House of the Dragon e Game of Thrones.
O gêmeo de Tyland, Jason, nos irritou profundamente na 1ª temporada, com sua misoginia e sua superioridade, se considerando um marido ideal para Rhaenyra (Milly Halcock). Tyland não poderia ser mais distinto: educado, tímido e sempre inseguro, é nosso alívio cômico se estiver em cena.

Tyland tem um grande problema contra ele: é fiel aos Verdes. Mas cuidado, as coisas mudam!
Um Leão manso?
Tyland Lannister tem um papel significativo durante o período conhecido como a Dança dos Dragões, a guerra civil que dividiu os Targaryen. Como membro da Casa Lannister e irmão gêmeo de Jason Lannister, o atual Senhor de Rochedo Casterly, Tyland se destaca por ser um político habilidoso e um administrador competente, qualidades que o levam a ocupar posições de destaque no reino.
Tyland Lannister é nomeado Mestre da Moeda pelo Rei Viserys (Paddy Considine) e sua habilidade em administrar as finanças do reino ganha reconhecimento, destacando-o como uma figura influente na corte e no Pequeno Conselho.
Infelizmente a primeira impressão dele não é favorável: quando Viserys morre, vemos que ele já tinha articulado com Otto Hightower (Rhys Iphans) o golpe de estado para coroar Aegon (Tom Glynn-Carney) em vez de Rhaenyra (Emma D’Arcy). Portanto é um dos líderes dos Verdes no conflito que deveria ter sido evitado.
Na regência de Aegon ele é nomeado Senhor da Moeda e com isso passa a ter um papel crucial no financiamento das forças dos Verdes, utilizando sua habilidade financeira para angariar recursos e sustentar a guerra. E, na série, tem uma importância ainda maior do que no livro.

Tyland nos representa de alguma forma no lado dos Verdes
O fato de que Tyland disfarça mal sua surpresa quanto ao despreparo de Aegon como Rei, de alguma forma, nos representa e valida de ver a incompetência masculina. O jovem rei obviamente percebe o julgamento dele e frequentemente cria situações limites para testar até onde Tyland se curva à política.
Com Aemond (Ewan Mitchell) não é tão diferente: a arrogância e impetuosidade dos irmãos confunde um prático Tyland. E acaba em suas mãos ter que negociar com a Tríade para furar o bloqueio à King’s Landing (no livro essa missão e vitória são de Otto). Mas seu jeito inseguro mas paradoxalmente firme, conquista os piratas e, em especial, Sharako Lohar (Abigail Thorn), que aceita lutar contra os Pretos.
A terceira temporada, como prometida pelo showrunner, Ryan Condall, será repleta de batalhas e por isso, perdas. A HBO ainda não confirmou o número total de temporadas, mas é seguro pensar que chegaremos à quatro. Alguns apostam em 5! Se sim, veremos a grande virada de Tyland Lannister.
Uma trajetória na qual une os Lannisters aos Targaryens
Até aqui, os Mãos do Rei estavam entre outras casas que não a dos Lannisters, mas Tyland abre o caminho para uma aproximação que gerações depois vai desandar. Mas calma, chegaremos lá.
Estamos caminhando para uma grande vitória de Rhaenyra que agora tem mais força, uma estratégia clara e a determinação de tomar o Trono de Ferro à força. Após a queda de Porto Real para as forças dos Pretos, Tyland é capturado e torturado, na tentativa de descobrir onde ele escondeu os tesouros reais. Apesar do sofrimento prolongado, onde foi cegado, castrado e mutilado, ele não revela a localização dos tesouros, demonstrando sua lealdade e resistência.
O tesouro está, claro, em Casterly Rock.
Após a queda da capital, da morte dos dragões, da fuga e morte de Rhaenyra, a eventual vitória dos Verdes transformam Tyland em herói. Ele é libertado e recompensado por sua lealdade e sacrifício.
Nesse breve reinado, mais uma vez a paciência e lealdade de Tyland serão testadas, com Aegon cada vez mais louco e sem controle. Tanto que os assessores do Rei participam de um complô para matá-lo. Isso mesmo, Aegon II mata Rhaenyra, mas não fica um ano no Trono, antes de ser envenenado. Não há provas que coloquem Tyland Lannister no complô e as circunstâncias são misteriosas. Isso é importante pois Cregan Stark (Tom Taylor) o poupa da execução.
Durante o reinado de Aegon III, filho de Rhaenyra e Daemon, vem a grande virada de Tyland. Por conta de sua boa reputação de administrador capaz e eficiente, tendo servido como Mestre da Moeda no conselho de Viserys I, Tyland é escolhido como Mão do Rei quando Cregan deixa King’s Landing para voltar para Winterfell. É o primeiro Lannister nessa posição.
A escolha é surpreendente, podemos concordar, pois Tyland foi um dos mais fiéis aos verdes, mas para o jovem Aegon III ele tinha as habilidades essenciais para ajudar a estabilizar o reino após a Guerra Civil . Mesmo tendo participado do esvaziamento dos cofres, que atrapalhou significativamente a administração de Rhaenyra, e não tendo revelado onde estava o dinheiro, ele não era visto como um inimigo irreconciliável pelos Pretos. Até porque, a essa altura, com tantos mortos de ambos os lados, Tyland conseguiu manter uma posição que poderia ser vista como relativamente neutra, ou pelo menos pragmática, na nova ordem política.

A juventude de Aegon III, com apenas dez anos quando ascendeu ao trono em meio a um reino estava devastado e dividido pela guerra civil, ter Tyland Lannister como Mão do Rei foi um passo em direção à reconciliação e à unidade. Demonstrava que ele estava disposto a trabalhar com antigos inimigos para o bem do reino, o que poderia ajudar a acalmar as tensões e promover a paz.
Sua administração foi marcada por uma série de desafios e dificuldades, principalmente devido ao contexto conturbado da guerra, mas, mesmo que alguns esperassem que ele fosse uma Mão fraca, Tyland desafiou as expectativas. Ele morreu de um surto de febre na capital apenas poucos anos depois. Definitivamente um Lannister bem diferente do que pensávamos, não?
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