Os Desafios de Agnes Van Rhijn na Nova Realidade de The Gilded Age

Em The Gilded Age, Agnes Van Rhijn é toda por seguir e manter a tradição e a ordem das coisas. A palavra “novo” é ofensiva para ela em todos os sentidos, uma das lições mais complexas que ela tenta ensinar à sua sobrinha, Marian.

Ao longo da segunda temporada, vimos que Marian fez o máximo do esforço para acatar as dicas de sua tia Agnes – quase se casando sem amor – mas a maior reviravolta veio mesmo no episódio final. Oscar, filho único de Agnes, caiu em um golpe e perdeu quase toda fortuna dos Van Rhijn. Mais do que a vergonha de agora estar “pobre”, a única alternativa para a matriarca interpretada por Christina Baranski era de vender a casa e passar a viver com muita simplicidade. Marian, que trabalhava por hobby contra sua vontade, declinou se casar para se sustentar e terá mesmo que ser professora. Mas eis que o inesperado ainda estava na esquina.

Um dos grandes desafios da temporada para Agnes foi ter que lidar com o fato de que Ada (Cynthia Nixon), embora obediente e grata, sempre teve sua própria voz e desafiou a ordem de Agnes de não alimentar ideias românticas com o pastor Luke Forte. Os dois se apaixonaram e se casaram mais rápido que a velocidade da luz, para desespero da sempre agarrada às circunstância Agnes. Tentando do suborno ao rompimento, ela fez de tudo para impedir a união, mas acabou concedendo e testemunhando a grande felicidade de sua irmã. Quando tudo caminhava para uma nova constância, Luke morreu repentinamente.

Para crédito de Agnes, ela abraçou o cunhado antes e durante o breve sofrimento, se comprometendo a cuidar de Ada, como sempre fez. Porém veio a surpresa da falência e o mundo dela ficou sem chão pela primeira vez desde que se viu forçada a se casar com um homem mais velho e rude para poder se sustentar e sustentar Ada. Isso aconteceu quando elas ainda eram jovens, graças ao pai de Marian, que herdou a fortuna dos Brooks, não salvou nada para as irmãs e perdeu tudo na bebida e jogos. Por conta desse sacrifício pessoal é que Agnes é tão rígida com todos a quem ajuda, incluindo Marian. Graças à inocência de Oscar, justamente quando está na idade onde precisa da fortuna, perdeu tudo.

Mas the The Gilded Age aposta no drama com soluções rápidas. No mesmo episódio Ada descobre que Luke era um herdeiro milionário e que deixou tudo para ela. As Van Rhijn estão novamente asseguradas materialmente. A diferença é que, quem manda na casa, não é mais Agnes. Como será essa nova realidade para ela?

Toda essa longa introdução é imporatnte para tentar antecipar como veremos Agnes navegar por The Gilded Age diante de uma nova realidade, dentro e fora de casa. Até o momento, Christine Baranski ficou com as frases de efeito, momentos de suavidade e empatia com personages inesperados para ela, como Peggy Scott, que ela defende e apoia mesmo sendo uma mulher negra, moderna e longe do que a própria Agnes espera para Marian. Essa aparente incongruência da personagem é parte do que a faz interessante.

Agnes é uma sobrevivente que usou as regras da sociedade para proteger a si mesma e à sua irmã, Ada, complemanete dependente dela. Há alusões de que o Sr. Van Rhijn era abusivo e até violento, mas Agnes se mantém firme. Por conta disso, é o que parece, é que não aceita nada que possa arriscar sua luta, portanto Marian, igualmente vítima de seu pai como as tias foram décadas antes, “precisa” se submeter.

O fato é que Agnes é dura, mas longe de ser uma mulher insensível. Ela circula pouco, mas se mantém informada e como avisou, “nunca erra”. Ou quase. Ela antagoniza com os Russells porque eles representam o novo e certamente é contra Marian se apaixonar por Larry.

Enquanto os fãs esperam por mais informações sobre a terceira temporada de The Gilded Age, que terá novos rostos, certamente um dos principais destaques será como teremos uma “nova” Agnes Van Rhijn.

Em uma entrevista à The Hollywood Reporter, o showrunner Julian Fellowes não entrou em detalhes, mas alertou que “o que eu gosto de enfatizar é que por trás dos salões de baile, das roupas e das carruagens, esses homens gigantes com esses egos enormes estavam fazendo coisas. Eles não compartilhavam a visão sentimental da nossa geração”, explicou. “Gostamos de passar cerca de metade do nosso dia chorando por todos estarem passando por momentos terríveis. Há algo sobre a fanfarronice deles que eu acho bastante atraente”, continuou.

Pois é, Agnes é uma mulher prática, mas conservadora. Para a atriz Christine Baranski, que também falou sobre sua personagem ao site Deadline, disse que o terremoto começou com o abalo da chegada de Marian, acolhida depois que o pai dela a deixou literalmente sem um tostão para viver. “A terra, o mundo, o chão, estava sempre se movendo sob seus pés de uma forma que ela nunca esteve em solo firme desde o primeiro episódio da primeira temporada, por causa da chegada dos vizinhos do outro lado da rua, e então a chegada da sobrinha”, a triz lembrou.

Christine celebrou todas as armadilhas nas quais Agnes foi forçada a cair por terceiros, sem nenhum controle sobre seu destino. “Agnes está tendo que de alguma forma se levantar para a ocasião porque eu a amo muito e aceito isso”, ela seguiu. “Foi um banquete para mim como atriz, porque quando você tem uma personagem tão rígida e arrogante, e tem um senso tão firme de si mesma e do que seu mundo é, e você vê tantas rachaduras ocorrendo em seu mundo, é engraçado, triste e muito dramático”.

Se você considera qye Agnes Van Rhijn é um papel feito para Christine Baranski é porque efetivamente foi mesmo escrito para ela. A atriz, fã de Downton Abbey, abordou Julian Fellowes quando soube que ele estaria trabalhando no que chamou de “a versão americana de Downton”. Centrado na Era Dourada de Nova York, a série até foi pensada como uma prequel para Downton Abbey, mas depois ganhou independência e agora é completamente à parte.

Para a surpresa de muitos, um dos argumentos que a atriz usou para ser considerada não foram seus prêmios ou talentos, mas sua ligação pessoal com o período no qual a história se passa. “Eu disse, “Eu sou casada com um homem, meu falecido marido, era um Drexel da família Drexel, e essa era, claro, uma das famílias aristocráticas da Era Dourada de Nova York”. Comecei a falar com ele sobre isso, e tivemos uma conversa muito longa. E eu não conhecia Julian naquela época. Anos depois, recebi uma ligação dizendo, “Julian escreveu esse programa para a HBO, e eles estão oferecendo isso a você.””, contou para o Deadline.

Mesmo questionada, Christine manteve segredo sobre o futuro de Agnes na terceira temporada de The Gilded Age. Ela alertou, porém, que podemos esperar “drama”. Ó Deus! Sabendo que Oscar ainda estará atrás de recuperar o dinheiro perdido, só podemos agradecer que teremos muita emoção, não é?


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