Monsters – Os Irmãos Menendez: Abuso, Assassinato e uma Nova Chance de Liberdade

Há 35 anos, no dia 20 de agosto de 1989, um crime brutal sacudiu Hollywood com o assassinato do casal José e Kitty Menendez, mortos a tiros em sua casa em Beverly Hills. Os filhos, Erik e Lyle foram os que chamaram a polícia – chorando – alegando que chegaram em casa e encontraram os corpos dos pais, mas, em uma reviravolta incrível, a polícia descobriu que na verdade ELES eram os assassinos e que tudo, na versao da Promotoria, era sobre dinheiro.

Depois de dois julgamentos acompanhados por todas as TVs e jornais do mundo, os irmãos acusaram o pai de abuso sexual (e a mãe de cumplicidade) e que estariam com medo depois de confrontá-lo. A Justiça excluiu os testemunhos e evidências de abuso sexual do caso, só mantendo o argumento de que agiram motivados pelo desejo de herdar o patrimônio multimilionário dos pais. Embora Erik e Lyle sempre neguem isso, foi o uso desenfreado do dinheiro que levantou a suspeita da polícia sobre o assassinato e os irmãos Menendez escapando da Pena de Morte por pouco.

O drama vem fascinando pessoas obcecadas com True Crime e produtores por mais de três décadas, sendo que a nova versão da históriacom a nova série assinada por Ryan Murphy: Monsters – Os Irmãos Menendez.

Com Javier Bardem e Chloe Sevigny interpretando José e Kitty, e Cooper Koch e Nicholas Alexander Chavez interpretando os irmãos, a série chega à Netflix justamente quando o caso ganhou mais elementos que os irmãos esperam serem o suficiente para ajudá-los a ganhar liberdade. Isso porque duas novas evidências podem ser usadas como argumentos de que os direitos de ambos que desde 1996 cumprem penas de prisão perpétua sem liberdade condicional: uma carta escrita por Kyle, onde relata os abusos que sofria de seu pai, e a acusação do ex-Menudo, Roy Rosselló, que confessou recentemente em um documentário que foi violentado várias vezes por José Menendez quando o grupo fazia turnê pelos Estados Unidos.

Quando Erick e Lyle revelaram as violências que sofreram por anos em silêncio, o mundo ainda costumava a questionar vítimas de abuso, descreditando seus testemunhos. Embora a Justiça considere que a premeditação do crime dos Menendez comprove que o trauma não teria sido argumento para o assassinato, muitos consideram que o caso teria outra abordagem nos tempos atuais.

Na época, Lyle, tinha 21 anos e Erik, 18, e só admitiram que atiraram em seu pai, um alto executivo do entretenimento, e em sua mãe, depois de terem sido denunciados pela namorada do terapeuta de um deles. Eles alegaram no julgamento que temiam que seus pais estivessem prestes a matá-los porque eles teriam dito que levariam os abusos à público.

Os irmãos atiraram em José cinco vezes, incluindo um tiro à queima-roupa com uma espingarda apontada para a parte de trás de sua cabeça. Enquanto Kitty, também baleada, tentava rastejar para longe, Lyle atirou no rosto dela com uma espingarda. No total, ela levou nove tiros.

Na época, primos dos Menendez confirmaram que a relação de José com os filhos eram abusiva e que Erik já tinha relatado o abuso e a violência sexual que sofria do pai. Um desses depoimentos foi o de Andy Cano, que foi descartado.

Cano morreu em 2003, de uma overdose acidental envolvendo pílulas para dormir, mas um jornalista que escreveu sobre o caso teve acesso liberado pela família para mexer em uma cômoda cheia de papéis e lá encontrou uma carta de Erik para o primo, escrita cerca de nove meses antes do assassinato, onde fala em detalhes o pânico que tem dos ataques de seu pai e as ameaças que ele fazia caso Erik falasse algo para alguém.

Andy Cano jamais citou a carta durante o julgamento ou ninguém falou dela, mas mesmo agora pode ser usada como a evidência que faltou em 1996 pois confirma o que eles alegaram como motivação: auto defesa. Erik teria contado tudo anos antes, quando ainda tinha 12 anos e Andy 10, mas cobrado um juramento de silêncio do primo, que ficou traumatizado com o fardo do segredo.

Com a carta e o depoimento de Roy Rosselló, os advogados dos irmãos Menendez podem entrar com uma petição de habeas corpus para pedir um novo julgamento. Se aceito, o caso inteiro é apresentado novamente, com ambos os lados apresentando suas evidências e argumentos, e um novo veredito é alcançado. Ainda em setembro de 2024 poderá ter uma resposta. Em outras palavras, nada melhor do que a exibição da série justamente quando tudo pode mudar.

Notícias são que os irmãos Menendez estão esperançosos: será que o final dessa tragédia será outro? Monsters – Os Irmãos Menendez estreia dia 19, na Netflix.


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